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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

ESTÃO EM FINANCIAMENTO NO CATARSE:

🚨🚨🚨🚨🚨 ATENÇÃO🚨🚨🚨🚨🚨
ESTÃO EM FINANCIAMENTO NO CATARSE:

Organizado por Fabrício Corradini e trazendo autores como Maurício Coelho e Rodrigo Ortiz Vinholo, “O Signo do Vampiro” apresenta poemas e contos com versões diferentes e peculiares desta criatura que há tempos assusta e fascina a humanidade. 🧛 

"Os salgueiros e outros assombros da natureza" é um colab entre as editoras Ex Machina e Clock Tower que trazem pela primeira vez em edição criteriosa, comentada e ilustrada a obra de Algernon Blackwood no Brasil, com intro e notas de S.T. Joshi. Reunindo as cinco narrativas longas mais importantes do autor, sendo duas delas inéditas em português, o volume traz mais de 300 páginas de conteúdo com ilustrações de Alexandre Teles. 🍃 Link: https://www.catarse.me/salgueiros

Outro colab de editoras - dessa vez, a Clepsidra e a Aetia - é a edição crítica e repleta de extras do clássico Frankenstein (1818), de Mary Shelley, que se preocupa em explorar a trajetória da obra desde sua concepção até seu desenvolvimento nos palcos teatrais e no cinema. Quinto volume da coleção Imaginário Gótico, ele se baseia no texto de 1831, mas rastreia todas as alterações efetuadas pela autora em relação à de 1818 (incluindo traduções extras dos trechos alterados e suprimidos). 🧟‍♂️

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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

Entre vimeiros e lagos: sobre Algernon Blackwood (Edição Ex-Machina e Clock Tower)

Fábio Fernandes nos lembra que antes da ficção científica surgir como gênero literário assumido, ela já presente bem antes da fantasia moderna se consolidar com J.R.R. Tolkien e seus seguidores. A Weird Fiction (termo sem tradução exata para o português, mas que aproxima em nossa língua como “ficção do estranho” ou “ficção do bizarro”) já mexia com a imaginação dos leitores desde o século XIX. Pavimentaram o gênero nomes como Sheridan Le Fanu (creditado não só por ser precursor do gênero como criador do termo), William Hope Hodgson, Arthur Machen, Lord Dunsany, H.P. Lovecraft (seu principal propagador), Clark Ashton Smith, Robert E Howard e o autor mais esquecido, porém com uma das obras mais comentadas, Algernon Henry Blackwood.

Inglês nascido em 1869, Algernon Blackwood foi jornalista e narrador de TV, sendo um dos mais prolíficos escritores de histórias de fantasmas na história do gênero. Geralmente, o autor é lembrado como um escritor de histórias de fantasmas eduardianas (pertencentes a Era Eduardiana), que, por meio de seu detetive sobrenatural John Silence, fornece uma ligação entre Dyson de Arthur Machen e Carnacki de Hope Hodgson. No geral, como lembra Oscar Nestarez, suas histórias são mais comentadas do que lidas. Suas narrativas raramente — ou nunca — foram publicadas no Brasil, vítimas do desinteresse de editoras, mas que são incensadas por gente de alta patente: como o próprio Oscar e também Howard Philips Lovecraft. O que dizer de Os Salgueiros, que nos mostra uma ruptura, desfamiliarização e angústia sem incluir nenhuma menção ao sobrenatural?


Blackwood é tristemente obscuro, sendo, sem dúvida, a figura central na literatura sobrenatural britânica do início do século XX, mesmo tendo alcançado fama apenas em seus últimos anos como contador de contos de fantasmas no rádio e na televisão britânicos.

Perceba, Vernon Lee (o apelido de Violet Paget), Arthur Machen e M.R. James produziram seus melhores trabalhos no final da Era Vitoriana. Hauntings de Vernon Lee, coletânea destacada por seu perturbador "Amour Dure" (presente na coletânea de Contos fantásticos do século XIX escolhidos por Italo Calvino), surgiu em 1890. As principais obras de Machen, como The Great God Pan (1894), foram produtos boêmios das décadas de 1870 e 1880 de Londres. Ghost Stories of an Antiquary de M.R. James, mesmo publicado em 1904, era a reunião de narrativas lidas em Cambridge durante a época do Natal ao longo da década anterior. Já os primeiros textos de Blackwood começaram a aparecer em revistas no início dos anos 1900, lançando um escritor que teria em seu portfólio duzentos contos e uma dúzia de romances publicados ao longo de mais de quatro décadas. Suas histórias transitam no limiar entre o sobrenatural e psicológico, lidando às vezes com as formas da natureza que esmagam a humanidade, entregando o melhor dos dois mundos. Não posso deixar de me perguntar se a razão de Algernon Blackwood não ter o tipo de reconhecimento como os outros hoje é devido à diferença nas raízes do medo.


Elegante e envolvente, ele naturalmente mergulha os sentidos, tanto dos personagens e dos leitores, em um clima desorientador. Fantasmas e forças naturais brotam como fonte de horror em narrativas distintas, elucidando visões e sensações propiciadas pela essência dos seres em um plano espiritual mais elevado, usando muitas vezes os versos de Percy Shelley como pano de fundo. No Brasil, sua publicação foi esparsa, sendo raramente reunida. Seu conto Velhas Feitiçarias apareceu na antologia produzida no meio dos anos 40: "Os Mais Belos Contos Alucinantes" da Editora Vecchi, ao lado de Ratos na Parede de Lovecraft, A volta do Feiticeiro de Clark Ashton Smith e O Sortilégio dos Russos de M.R. James; outro conto seu, A Estranha Morte de Morton, de 1910, veio a ser publicado em "Herdeiros de Drácula" de 2016, também ao lado M.R. James e Vernon Lee. Uma seleção foi realizada e traduzida pela escritora Heloísa Seixas em 2001 pela Editora Record chamada A Casa do Passado. Mais recentemente, em 2019, uma edição bilíngue de Os Salgueiros saiu pela Editora Empíreo com tradução de Stefano Danin e Anna Civolani e, também em 2019, uma edição independente, A Casa Vazia (2019) da Editora Clube de Autores que não precisa de comentários (e para alguns, nem merece ser lembrada!).

Se esse volume chegou em você, mergulhe com calma na cadência narrativa unheimlich e deixe o espírito melancólico do estranhamento te guiar.

Algumas notinhas de Instagram:

Para H.P. Lovecraft, o texto Os Salgueiros de Algernon Blackwood é “a melhor weird story que já lera” (conforme ele afirmou em carta para o também escritor Vincent Starrett). O autor lida com um tipo bem específico de horror: o pavor do desconhecido, daquilo que não pode ser compreendido, quantificado ou ponderado racionalmente. É sem dúvida um tema recorrente entre Lovecraft e os autores do Mythos. Em Blackwood, o leitor nunca sabe exatamente o que são as criaturas, jamais sabe o que deseja os monstros, e as narrativas simplesmente tem muitas lacunas deixadas incompletas, muitos mistérios em aberto.


Os escritos de Blackwood inspirariam e influenciariam inúmeros autores - H.P. Lovecraft, Clark Ashton Smith, William Hope Hodgson e George Allan England para citar alguns. Entre os autores, um jovem estudante inglês de 15 anos quando Os Salgueiros foi publicado: J.R.R. Tolkien. Tolkien citaria Blackwood como a fonte de sua frase icônica "the Crack of Doom" (Fendas da Perdição). Mais do que isso, porém, os temas de Blackwood de natureza malévola são encontrados em todos os escritos de Tolkien. O Velho Salgueiro-homem e seus "labirintos astutos" na Floresta Velha, Monte Caradhras, TrevaMata, Fangorn, os Ents... a lista continua. Por comparação, o Wendigo de Blackwood captura, corrompe e imita suas vítimas para horror de seus companheiros, os Nazgûl de Tolkien também capturam outros e os transformam em espectros como eles.


Para saber mais sobre o financiamento coletivo, clique nesse link.

domingo, 6 de fevereiro de 2022

Os estranhos horrores de Robert Aickman [SPOILER ALERT]


"Minha primeira experiência foi muito mais uma provação do que qualquer coisa assim que já tenha me acontecido. Não a mais agradável, mas certamente a mais desafiadora. Tenho notado que as coisas mais estranhas acontecem aos iniciantes e, muitas vezes, acho que apenas com eles. Quando já se conhece algo, tudo se torna fácil. Até mesmo coisas desse gênero - pelo menos na maioria dos casos. Depois das primeiras seis mulheres, digamos, ou sete, ou oito, o restante é apenas mais do mesmo." - Robert Aickman

Quarenta anos após sua morte, Robert Fordyce Aickman está começando a receber a atenção que merece como um dos grandes escritores de contos do século XX. Pela primeira vez em terras nacionais, uma nova edição de sua obra foi posta em circulação em um colab entre as editoras Sebo Clepsidra e a Ex-Machina. A edição de "Repique macabro e outras histórias estranhas" acaba trazendo uma oportunidade de ouro para os leitores que apreciam o efeito perturbador único de seu trabalho.

Escritor e conservador inglês, foi co-fundador da Inland Waterways Association, grupo que buscou preservar da destruição e restaurar o sistema de canais do interior da Inglaterra. A literatura estava em seu sangue, com seu avô sendo Richard Marsh, um autor de terror best-seller em sua época no século XIX. As histórias de Aickman apareceram pela primeira vez na coleção We Are For The Dark, de 1951. Nunca se tornou um escritor em tempo integral, muito embora fosse associado de longa data à Society for Psychical Research e ao The Ghost Club.

Aickman escreveu histórias de fantasmas, mas apenas algumas podem ser consideradas exemplos tradicionais. Seu compromisso era com as ambiguidades psicológicas, o tornando mais próximo de escritores modernistas do que com escritores eduardianos como M.R. James, ao mesmo tempo em que sua ambientação o coloca na mesma prateleira de Henry James e Rudyard Kipling.


A questão sobre Aickman no Brasil agora é a escala de seu impacto na literatura sobrenatural local: como experimentar, absorver e interpretar sua obra da maneira mais satisfatória. Aickman é um escritor difícil, que foge do habitual, já que as dificuldades que apresenta não são inerentes à sua escrita, mas sim a intenção por trás dela. Ler Aickman exige um pouco mais de paciência do que muitos leitores estão dispostos a dar.

Os contos de Robert Aickman têm um apelo semelhante. Eles acontecem em um mundo comum no qual eventos bizarros e sobrenaturais se desenrolam com real originalidade. Sua narrativa é boa, sua escrita é limpa, ele é engraçado, mas discreto, e as histórias em si são impressionantes, mais próximas do surrealismo do que com horror ou fantasia.

Um dos contos presentes no livro é "As Espadas", é uma obra interessante e acessível para o leitor em geral, que quer ser iniciado adequadamente a Aickman. O autor consegue colocar camadas de desconforto social e sexual, ambientado em uma sombria cidade inglesa que possui um parque de diversões sem entusiasmo. Todo o sentido ritualístico e desconcertante das personagens transforma "As Espadas" em um clássico de medo. Começa com uma observação que explica os fundamentos psicológicos para o grotesco que está por vir, como mostrado na epígrafe do post. O objeto de desejo e desgosto do narrador é uma mulher que poderia ser descrita tanto como prostituta como um zumbi. Ela oscila entre dois modos, a vida decadente e real com o sobrenatural e o mistério — enquanto o jovem luta com uma experiência estranha, onde os fatos finalmente substituem as fantasias.

"Repique macabro", conto que dá o título ao livro e a história mais antologizada de Aickman, é provavelmente o melhor e mais popular trabalho do autor. Ele contém todos os elementos básicos que tornam a noite assustadora, a colisão entre o antigo e o moderno com uma premissa simples: um casal em lua de mel, o muito mais velho Gerald e sua esposa muito mais jovem Phrynne, se encontram no meio de um festival local pitoresco e turístico que começa com o toque incessante dos sinos da igreja. A narrativa se baseia e extrapola o tema da cidade com um segredo sombrio, adicionando uma ameaça dionisíaca e mostrando, por fim, o fracasso do amor entre idades perante uma folia profana que desperta a volúpia feminina anteriormente adormecida. O segredo novamente está presente em uma frase do conto, quando um colega inquilino da pousada diz a Gerald de forma telegrafada que eles estão literalmente “tocando os sinos para despertar os mortos”.

De limiar sem precedentes e profundidades ocultas, "Niemandswasser" (para os que pegaram o trocadilho, No Man's Water) a terceira história que quero assinalar, é situada pouco antes da Primeira Guerra Mundial. Na narrativa seguimos os transtornos de humor e os movimentos do príncipe Elmo relembra seu querido amigo Viktor (um oficial alemão) que teve seus dedos mordidos por um monstro desconhecido à espreita no Bodensee, enquanto, particularmente, após um caso de amor condenado falhado em se matar. A narrativa poderia ser simplesmente sobre um lago assombrado, ou sobre a decadência e o vazio da vida aristocrática e como o vazio da existência leva ao suicídio, mas seu significado é algo a mais. Elmo e Viktor são duas faces da mesma moeda, contrastando com a criatura que habita aquela parte do lago, que serve apenas para conduzir o desejo suicida do príncipe. A história contém um sentido geográfico muito bem definido, com uma verdadeira viagem ao longo das fronteiras durante a Europa pré-guerra. O autor preconiza a decadência e a falta de propósito que habita os vários personagens da narrativa com a decadência e a falta de propósito que ele começa a encontrar na mais alta esfera da sociedade, e que não podem ser explicados de forma simples.


Como escritor, Robert Aickman é conhecido por sua ficção sobrenatural, que descreveu como "strange stories". Se o horror, o weird e o gótico fossem ligados por uma estrada, provavelmente seria a de sua obra. Sua habilidade narrativa é adorável, com cuidado para garantir que cada palavra e frase e entre parênteses aumente a compreensão do leitor, iluminando até pensamentos e sentimentos comuns com uma nova luz. O ler é caminhar na insegurança no que tenta transmitir. Mais de uma vez eu tive que parar e reler passagens várias vezes para verificar o que exatamente estava acontecendo, para confirmar que eu estava compreendendo o que estava lendo.

Quando fecho o volume, não sei o que escrever. Me sinto em choque, como no final de A Cidade & A Cidade de Miéville. Os estranhos padrões das histórias Aickman me transformam em um pobre leitor, com o sentimento de que ele quer, lá no fundo, brincar comigo. E que isso é um verdadeiro exemplo do que é estranho.

quinta-feira, 3 de setembro de 2020

Lovecraft Country | Referências literárias da nova série da HBO

Divulgação/HBO

Lovecraft Country, série criada por Misha Green com base no livro Território Lovecraft de Matt Ruff, é o principal lançamento da HBO para o mês de agosto. Produzida por Jordan Peele e J.J. Abrams, a série mistura elementos do terror cósmico de H.P. Lovecraft com a dura realidade de um Estados Unidos segregacionista dos anos 1950 para construir uma trama assustadora.

Confira abaixo as algumas referências literárias da série:

Indo da Flórida para Chicago, o personagem principal, o veterano da Segunda Guerra Atticus Black está lendo Uma Princesa de Marte, escrito por Edgar Rice Burroughs em 1912. Depois de ser transportado misteriosamente para o solo marciano, John Carter, um veterano ex-confederado da Guerra Civil, descobre que suas habilidades físicas foram ampliadas significativamente devido a menor pressão atmosférica e gravidade. Além disso, se vê envolvido no meio dos conflitos entre as raças marcianas. A Editora Regulus está trazendo esse livro em um financiamento coletivo e tem um projeto ambicioso: publicar todas as edições da série Barsoom. Além de criar esse universo, Burroughs criou e idealizou as aventuras do Tarzan, a série Caspak e inúmeros outros mundos fantásticos. Para saber mais, clique aqui.

Autor que nomeia o seriado, H.P. Lovecraft foi um homem criativo, mesmo sendo inegavelmente xenófobo e racista. Em uma cena, Atticus lembra a tio George que seu pai, Montrose, o fez decorar o poema On the Creation of Niggers que equipara os negros a semi-bestas que “preenchem o vazio” entre as bestas e os homens. Pai do horror cósmico como conhecemos, tem sua edição definitiva de seus Contos Reunidos reeditada em uma parceria da Editora Ex-Machina e Sebo Clepsidra. A nova edição da antologia apresenta todas as 61 histórias escritas por Lovecraft publicadas originalmente entre 1917 e 1935 e um corpus paratextual ciclópico, com mais de uma centena de páginas de material complementar, e do ensaio pioneiro Mitologia lovecraftiana: A totalidade pelo horror, de Caio Bezarias, em versão revista, ampliada e ilustrada. Para saber mais, clique aqui.

Como Atticus observa depois de George recitar “The children of the night ... what music they make” (Ouça-os... são os guardiões da noite. Que monumental protofonia!) é uma das frases mais famosas do romance de vampiros de Bram Stoker, Drácula, de 1897. Os vampiros inspiram os personagens a usar luzes para afastar os Shoggoths que os atacam na floresta, até que a luz solar os devolva à (relativa) segurança. A obra narrada de maneira epistolar, por meio de fragmentos de cartas, diários e notícias de jornal, a história de humanos lutando para sobreviver às investidas do vampiro Drácula, tentando impedir que a vil criatura se alimente de sangue humano na Londres da época vitoriana, no final do século XIX. Para saber mais, clique aqui.

Logo após Letitia, Atticus e tio George escaparem de Simmonville, Marvin Baptiste (irmão de Letitia) cita o autor Ray Bradbury do durante o jantar em sua casa. O autor, que completaria 100 anos em 2020, compôs um clássico da ficção científica e da literatura distópica, Fahrenheit 451. Escrito originalmente como um conto: "O bombeiro", contido no volume Prazer em Queimar: histórias de Fahrenheit 451, foi incentivado pelo seu editor a transformar a ideia inicial em um romance, que se tornou um dos livros mais influentes de sua geração – e também um dos mais censurados e banidos de todos os tempos. Para saber mais, clique aqui.

Em um delírio, tio George recapitula o final de A Casa No Limiar, romance de terror gótico de 1908 do autor William Hope Hodgson, que nos diz ser um de seus favoritos. Lançado pela Diário Macabro, o livro trás a narrativa citada: ao final do século XIX, em busca de dias tranquilos de pescaria, dois jovens viajam para um remoto vilarejo na Irlanda onde encontram restos de um manuscrito nas ruínas de um casarão. Em suas páginas emboloradas, encontram os registros das experiências de um velho recluso que há muito tempo habitou o local. Sua escrita revela uma série de eventos extraordinários e sobrenaturais, desde ataques de criaturas inomináveis a viagens oníricas e interdimensionais. Para saber mais, clique aqui.

Sendo mencionado nominalmente por tio George, Algernon Blackwood escreveu fantasia sobrenatural e terror na Grã-Bretanha do final do século XIX. Entre seus contos mais famosos está Os Salgueiros (história de horror preferida de Lovecraft) que retrata as aventuras de dois viajantes que descem de barco o Danúbio, rio que corta parte do leste europeu, e passam a viver um verdadeiro inferno de sons e sensações perturbadoras, cercados por salgueiros, em uma região pantanosa. Muitos de seus contos envolvem histórias de homens tendo encontros terríveis com uma espécie de natureza senciente. Para saber mais, clique aqui.

Também sendo mencionado nominalmente por tio George, Clark Ashton Smith foi poeta, escultor, pintor e autor americano de contos de fantasia, horror e ficção científica. Contemporâneo e amigo de Lovecraft, ele escreveu também sobre os famosos Mitos de Cthulhu, colaborando ativamente para o bestiário lovecraftiano com a criação de Tsathoggua no conto The Tale of Satampra Zeiros. Embora Smith se considerasse principalmente um poeta, tendo recorrido à prosa pela escassa soma financeira que recompensava, sua prosa pode ser melhor apreciada como uma poesia "desenvolvida". O autor está sendo trazido pela Editora Clock Tower em Além da Imaginação e do Tempo, um financiamento coletivo no Catarse. Para saber mais, clique aqui.

Somos informados de que O Conde de Monte, famoso romance do século 19 de Alexandre Dumas (também famoso pelos Três Mosqueteiros ) é o romance favorito de Montrose, pai de Atticus. O romance aborda a história de um marinheiro preso injustamente por um crime que não cometeu e foi lançado em folhetim ao longo de dois anos. O marinheiro planeja por anos executar uma fuga ousada de prisão, que inspirou claramente a própria escavação do túnel de Montrose fora do prisão onde o culto Braithwhite o confina. No dia 27 de agosto desse ano, para homenagear o autor, o Google fez um Doodle fazendo referência ao romance por conta da comemoração do aniversário da publicação do primeiro capítulo do livro no jornal parisiense "Les Journal des Débats", em 27 de agosto de 1884. Para saber mais, clique aqui.

No episódio "Uma História de Violência", o trio de heróis Atticus, Letitia e Montrose parte numa busca pelo cofre do fundador da Ordem da Antiga Alvorada, Titus Braithwaite. Essa busca os leva a um museu em Boston, e debaixo deste museu vão procurar as páginas de um livro. Eles vão andando pelas catacumbas que começam a se inundar, encontrando algumas criaturas sobrenaturais. Durante essa empreitada, Atticus até afirma: “Parece coisa do ‘Viagem ao Centro da Terra’”, do autor Júlio Verne. Rios de lava, mares subterrâneos, os primórdios da vida no planeta, fauna e flora pré-históricos, múmias de homens primitivos... Fruto da imaginação e do conhecimento de um dos pais da ficção científica, o livro é uma das obras mais originais e ousadas de seu tempo. Para saber mais, clique aqui.

O título do episódio, "Strange Case", foi tirado da novela de terror Strange Case of Dr. Jekyll e Mr. Hyde, conhecida e traduzida normalmente como O médico e o monstro de Robert Louis Stevenson. A história é a narrativa sobre um homem da ciência que usa um soro para se transformar em uma persona do mal e satisfazer seus desejos e depravações. Publicado pela primeira vez em 1886, esta instigante novela é um clássico do autor escocês Robert Louis Stevenson que inspirou desde Vladimir Nabokov e Jorge Luis Borges até Stan Lee. Para saber mais, clique aqui.

No mesmo episódio, durante a cena em que William abre Ruby para acelerar sua transformação, há uma reportagem na televisão sobre gafanhotos e seu processo de metamorfose. Ele lembra uma novela de Franz Kafka chamada Metamorfose, sobre um homem que acorda e se vê transformado em uma barata gigante. Essa pequena novela, lançada em 1915, revolucionou a literatura e as artes. De forma agressiva, acessível e inovadora, tornou-se um dos mais importantes e difundidos textos da história. Para saber mais, clique aqui.

Uncle Tom's Cabin, em português em A Cabana do Pai Tomas de Harriet Beecher Stowe, foi um romance antiescravista publicado em 1852. Extremamente popular em sua época, seu lançamento é considerado um dos vários momentos decisivos que impulsionaram o sentimento contra a escravidão e, por extensão, indiretamente iniciou a Guerra Civil. O romance também foi criticado por popularizar estereótipos tradicionais sobre os negros - o nome "Tio Tom", por exemplo, foi apropriado como pejorativo para os homens negros que são subservientes à autoridade branca. No livro, o tio Tom é espancado até a morte por seu mestre Simon Legree, após se recusar a revelar para onde seus companheiros escravos escaparam. Ele é retratado como uma figura de Cristo e perdoa seus assassinos em seus últimos suspiros. Este registro literário contribuiu intensamente para a abolição da escravatura. Basta observar que, dois anos depois de seu lançamento, surgiu o Partido Republicano, que abraçou a causa abolicionista. A autora chegou até mesmo a merecer do presidente norte-americano, Abraham Lincoln, esta consideração: "Foi a senhora que, com seu livro, causou essa grande guerra" (a guerra entre os estados). Dree foge das figuras do livro, que a perseguem por todos os lados. Para saber mais, clique aqui.

Obra de mesmo nome escritor por Matt Ruff, Território Lovecraft não é exatamente um romance. Com oito histórias curtas que se conectam, o livro pode ser entendido como uma espécie de antologia que possuem um delimitador comum que conduz a narrativa. Lançado pela Editora Intrínseca, o livro é um retrato caleidoscópico do racismo norte-americano e mostra acontecimentos envolvendo uma mesma família ou pessoas próximas a esse núcleo familiar que aos poucos vão descobrindo uma espécie de confraria secreta sobrenatural ao seu redor. Em um jogo de metalinguagem, o livro Lovecraft Country aparece na série escritor pelo filho de Atticus, George, no futuro. Tic diz que é a história da família Freeman, mas com alterações; Dee, por exemplo, é um menino chamado Horace, enquanto George e Hippolyta estão vivos e presentes na terra. Estas são mudanças reais que foram feitas durante a adaptação do romance original de Matt Ruff para a série da HBO. Para saber mais, clique aqui.

sábado, 22 de agosto de 2020

Neuroses de Lovecraft impulsionaram horror inovador de sua ficção - via Folha de São Paulo

Pouco valorizado em vida, mestre do terror tem sua obra celebrada nos 130 anos de seu nascimento


Marcelo Miranda
Jornalista, pesquisador, curador e crítico de cinema. Produz e apresenta o Saco de Ossos, podcast de entrevistas com criadores e estudiosos de ficção de horror no Brasil

[resumo] Nos 130 anos de seu nascimento, o escritor H.P. Lovecraft tem explosão de lançamentos no Brasil, incluindo ensaio do francês Michel Houellebecq sobre seu trabalho, e é inspiração para as mais variadas obras de arte. Pouco celebrado em vida, tornou-se um nome central da literatura de horror ao fazer de suas neuroses o impulso de uma obra inovadora e pessimista, na qual o ser humano é insignificante diante da natureza.

Dificilmente Howard Phillips Lovecraft acreditaria que o palavreado impronunciável de nomes criados por ele —como Cthulhu, Azathoth, Shoggoth, Shub-Niggurath e Yog-Sothoth— se tornaria cultuado em todo o mundo e fonte de inspiração para variadas manifestações artísticas.

Morto em 1937, aos 46 anos, Lovecraft teve pouco reconhecimento em vida. Quase um século depois —nos 130 anos de seu nascimento, completados na última quinta-feira (20)—, é um dos autores mais estudados e referenciados da literatura norte-americana. Não só pelas obras que escreveu (cerca de 70 ficções, entre contos e novelas), mas também por sua presença constante como fonte basilar em filmes, videogames, quadrinhos, RPGs, livros e um conjunto inesgotável de derivações.

A mais recente é a nova série da HBO “Lovecraft Country”, adaptação do romance de Matt Ruff que se utiliza do imaginário de Lovecraft para falar da segregação racial nos EUA dos anos 1950. Escritores como Neil Gaiman, Stephen King e Joyce Carol Oates ou cineastas como Guillermo del Toro e John Carpenter constantemente assumem inspiração em Lovecraft.

Montagem com o escritor H.P. Lovecraft cercado por tentáculos, referência central em sua obra

Tendo entrado em domínio público em janeiro de 2008, a obra do escritor nascido em Providence (Rhode Island) ganha atenção crescente de editoras, produtoras e artistas interessados em se enveredar pelos tentáculos de um criador que inventou muitos dos conceitos consagrados de horror e ficção científica.

Ao menos sete casas editoriais brasileiras, entre grupos expressivos e outros nem tanto, estão com livros de Lovecraft circulando, para além da quantidade incalculável de trabalhos realizados a partir do imaginário do autor.

A pioneira a explorar com atenção e cuidado a obra do escritor por aqui foi a Hedra, em um projeto capitaneado pelo editor Bruno Costa a partir de 2009. Com tradução do pesquisador Guilherme da Silva Braga, as edições da Hedra apresentaram os contos do norte-americano a toda uma nova geração de leitores.

“Elas foram as primeiras, no Brasil, a trabalhar não apenas com tradução de alto nível, mas também com critérios editoriais claros e aparato crítico do qual éramos tão carentes: introduções, notas, cartas, esboços e artes de capa exclusivas, criadas por Tulio Caetano”, destaca Costa.

Histórias como “Um Sussurro nas Trevas” (1930), “Nas Montanhas da Loucura” (1931), “A Sombra de Innsmouth” (1931), “A Cor que Caiu do Espaço” (1927) e o incontornável “O Chamado de Cthulhu” (1926), entre várias outras, conquistaram centenas de leitores e chamaram a atenção para o potencial de Lovecraft.

Reprodução/HBO

Em 2017, pela editora Ex Machina, o mesmo Bruno Costa promoveu um financiamento coletivo para a edição de “Contos Reunidos do Mestre do Horror Cósmico”, mais portentosa edição dedicada ao escritor no Brasil. São 612 páginas contendo 61 contos (tradução de Francisco Innocêncio), além de apêndice com artigos, ensaios, iconografia, bibliografia, filmografia e um “bestiário” sobre as principais entidades lovecraftianas.

Uma segunda edição, revista e ampliada, está com nova campanha aberta no Catarse, em uma parceria da Ex Machina com a editora Clepsidra, que relançará também o ensaio “Mitologia Lovecraftiana: A Totalidade pelo Horror”, de Caio Bezarias.

Outras editoras embarcaram no apelo de Lovecraft, como a DarkSide, que o inseriu no selo Medo Clássico e lançou, no final de 2017, uma antologia com duas capas à escolha do leitor, com tradução de Ramon Mapa.

Em 2019, dois lançamentos de peso se somaram no mesmo mês de novembro: o box em dois volumes “Os Mitos de Cthulhu” (Nova Fronteira, tradução de Alexandre Barbosa de Souza, Regiane Winarsrki e Alexandre Gambarotto) e o primeiro volume da “Biblioteca H.P. Lovecraft” (Companhia das Letras, tradução de Guilherme da Silva Braga), a ser composta, no futuro, por outros três livros.

O escritor Oscar Nestarez, pesquisador de Lovecraft, exalta a efervescência de títulos disponíveis de um ficcionista tão fundador, mas aponta cautela. “A redundância pode levar à saturação, já que vários lançamentos trazem os mesmos textos ou edições precipitadas, sem contextualização adequada. Para quem não conhece a obra de Lovecraft, contexto é indispensável.”

Bruno Costa também detecta um círculo vicioso de publicações e defende que outros materiais sejam disponibilizados ao leitor brasileiro. “As editoras poderiam explorar as cartas, os ensaios e a poesia do Lovecraft, mas preferem ad infinitum a mesma fórmula ou seleção de contos em traduções e edições muitas vezes bastante discutíveis. Publicar uma dezena de histórias com capinha bonitinha é fácil, duro é ter coerência editorial.”

Cena do filme "A Cor que Caiu do Espaço" (2019), inspirado na obra de H. P. Lovecraft - Divulgação

Em boas ou más edições, Lovecraft é cada vez mais inevitável. O fascínio por sua literatura, os enigmas em torno de sua mitologia e as controversas questões de sua vida pessoal são praxe em círculos não só de leitores, mas de uma gama imensa de admiradores de outras mídias.

“Ele criou um universo habitado por monstros e horrores que mexem com a imaginação. Essa obra deixou de pertencer ao nicho da literatura de horror e de ficção científica para adentrar, de forma definitiva, na cultura pop”, aponta Guilherme Braga.

Para a pesquisadora Nathalia Sorgon Scotuzzi, autora de “Relances Vertiginosos do Desconhecido: A Desolação da Ciência em H.P. Lovecraft” (ed. Diário Macabro), um elemento intrigante é a ambientação das narrativas em um mundo em tudo como o nosso, acrescido de criaturas ancestrais e da detalhada mitologia de acontecimentos do passado, que fazem do ser humano mero detalhe insignificante.

“Sua proposta era criar uma realidade que preenchesse lacunas na nossa própria, oferecendo possibilidades monstruosas nas camadas desconhecidas da natureza”, diz Scotuzzi.

“Ao entrar em contato com isso, a humanidade estaria perdida, mas a natureza ainda seria a mesma. Somado a tudo está o conceito de que Cthulhu, Azathoth, Yog-Sothoth ou qualquer outra entidade criada pelo autor não são deuses e sim seres poderosos que desconhecem ou pouco se importam com nossa existência.”

Esse é, afinal, o conceito de horror cósmico, vertente ficcional notabilizada por Lovecraft. Apesar de admirador do gótico e sobrenatural Edgar Allan Poe (1809-1849), ele expandiu suas próprias referências, que passavam também por Algernon Blackwood (1869-1951) e Ambrose Bierce (1842-1914), para arquitetar cuidadosamente um mundo singular.

“O embasamento filosófico do horror cósmico está ligado ao conceito de sublime que encontramos no filósofo irlandês Edmund Burke e segue muito alinhado a pensamentos e fatos científicos atuais”, diz Oscar Nestarez. “Todos os contos de Lovecraft nos lembram do quão impotentes e insignificantes somos diante da natureza —e, em última instância, diante do universo.”

Neste ano, quando o mundo enfrenta o surto de coronavírus, Lovecraft soa bastante atual. Cthulhu, afinal, é o “alto sacerdote” que um dia caminhou pela Terra, foi banido para “a grandiosa cidade submersa de R’lyeh” e estaria às vésperas de caminhar novamente para “impor seu jugo” por meio de destruição, morte e desolação. Em suma: é um apocalipse abafado por milênios, no aguardo de ascender “quando as estrelas estivessem alinhadas”.

A descrição de Lovecraft para horrores além da compreensão humana e da capacidade de qualquer enfrentamento —elementos magistralmente trabalhados na mais recente adaptação do autor para os cinemas, “A Cor que Caiu do Espaço”, de Richard Stanley, disponível no Telecine Play— está intimamente relacionada ao seu modo de viver e pensar.

Filho de um comerciante com a filha de um aristocrata descendente dos primeiros colonizadores dos EUA, Lovecraft cresceu abastado e isolado em meio a crises mentais dos pais. Adulto, defendia a tradição e a cultura anglo-saxã contra a modernidade e a intersecção entre povos.

Carrie (1976) de Brian de Palma, inspirado no livro de Stephen King. Ilustração de Leander Moura

Lovecraft tinha pensamentos racistas, xenófobos e eugenistas, expostos em várias dos milhares de cartas que trocou com interlocutores. Algo disso resvalou na sua ficção, especialmente depois da curta e desastrosa temporada em Nova York ao lado da esposa, Sonia Greene, com quem se casou em 1924.

Após algumas semanas de tranquilidade e empolgação com a nova vida no Brooklyn, Lovecraft passou a ter dificuldades financeiras. Recebia muito pouco pelas histórias que publicava em revistas “pulp”, disputava e perdia empregos para imigrantes e foi incapaz de se sustentar financeiramente após Greene buscar trabalho em outra cidade. Em 1926, ele retornou a Providence. Pouco tempo depois, ele e Greene, que já viviam distantes, se separaram.

“Em relação às culturas de outros países que chegavam aos EUA, Lovecraft não só se sentia invadido, mas também tinha medo daquilo que não conhecia —algo que é um dos elementos-chave em sua obra, o medo do desconhecido”, afirma Nathalia Scotuzzi.

A esse medo, somaram-se o ódio e a neurose, conforme analisa o francês Michel Houellebecq no ensaio “H.P. Lovecraft: contra o Mundo, contra a Vida”, originalmente lançado na França em 1991 e recentemente publicado no Brasil pela Nova Fronteira.

Para o controverso romancista de “O Mapa e o Território” e “Submissão”, o caldo cultural que caracterizou a América no começo do século 20 amplificou os sentimentos ruins de Lovecraft, que os canalizou em uma escrita raivosa e profundamente inventiva.

Escreve Houellebecq: “Toda grande paixão, seja ela amor ou ódio, acaba por produzir uma obra autêntica. Podemos deplorá-lo, mas é preciso reconhecê-lo: Lovecraft está mais do lado do ódio”. Do período pós-Nova York até sua morte, segundo o francês, o escritor produziu seus grandes textos, justamente os mais influentes até hoje.

H.P. Lovecraft: contra o mundo, contra a vida - via Tati Feltrin

Houellebecq lança afirmações provocativas, como ao refletir que a “visão alucinada” de Lovecraft em relação ao indivíduo diferente dele “está diretamente na origem das descrições de entidades pesadelares que povoam o ciclo de Cthulhu”, o que culminava em um “estado de transe poético em que ele supera a si mesmo no batimento rítmico e louco das frases malditas”.

O reacionarismo de Lovecraft, nesse sentido, virava impulso ao turbilhão imaginativo que ele desenvolveu em um período de dez anos. Guilherme Braga acredita que “enfrentar sentimentos destrutivos no plano da criação é o que fazem quase todos os artistas com os quais vale a pena se envolver”.

Na opinião de Scotuzzi, a constatação do racismo de Lovecraft não deve suplantar outras questões de sua produção literária, que se baseava principalmente na impotência. “Ele nunca se deu ao trabalho de desenvolver profundamente personagens, sejam eles protagonistas ou antagonistas. No desfecho de suas obras, etnias, classes sociais, preconceitos ou qualquer outro elemento ligado especificamente ao humano não têm importância alguma, já que Lovecraft coloca toda a humanidade no mesmo barco ao apresentar ameaças alienígenas que acabariam, se quisessem, com sua soberania em poucos instantes.”

Lovecraft transfigurou seus horrores pessoais em horrores de ficção. Não viveu para ver no que isso iria dar. Pessimista e autocomplacente como era, ficaria surpreso ao descobrir que seus escritos delirantes interessariam a mais gente além dele mesmo e de amigos próximos.

Conforme Houellebecq, “esse homem que não conseguiu viver conseguiu, finalmente, escrever”, para enfim se tornar “um iniciador essencial a um universo diferente, situado muito além dos limites da experiência humana e, contudo, de um impacto emocional terrivelmente preciso”.

quinta-feira, 20 de agosto de 2020

Apoie: Projetos fantásticos no CATARSE!




Para os fãs de terror e fantasia, segue abaixo projetos que podem ser interessantes.




Exatamente hoje (20 de agosto de 2020, data de início dessa campanha), o escritor estadunidense Howard Phillips Lovecraft completaria 130 anos. Com o intuito de celebrar essa data, o escritor Maurício Coelho, em parceria com a Pará.grafo Editora, organizou uma coletânea de contos de horror cósmico inspirada no universo literário lovecraftiano.

Uma edição comemorativa e especial, com 22 contos criteriosamente selecionados, de escritores de diversas partes do Brasil. A obra recebe o prefácio de Nathalia Sorgon Scotuzzi, editora e pesquisadora de Literatura de Horror, e maravilhosas ilustrações do paraense Otoniel Oliveira. A capa foi ilustrada pelo artista Rodolfo Tavares e o projeto gráfico é de autoria do escritor e designer Dênis Girotto de Brito.

Para saber mais, clique aqui.



Contos reunidos do mestre do horror cósmico chamou a atenção dos aficionados por horror por ter um escopo editorial bem definido: apresentar em um único volume todos os contos (narrativas curtas) de H.P. Lovecraft na tradução criteriosa e fluente de Francisco Innocêncio, acompanhados de um extenso paratexto. Os artigos, escritos pelos principais pesquisadores brasileiros da obra de Lovecraft, a introdução e a supervisão editorial de S.T. Joshi (o maior especialista na obra e vida do autor), seu bestiário e sua filmografia alçaram-no a uma posição de destaque, e sua edição revista e ampliada (aguardadíssima após a primeira edição ter se esgotado) só reforça essa posição.

Mitologia lovecraftiana, a reedição revista, ampliada e ilustrada do livro A totalidade pelo horror, disponibiliza novamente o principal estudo nacional sobre o papel do mito na obra de H.P. Lovecraft. Esgotada há meses, a obra é a grande referência a todos os estudiosos e aficionados interessados nos chamados mitos de Cthulhu. Escrito em uma linguagem tão acessível quanto profunda, o livro é uma chave interpretativa que ressignifica e fornece bases para uma melhor compreensão de todo o universo lovecraftiano.

O Apêndice (agora ampliado) contém: 11 artigos e ensaios temáticos sobre diversos aspectos da obra e da vida de Lovecraft (são quatro a mais em relação à primeira edição, assinados por Caio Bezarias, Oscar Nestarez, Alexander Meireles da Silva e Alcebiades Diniz Miguel). A introdução é assinada por S.T. Joshi, o maior especialista na vida e na obra do autor;  Uma seleção de cartas inéditas em português com apresentação de S.T. Joshi, traduzidas por Francisco Innocêncio; bibliografia crítica do pesquisador e especialista em literaturatura fantástica Marcello Branco, que elenca (e reflete sobre) a bibliografia lovecraftiana no Brasil. A Bibliografia foi revista e atualizada para contemplar o mapeamento de novos títulos surgidos desde o lançamento da primeira edição; Cronologia da ficção lovecraftiana: Lista cronológica da ficção do autor preparada por S.T. Joshi (112 itens); Iconografia: 9 fotos de Lovecraft + o esboço de Cthulhu feito pelo autor; Filmografia lovecraftiana: são 29 filmes listados e comentados (na edição anterior, eram 12) pelos pesquisadores Edgar Indalecio Smaniotto e Marcelo Miranda. Cada verbete contém ficha técnica, referências de adaptação na literatura de Lovecraft e sinopse crítica. Os textos da primeira edição foram revistos e atualizados; as novas inserções incluem títulos de várias épocas e países, além de produções lançadas nos últimos anos, entre adaptações e filmes influenciados pela mitologia do autor. A mais completa e atualizada filmografia em português sobre Lovecraft no cinema; e o bestiário: conteúdo reformulado para esta segunda edição, com textos inéditos do pesquisador Marcelo Miranda em 15 verbetes com as descrições e as referências de entidades da mitologia lovecraftiana. O conteúdo está separado em três categorias: Raças, Deidades e Outras criaturas. Inclui ainda sugestões de leitura, indicações de filmes (para o leitor conhecer as diversas formas como as criaturas foram representadas no cinema) e ilustrações exclusivas do artista Tulio Caetano.

Para saber mais, só clicar aqui.



Tem de 18 dias restantes.

Edgar Allan Poe, H. P. Lovecraft, Nathaniel Hawthorne, Stephen King... esses e muitos outros escritores de terror dos Estados Unidos fazem parte de uma tradição que começou ainda no século XVIII, a literatura gótica norte-americana.

Transferindo o horror do castelo mal-assombrado europeu para a mansão, utilizado as paisagens inóspitas e inexploradas do continente e tratando de temas culturais específicos, como o caso das bruxas de Salem, o gótico nasceu nos Estados Unidos com sua cara própria.

Essa tradição foi oficialmente iniciada por um escritor chamado Charles Brockden Brown, reconhecido por ter escrito o primeiro romance gótico do país, chamado Wieland, ou a transformação. Agora, pela primeira vez, esse romance chega ao Brasil pelas mãos da Editora Diário Macabro! Para saber mais, é só clicar aqui.


Faltando apenas 16 dias para o fim da campanha, pela primeira vez vez em português, um livro totalmente composto pela obra de Clark Ashton Smith, um dos maiores escritores de horror e fantasia de todos os tempos!

Clark Ashton Smith (1893-1961) foi poeta, escultor, pintor e autor americano de contos de fantasia, horror e ficção científica. Devido a problemas de fobia, ele teve uma vida pobre e reclusa, casando-se muito tarde. Morou quase toda sua vida na cidade de Auburn (Califórnia) com seus pais, que o incentivaram em uma vida de estudos autodidata. Smith foi um grande criador de mundos imaginários e criaturas incríveis, tendo concebido através da escultura seus monstros antes mesmo de transportá-los para o papel.

Para saber mais, só clicar aqui.

quinta-feira, 11 de junho de 2020

Contos Clássicos de Fantasma: financiamento coletivo tem início amanhã


As editoras Ex Machina e Sebo Clepsidra apresentam sua primeira coedição: a mais completa antologia de contos de fantasma já produzida em língua portuguesa, cobrindo um amplo espectro do cânone ocidental, assim como uma seleção de oito obras nacionais (que por si só já renderiam um volume). São 26 narrativas ao todo, muitas das quais inéditas em português. Além da alentada introdução do professor e especialista em Literatura Fantástica Alexander Meireles da Silva, todos os contos são acompanhados de um breve texto sinóptico de abertura elaborado para contextualizar o autor e a obra em questão.

A antologia conta com a organização de Alexander Meireles da Silva (que também assina a extensa introdução, com 25 páginas que cobrem toda a história do gênero), e a edição de Bruno Costa, o idealizador e editor da mais completa reunião dos contos de H.P. Lovecraft já realizada em língua portuguesa, o projeto de Literatura/ficção que conquistou a maior arrecadação do Catarse em 2016. A tradução é de Marta Chiarelli, veterana profissional com farta experiência na literatura fantástica. Trata-se, portanto, da mesma equipe responsável pela antologia Contos clássicos de vampiro (2012), seu projeto mais bem-sucedido, cuja edição foi selecionada pelo PNBE e adotada como parte do currículo de centenas de escolas em todo o país. A essa equipe junta-se o editor Cid Vale Ferreira, que traz sua experiência de 16 anos de trabalho no mercado editorial e a expertise de sua especialização em edição de obras góticas e de horror à frente da editora do Sebo Clepsidra.

Livro + Marcador de página + Cartão postal.
O resultado do sorteio será anunciado nas novidades do projeto no dia 25/08.
O livro terá 360 páginas em papel Pólen light (levemente amarelado para tornar a leitura mais confortável), seu tamanho será de 16 cm de largura por 23 cm de altura e a encadernação será em capa dura para garantir sua durabilidade.

Todos os apoiadores que optarem por uma das recompensas exclusivas da primeira semana de campanha (apenas até dia 19 de junho!) concorrerão a um exemplar do livro Contos reunidos do mestre do horror cósmico, de H. P. Lovecraft (Editora Ex Machina).

A ecobag exclusiva do projeto, confeccionada em lona reforçada, virá na cor preta com estampa branca, com cartão postal exclusivo para o projeto e muito mais.

Para saber mais, é só clicar aqui.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Notícias: Lovecraft, Tolkien, Gustavo Ávila e a III Feira Intergaláctica

NOVA TIRAGEM


Desde que a editora Ex-Machina anunciou que faria a seleção de contos do autor Lovecraft Contos reunidos do mestre do horror cósmico, muitos foram comprados e foi feito uma nova tiragem estará à venda em apenas duas livrarias de São Paulo; na Loplop: Livraria de Arte e na Flanarte Livros e no site da Editora Ex Machina (disponível apenas em meados de junho).

Para os descrentes, o CEO da editora é Bruno Costa, conhecido como o idealizador e editor da Coleção Lovecraft da Hedra, um cartão de visitas respeitável. A Coleção da Hedra aborda vários contos e obras não fixionais como o volume A cor que caiu do espaço, que também é composto por Notas sobre uma não entidade, o mais longo relato autobiográfico escrito por Lovecraft, A confissão de um cético, breve ensaio em que o autor traça a evolução dos próprios interesses religiosos, científicos e filosóficos ao longo da vida, e Notas sobre ficção interplanetária.

Brinde da Editora: Pôster surpresa A2 com efeito fosforescente
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100 ANOS DEPOIS DE ESCRITO, NOVO LIVRO DE TOLKIEN CHEGA AOS FÃS


Escrita por Tolkien logo após seu retorno da Primeira Guerra Mundial, The Tale of Beren and Lúthien é uma declaração de amor do escritor à sua esposa, Edith. Depois da morte do casal, os nomes de Beren e Lúthien foram grafados nas lápides dos Tolkiens.

Editado por Christopher Tolkien, filho do autor, a história traz o romance entre Beren, um humano, e a elfa Lúthien. A história dos dois é mencionada por Aragorn em A Sociedade do Anel, que revisita a relação do casal por sonhar com sua amada Arwen.

Tolkien escreveu várias versões dessa história durante sua vida, e o livro da Harper-Collins reúne várias delas, incluindo algumas que nunca foram publicadas anteriormente. A ideia do volume é mostrar como a trama de amor evoluiu durante a carreira de Tolkien.

O Conto de Beren e Luthien por Jian Guo
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LANÇAMENTO: O SORRISO DA HIENA


Um dos publieditoriais mais bem sucedidos dos últimos tempos, O Sorriso da Hiena  de Gustavo Ávila anunciou o lançamento pela Verus e no dia 17 desse mês ele lança a nova versão do livro em São Paulo. Entre a edição original e a nova, a arte da capa foi mantida, mas foi feita algumas alterações. Repensaram a diagramação do título - junto com o diretor de arte responsável pela capa original, Rivadávia Coura. A cor da criança na cadeira e sua sombra que se projeta no chão antes vermelha, como se fosse um "vazado" na imagem da hiena se tornou preta. Isso foi feito para destacar o título, o tornando muito mais legível, principalmente a certa distância.

Sobre os direitos da obra vendidos para a Rede Globo, o autor comenta em uma entrevista que não sabe qual é a ideia dos idealizadores da obra cinematográfica por ser um tipo de projeto demorado, com muitas etapas - "E na verdade, agora nem penso muito nisso. Já não está em minhas mãos, então meu foco agora é escrever as outras histórias e deixar essa questão rolando".



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III FEIRA INTERGALÁCTICA

Sim, é isso mesmo! A Editora Aleph ira realizar no dia 10 desse mês a sua Terceira Feira Intergaláctica, com todos os livros com desconto entre ​30% a 70% ao longo do tempo eles vão lançar a programação em suas redes sociais

Até agora confirmados temos os bate-papos: Julgando o livro pela capa às 14h com Pedro Inoue, designer responsável pelas capas e projetos gráficos dos livros Laranja Mecânica 50, 2001, Forrest Gump, Neuromancer 30, entre outros, falando sobre a importância de se pensar a arte para uma capa de livro, como equilibrar algo visualmente atrativo e que converse com o fã e ao mesmo tempo funcione comercialmente e As fronteiras da ficção científica do leste europeu às 15h30 com André Cáceres, escritor e colaborador do O Estado de S. Paulo e Cláudia Fusco, pesquisadora e mestre em estudos de ficção científica pela Universidade de Liverpool, falarão sobre as características da produção de ficção científica no leste europeu, sua importância e como podem se diferenciar da literatura norte-americana – sem esquecer de abordar os clássicos que acabamos de lançar, Nós e Solaris. Mediação Fernando Barone, editor da Conrad Editora.

Todos os lançamentos estaram também com desconto: Duna, Nós, Solaris, Um Estranho Numa Terra Estranha, Os Despossuídos e Leviatã Desperta.