Mostrando postagens com marcador Editora Aleph. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Editora Aleph. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

Conheça (quase) tudo o que Metrópolis inspirou na cultura pop - Via Editora Aleph



É inegável a importância do filme Metrópolis (1927) para a história do cinema e da cultura moderna. No entanto, curiosamente, o que ficou pouco (ou quase nada) conhecido foi o livro homônimo, escrito pela autora alemã Thea von Harbou em 1925, que serviu como base para a obra cinematográfica de Fritz Lang.

Também roteirista do filme, Harbou foi responsável por criar um universo futurista que ainda encontrava pouco espaço na literatura e ousou ao usar a expressão “robô”, só empregada antes na peça teatral R.U.R, do tcheco Karel Čapek, em 1920. Sem a escritora, Metrópolis (tanto o livro quanto o filme) não existiria e a história da ficção científica no cinema e na literatura poderia ser completamente diferente.

Fritz Lang e Thea von Harbou, 1923. Foto: Waldemar Titzenthaler.
Porém, com a mesma justiça, o marido de Thea (o próprio Fritz Lang) conseguiu não apenas extrair das palavras de sua esposa o mundo que se tornou um marco na história do cinema, como também influenciou diversos segmentos culturais por sua estética e simbolismo. Fizemos uma lista com algumas produções que se inspiraram em Metrópolis.


Em uma galáxia muito, muito distante…


Mesmo que separados por exatos 50 anos, não há como ser indiferente à influência de Metrópolis sobre o universo de Star Wars, iniciado por George Lucas em 1977 com o Episódio IV – Uma nova esperança. Principalmente na criação do androide C-3PO. Não apenas sua versão final se assemelha com a criação robótica do Dr. Rotwang, como a arte conceitual do designer Ralph McQuarrie foi influenciada pela icônica bad Maria. Uma referência que explode a cabeça de qualquer fã.

Bastidores de Star Wars IV - Uma nova esperança (1977), com os atores Anthony Daniels, intérprete de C-3PO, e Mark Hamill, intérprete de Luke Skywalker. (Lucasfilm)


Personas gratas


Já nos personagens feitos de carne e osso, dois exemplos chamam a atenção: Dr. Rotwang (interpretado por Rudolf Klein-Rogge) e Freder (Gustav Fröhlich). Enquanto o primeiro ganhou ares bem mais cômicos ao inspirar o visual e trejeitos do Dr. Emmett Brown (Christopher Lloyd) na trilogia De volta para o futuro (1985-1990), o segundo ficou ainda mais maluco graças a Jack Nicholson, que se inspirou no personagem para criar sua versão do Coringa em Batman (1989).


Pôster do filme "De volta para o futuro" (1985).


Cidades forjadas nas trevas


Claustrofóbica e imponente, é assim que enxergamos a cidade de Metrópolis em outros centros urbanos da ficção. O mais famoso é a cidade de Gotham, lar do Homem-Morcego, que ganhou a atenção dos leitores de quadrinhos com os seus traços góticos, construções opressoras e clima de permanente mistério. Metrópolis influenciou bastante a interpretação de Gotham do diretor Tim Burton no já citado Batman (1989), e na sequência Batman: o retorno (1992).

Aliás, você se lembra do nome da cidade na qual o Supeman/Clark Kent vive em suas aventuras nas HQs? Spoiler: não é coincidência.


Bastidores de Batman (1989) com os atores Michael Keaton, intérprete de Bruce Wayne/Batman, e Jack Nicholson, intérprete de Jack Napier/O Coringa, e o diretor Tim Burton.

Metrópolis é pop


A estética do filme também ganhou forma na música graças a dois ícones do pop: Lady Gaga e Madonna. No primeiro caso, a estrela de “Telephone”, feat Beyoncé, nunca escondeu seu amor pela obra, incorporando referências dela nos clipes de “Applause”, “Born This Way” e “Alejandro”. Por outro lado, a rainha do pop homenageou Metrópolis no clipe de “Express Yourself”, com seus operários, fábricas hostis e magnatas cheios de dinheiro.


Madonna  — Express Yourself

E é rock também...


Já em terras inglesas, quem não deixou escapar a chance de explorar o universo de Metrópolis foi a banda Queen. Mas em vez de apenas se inspirar na obra, como muitos artistas fizeram, o grupo de Freddie Mercury, Brian May, Roger Taylor e John Deacon inseriu trechos do filme no antológico clipe de “Radio Ga Ga”. E não satisfeitos, os membros da banda entraram na história, quase que literalmente, para saírem voando entre os arranha-céus da cidade expressionista.

Queen — Radio Ga Ga


Sonhadores de ovelhas


Uma das relações mais curiosas do cinema é entre o filme de Fritz Lang e a obra de Ridley Scott Blade Runner – O caçador de androides (1982). Sim! O longa adaptado do livro Androides sonham com ovelhas elétricas?, de Philip K. Dick, aproveita os assuntos em comum com a produção alemã (como a relação homem × máquina e o conceito de high tech, low life) para criar planos e sequências inspirados nela. E talvez a mais icônica seja o close em um dos olhos (hipnotizados) de Deckard (Harrison Ford), logo no início do filme, que remete diretamente a uma cena idêntica em Metrópolis.

Confira o vídeo com comparativos entre os filmes:




Expressionismo alemão na passarela


Embora de forma muito discreta, Metrópolis também pôde ser visto como fonte de inspiração (acredite!) para a moda. Em 2012, grandes marcas como Givenchy e Versace se renderam à estética gótica industrial do filme para criarem suas coleções de primavera/verão. E o mesmo foi visto com as coleções de Tom Ford, na semana de moda de Londres (influenciada pela estética robótica), e Max Mara, durante a semana de moda de Milão (inspirada nos trabalhadores das fábricas do livro/filme).


Desfile da coleção verão 2012 RTW da Versace, em Milão.


Até tu, Brasil?


Para encerrar e mostrar que o Brasil está em todas, vale também um destaque para a banda Sepultura, que usou uma das frases mais simbólicas do filme para batizar o seu 13º disco, The Mediator Between Head and Hands Must Be the Heart (o mediador entre o cérebro e as mãos deve ser o coração), lançado em 2013.

Na época, o guitarrista Andreas Kisser comentou sobre o trabalho: [A obra] ajudou a gente a juntar as ideias para que as letras expressassem o que nós enxergamos hoje. Eu moro em São Paulo, uma das grandes metrópoles do mundo, com mais de 20 milhões de pessoas vivendo e trabalhando nela. Eu sei como é viver em um caos diário, nossa música reflete muito desse sentimento.




***

Se aventure pelas ruas de Metrópolis e seja testemunha de um marco absoluto da ficção científica


Na cidade futurística de Metrópolis, a população divide-se em dois andares. No primeiro, uma elite dominante desfruta dos prazeres da vida; no segundo, subterrâneo, os trabalhadores lutam para sobreviver. Quando Freder, o filho do Senhor da grande Metrópolis e habitante do primeiro andar, se apaixona por Maria, da cidade subterrânea, começa a conhecer melhor as condições às quais os trabalhadores são submetidos. Uma revolta começa a surgir entre os operários, e só o que faltava para uma revolução era uma líder. Quando ela surge, nada pode conter a fúria dos oprimidos.

Esta edição, traduzida diretamente do alemão, conta com um posfácio de Marina Person, uma análise de Franz Rottensteiner, um texto de Anthony Burgess e uma reprodução do programa do filme para a ocasião de seu lançamento.

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Especial Círculo das Ideias: Sonhos Elétricos de Philip K. Dick #3: "Humano é"

Os olhos azuis de Jill Herrick se encheram de lágrimas. Ela olhou para seu marido com um horror inexprimível. - Philip K. Dick
Publicado na revista pulp Startling Stories em 1955, Humano é entra em um tema que permeia a obra do autor de certa maneira. Explorando diretamente a cerne o que é ser humano? PKD nos entrega uma história que visa a empatia acima de tudo. Ele quer mostrar que, não importa a sua natureza física (alienígena, humana ou robô) se você é uma pessoa gentil, empática, carinhosa, você é mais humano do que alguém que é cruel e indiferente.

O que nos difere de paus e pedras é a capacidade de sabermos nos colocar no lugar do outro. Nos importar com os nossos. E o problema não é biológico, é sobretudo moral. Consumidores de romances antigos, os Rexorianos falam de modo arcaico e se comportam de maneira bem diferente dos humanos e aprendem nosso comportamento a partir do convívio.


Bryan Cranston em Homem É, um dos episódios da série

A história novamente é atualizada pelas roteirista Jessica Mecklenburg. A diferença da série para o conto já começa pelos nomes. No livro, o personagem Lester é um cientista toxicologista insensível, egoísta e racional. No seriado, Silas (Bryan Cranston) é um coronel inflexível e áspero, doutrinado na disciplina militar. Sobre os dois, paira uma suspeita: serem possuídos por um alien, um rexoriano clandestino, e sua resposta está em suas respectivas mulheres, Jill e Vera (na série, Essie Davis).

Partindo de conceitos universais, a roteirista e o autor não só mostram que o mistério dos enredos não é saber se Lester ou Silas ainda são os mesmos, mas sim, entender o que eram antes. Ambas narrativas falam sobre a solidão e o vazio. A busca pela felicidade e os sacrifícios que estamos dispostos a fazer. É sobre a exploração do lado afetivo do ser humano, sobre relacionamentos abusivos e a o desejo de fugir para uma realidade melhor.

SOBRE O AUTOR
Considerado por Ursula K. Le Guin como Jorge Luis Borges norte-americano, Philip Kindred Dick nasceu na cidade de Chicago em 1928. De 1955, ano de seu primeiro livro, até 1982, Dick publicou 44 romances e 121 contos, uma média de um romance a cada sete meses e um conto a cada 81 dias, sem parar, por 27 anos. Entre eles Valis, Ubik, Os Três Estigmas de Palmer Eldritch e os premiados O Homem do Castelo Alto (que dedicou para sua mulher Anne, que o desprezava dizendo que era um miserável e empalideceu ao descobrir os termos da dedicatória: Para Anne, minha mulher, de quem sem o silêncio eu não teria escrito esse livro) e Fluam, Minhas Lágrimas, Disse o Policial. O ritmo visivelmente frenético foi mantido à base de muita anfetamina – apesar dos boatos que sempre circularam à sua volta, Dick passou mais ou menos batido pelo LSD, a droga da moda na sua época, tendo apenas uma bad trip em toda sua vida (um boato divertido é que a revelação religiosa - ele foi durante a maior parte de sua vida adulta um católico convertido - que lhe ocorreu mais tarde seria um flashback dessa única viagem). Com dificuldades em ficar sozinho, teve cinco casamentos, um período de alguns meses em que sua casa se transformou num ponto de uso e tráfico de drogas, uma temporada voluntária numa clínica de reabilitação e até um par de semanas no apartamento de um casal de desconhecidos no Canadá. Morreu em 1982, aos 53 anos, em Santa Ana decorrência de um acidente vascular cerebral. Outros livros de sua autoria ainda seriam publicados postumamente, como Realidades Adaptadas, e é provável que ainda existam alguns por publicar (tipo, Sonhos Elétricos). 

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Especial Círculo das Ideias: Sonhos Elétricos de Philip K. Dick #2: "Autofab"

Uma tensão pairava sobre aqueles três homens que esperavam. Eles fumavam, andavam para a frente e para trás, chutavam a esmo os matos que cresciam ao lado da estrada. O sol quente do meio-dia luzia nos campos marrons, e havia fileiras arrumadas de casas de plástico, além de uma linha distante de montanhas a oeste. - Philip K. Dick
Publicado na revista Galaxy em novembro 1955, Autofab mostra homens dispostos a lutar para retomar suas vidas após o fim do apocalipse. Com o objetivo de convencer o sistema de fábricas automatizadas que eles não querem mais os bens que são fornecidos, Perine, Morrison e O'Neill começam uma revolta contra o sistema da Autofab, mas começam a notar que não se pode parar o sistema, apenas atrasa-lo.

Vale lembrar que o sistema foi criado antes de uma guerra para ser  totalmente automatizado, mas se não puder ser parado, ele continuará a consumir todos os recursos do planeta. Os homens sofrem nas mãos de sua criação. Uma versão sistematizada de um Prometeu Moderno, que, invés de centralizado em um ser único, Philip K. Dick distribui entre uma malha fechada.

Arquivo da Galaxy Magazine (Novembro de 1955)

Em relação ao episódio "Real Life", "Autofac" não foi mudado, foi atualizado. Do mesmo jeito que o conto, a narrativa tem ação rápida que gira em torno de algumas (e boas!) reviravoltas. As alterações do escritor Travis Beacham na história de Dick adicionam novas camadas. E seus temas originais ainda são depreciativamente relevantes para o nosso tempo. Travis usa de alguns clichês do sci-fi cinematográfico e trás referencias a Blade Runner.

Vale um adendo: no conto, PKD usa a palavra "pizzled", para confundir um robô que continua distribuindo leite indesejado. Como não há nada errado com o leite, o robô não vai parar de entregá-lo, mesmo que os humanos não o queiram. Uma palavra sem sentido que, desde então, entrou no vocabulário da tecnologia moderna para descrever um produto que é insatisfatório de uma maneira inespecífica.


Janelle Monáe na série 'Electric Dreams' (Amazon/Divulgação)

SOBRE O AUTOR
Considerado por Ursula K. Le Guin como Jorge Luis Borges norte-americano, Philip Kindred Dick nasceu na cidade de Chicago em 1928. De 1955, ano de seu primeiro livro, até 1982, Dick publicou 44 romances e 121 contos, uma média de um romance a cada sete meses e um conto a cada 81 dias, sem parar, por 27 anos. Entre eles Valis, Ubik, Os Três Estigmas de Palmer Eldritch e os premiados O Homem do Castelo Alto (que dedicou para sua mulher Anne, que o desprezava dizendo que era um miserável e empalideceu ao descobrir os termos da dedicatória: Para Anne, minha mulher, de quem sem o silêncio eu não teria escrito esse livro) e Fluam, Minhas Lágrimas, Disse o Policial. O ritmo visivelmente frenético foi mantido à base de muita anfetamina – apesar dos boatos que sempre circularam à sua volta, Dick passou mais ou menos batido pelo LSD, a droga da moda na sua época, tendo apenas uma bad trip em toda sua vida (um boato divertido é que a revelação religiosa - ele foi durante a maior parte de sua vida adulta um católico convertido - que lhe ocorreu mais tarde seria um flashback dessa única viagem). Com dificuldades em ficar sozinho, teve cinco casamentos, um período de alguns meses em que sua casa se transformou num ponto de uso e tráfico de drogas, uma temporada voluntária numa clínica de reabilitação e até um par de semanas no apartamento de um casal de desconhecidos no Canadá. Morreu em 1982, aos 53 anos, em Santa Ana decorrência de um acidente vascular cerebral. Outros livros de sua autoria ainda seriam publicados postumamente, como Realidades Adaptadas, e é provável que ainda existam alguns por publicar (tipo, Sonhos Elétricos). 

segunda-feira, 26 de março de 2018

Especial Círculo das Ideias: Sonhos Elétricos de Philip K. Dick #1: "Peça de Exposição"

— Que terno estranho você está usando - observou o robô-motorista do transporte público. Ele deslizou a porta para trás e fez sua parada no meio-fio. - O que são essas coisinhas redondas? - Philip K. Dick
Publicado originalmente em 1954, o conto "Exhibit Piece" mostra  George Miller, um historiador de um mundo futurista, especialista na história do Século XX. Ele mergulha tão fundo em sua pesquisa sobre o jeito e os costumes do passado que passa a viver nele... literalmente. O personagem, após ouvir um barulho no meio da exposição e segui-lo, começa a duvidar da realidade.

Na verdade, duvidar não, mas indagar sobre o que exatamente é realidade. A transição entre os mundos, o jeito que se comporta e até mesmo sua pronuncia, nos deixam uma ambiguidade estranha: o homem pode ter viajado através do tempo através de um portal ou simplesmente enlouqueceu. A confiança é tamanha, a ponto de zombar dos seus superiores, que anunciam que a exposição que Miller era curador vai ser desfeita. Confiante de que não podem viajar pelo "portal do tempo" para pegá-lo e que a destruição da exposição simplesmente vai fechar a passagem, ele retorna para o passado apenas para ler no jornal que a Rússia criou uma bomba que resultar na destruição do mundo.

Na construção para a série de TV Electric Dreams o enredo foi mudado consideravelmente. O episódio "Real Life" apresenta uma linha narrativa principal que vai se dissolvendo ao longo do tempo  (linhas cronológicas para ser maio exato) em meio à confusão dos personagens. Após um trauma, a policial Sarah (Anna Paquin) ganha da esposa (Rachelle Lefevre) um dispositivo de realidade virtual para tirar férias de sua vida durante algumas horas por noite. Do outro lado, ela é George (Terrence Howard), um empresário que lida com o luto da perda da mulher (também vivida por Rachelle).

Ao longo do episódio Sarah e George entram em simulações, onde vivem vidas diferentes. Para se curarem de seus traumas, eles apelam a uma viagem ao subconsciente. É uma punição pelos próprios pecados. Nenhum deles realmente acha que merece a felicidade, por isso cria maneiras de se punir: sabotando relacionamentos saudáveis ​​ou buscar repetidamente relacionamentos não saudáveis. Misture isso com ficção científica e teremos belos momentos de reflexão e entretenimento.

Anna Paquin no episódio 'Real Life', da série 'Electric Dreams' (//Divulgação)

SOBRE O AUTOR
Considerado por Ursula K. Le Guin como Jorge Luis Borges norte-americano, Philip Kindred Dick nasceu na cidade de Chicago em 1928. De 1955, ano de seu primeiro livro, até 1982, Dick publicou 44 romances e 121 contos, uma média de um romance a cada sete meses e um conto a cada 81 dias, sem parar, por 27 anos. Entre eles Valis, Ubik, Os Três Estigmas de Palmer Eldritch e os premiados O Homem do Castelo Alto (que dedicou para sua mulher Anne, que o desprezava dizendo que era um miserável e empalideceu ao descobrir os termos da dedicatória: Para Anne, minha mulher, de quem sem o silêncio eu não teria escrito esse livro) e Fluam, Minhas Lágrimas, Disse o Policial. O ritmo visivelmente frenético foi mantido à base de muita anfetamina – apesar dos boatos que sempre circularam à sua volta, Dick passou mais ou menos batido pelo LSD, a droga da moda na sua época, tendo apenas uma bad trip em toda sua vida (um boato divertido é que a revelação religiosa - ele foi durante a maior parte de sua vida adulta um católico convertido - que lhe ocorreu mais tarde seria um flashback dessa única viagem). Com dificuldades em ficar sozinho, teve cinco casamentos, um período de alguns meses em que sua casa se transformou num ponto de uso e tráfico de drogas, uma temporada voluntária numa clínica de reabilitação e até um par de semanas no apartamento de um casal de desconhecidos no Canadá. Morreu em 1982, aos 53 anos, em Santa Ana decorrência de um acidente vascular cerebral. Outros livros de sua autoria ainda seriam publicados postumamente, como Realidades Adaptadas, e é provável que ainda existam alguns por publicar (tipo, Sonhos Elétricos). 

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Sonhos Elétricos de Philip K. Dick, nova antologia de ficção científica da Editora Aleph


É inevitável dizer que uma das conclusões mais óbvias que temos é que, enquanto houver Hollywood e o interesse em desenvolver histórias de ficção científica, lá vai estar alguma obra adaptada dos livros de Philip K. Dick. Embora não tenha tido o justo reconhecimento em vida, várias de suas obras tornaram-se conhecidas ao serem roteirizadas e transformadas em grandes sucessos do cinema: O Vingador do Futuro: Total Recall, Screamers: Assassinos Cibernéticos, Minority Report - A Nova Lei, Impostor e O Pagamento são apenas algumas das obras dele levadas ao cinema — e claro, o clássico Blade Runner que ganhou uma ótima continuação em 2017.

Traduzindo, grande parte das adaptações foram fidedignas em adaptar às fantásticas paranoias do autor. É o caso, por exemplo (mais um), da série de televisão britânica de ficção científica Electric Dreams baseada nas histórias de PKD, agora disponível na Amazon Prime Video. Depois de duas temporadas de O Homem do Castelo Alto — adaptação do romance que venceu o prêmio Hugo de ficção científica — a plataforma de streaming deu espaço a essa antologia futurista baseada na coletânea de contos Electric Dreams (que será lançado na primeira quinzena de março pela editora Aleph).

Bryan Cranston em O Homem É, um dos episódios da série

A série tem um formato bastante parecido com Black Mirror da Netflix: dez episódios, dez narrativas formadas por histórias e equipes totalmente diferentes entre si, além dos temas centrados em torno do futuro e suas tecnologias. Um detalhe, apenas um, os separa totalmente. Mais do que uma distopia, Electric Dreams nos apresenta uma viagem filosófica sobre a natureza humana.

Eu sou um ser humano? Ou será que sou apenas programado para acreditar que sou humano? O que é a realidade? O que constitui um ser humano? Essa série e esse livro novo da Aleph trazem esses questionamentos que permeiam a obra do autor mas também ela no áudio visual.


sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Notícias: Eventos Literários, Rodrigo Kmiecik e Oscar Nestárez


Dois eventos esse sábado (11) podem atrair o mundo geek de modo geral: a Feira Intergaláctica Aleph que já está em sua quarta edição e 5ª edição do Clube LeYa de Ficção Fantástica. A sequência que cada um vem sendo executado pode-se dizer que são eventos que podem se continuarem no mesmo ritmo vão se tornar tradicionais - uma coisa que não pode faltar no calendário de cada um.

A feira é organizada pela Editora Aleph. Nesse dia o público tem mais contato com os profissionais que trazem os livros e fazem eles serem publicados. Os bate-papos ficam com Fabiola Forchin e Gabi Colicigno ao 12h00 (As personagens femininas no universo STAR WARS), Nathan Fernandes e Kim Dória às 14h00 (Utopias e distopias: ficção científica e pensamento crítico), e encerrando temos Cláudia Fusco às 16h00 (Isso é Muito Black Mirror: Uma Introdução à Ficção Científica). O evento vai das 11h00 às 19h00 na Nave-Mãe - Rua Henrique Monteiro, 121, Pinheiros (próximo ao metrô Faria Lima, Linha Amarela).

A LeYa Brasil e a Saraiva, em parceria com o site Acervo do Leitor e o grupo Reino dos Livros, estão de volta para mais uma edição do Clube LeYa de Ficção Fantástica, agora com o tema Universos literários: quando um livro vai muito além de um livro. Dos cânones até obras apócrifas: tudo o que você precisa para saber sobre obras de Brandon Sanderson e Robin Hobb. O evento acontecerá na Saraiva do Shopping Center Norte, ao lado da Estação Portuguesa-Tietê às 16h00.


Depois do sucesso do primeiro número da revista Diário Macabro, foi anunciado que vai ser feito o segundo volume através de financiamento coletivo - como feito anteriormente. Ele começa dia 20 desse mês, provavelmente no Catarse com uma entrevista com Rubens Francisco Lucchetti - o maior nome do pulp nacional. A revista tem como objetivo divulgar o trabalho de escritores de horror de todo o Brasil. Um dos selecionados foi Rodrigo Kmiecik, colunista do Golem com sua narrativa A noite dos seres negros e  Daniel I. Dutra tradutor da Editora Clock Tower com seu A filha do Professor Carletti. O conto do Rodrigo terá resenha aqui no site. Acompanhem.

Já outro evento é do lançamento de Bile Negra, do autor Oscar Nestárez. Lançado pela Editora Empíreo, a narrativa conta como uma pandemia se espalha por bairros, cidades e países cabendo a Vex, um jovem tradutor, precisa recrutar todas as suas forças para conter este avanço.

Nascido em São Paulo, Oscar Nestarez é Mestre em Literatura e Crítica Literária pela PUC-SP. Pesquisador da literatura de horror, sobre a qual já publicou diversos artigos e o estudo Poe e Lovecraft: um ensaio sobre o medo na literatura (2013). No campo da ficção, é autor das antologias Sexorcista e outros relatos insólitos (2014), Horror adentro (2016) e Vampiro: Um livro colaborativo (2017). Bile Negra é seu primeiro romance.

O lançamento vai ser na Casa do Saber Fantástico - Casafan, Rua Fradique Coutinho, 1139 - Pinheiros - São Paulo - SP (a cinco quadras da estação de Metrô Fradique Coutinho). No dia 30 de novembro, a partir das 19h00. E quem marcar presença ainda vai poder degustar uma cerveja especial feita pela cervejaria Cerveja Juan Caloto, porque um lançamento desses merece um brinde.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Notícias - Faro Editorial, Editora Clock Tower e Editora Aleph

AUTÓGRAFOS


Em uma parceria com a Livraria Martins Fontes da Avenida Paulista, a Faro Editorial disponibiliza-rá para a compra até o dia sábado (30) alguns dos livros de alguns autores de seu estafe nacional autografados (Augusto Alvarenga, Vinícius Grosso, Victor Bonini, Rodrigo de Oliveira). Durante esse mês de setembro, na loja física da Martins Fontes - Avenida Paulista, n° 509. E no dia 5 de outubro (quinta-feira) será o lançamento na Livraria Cultura (Avenida Paulista, 2073) do livro O Casamento, de Victor Bonini, autor  de O colega de quarto.

CLOCK TOWER E O UNIVERSO PARALELO


Após muita procura de muitos escritores interessados em lançar livros dos mais variados gêneros (horror, romance, fantasia, comédia, acadêmico,etc) pela editora, a Clock Tower lançou um selo especifico para esse tipo de publicação: o selo Universo Paralelo. Então quem tem hoje um projeto de livro de qualquer gênero e tendo um acabamento mesmo simples agora mediante um valor bem módico (esses valores irão ajudar financiar novos livros da Ed. Clock Tower), irá obter da Clock Tower através desse selo editorial a oportunidade de ter seu ISBN, Ficha Catalográfica e Código de Barras, além de todo o suporte e indicação de profissionais do processo editorial.

PRÉ-VENDA: ANDROIDES – 50 ANOS



A Editora Aleph publicou em sua página a pré-venda e imagens da edição de 50 anos da Androides Sonham Com Ovelhas Elétricas?, livro de Philip K. Dick que inspirou o filme Blade Runner. O projeto traz sobrecapa, capa dura, impressão em duas cores (preto e vermelho) e ilustrações de Dave McKean, Peter Kuper, Ricardo Siri Liniers, Elena Gumeniuk, Antonello Silverini, Rebecca Hendin, Danilo Beyruth, Guilherme Petreca, Gustavo Duarte e Bianca Pinheiro. Além de dois textos inéditos: um ensaio exclusivo para esta edição assinado por Rodrigo Fresán; e um ensaio que analisa os cenários pós-apocalípticos criados por Dick. Disponibilidade para reserva do exemplar nos links abaixo.

– Amazon: http://amzn.to/2w2B7Zy
– Saraiva: http://bit.ly/2wAVoVa
– Cultura: http://bit.ly/2y9wv4v
– Cia dos Livros: http://bit.ly/2haQzA5
– Travessa: http://bit.ly/2hau5iJ

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Notícias: Lovecraft, Tolkien, Gustavo Ávila e a III Feira Intergaláctica

NOVA TIRAGEM


Desde que a editora Ex-Machina anunciou que faria a seleção de contos do autor Lovecraft Contos reunidos do mestre do horror cósmico, muitos foram comprados e foi feito uma nova tiragem estará à venda em apenas duas livrarias de São Paulo; na Loplop: Livraria de Arte e na Flanarte Livros e no site da Editora Ex Machina (disponível apenas em meados de junho).

Para os descrentes, o CEO da editora é Bruno Costa, conhecido como o idealizador e editor da Coleção Lovecraft da Hedra, um cartão de visitas respeitável. A Coleção da Hedra aborda vários contos e obras não fixionais como o volume A cor que caiu do espaço, que também é composto por Notas sobre uma não entidade, o mais longo relato autobiográfico escrito por Lovecraft, A confissão de um cético, breve ensaio em que o autor traça a evolução dos próprios interesses religiosos, científicos e filosóficos ao longo da vida, e Notas sobre ficção interplanetária.

Brinde da Editora: Pôster surpresa A2 com efeito fosforescente
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

100 ANOS DEPOIS DE ESCRITO, NOVO LIVRO DE TOLKIEN CHEGA AOS FÃS


Escrita por Tolkien logo após seu retorno da Primeira Guerra Mundial, The Tale of Beren and Lúthien é uma declaração de amor do escritor à sua esposa, Edith. Depois da morte do casal, os nomes de Beren e Lúthien foram grafados nas lápides dos Tolkiens.

Editado por Christopher Tolkien, filho do autor, a história traz o romance entre Beren, um humano, e a elfa Lúthien. A história dos dois é mencionada por Aragorn em A Sociedade do Anel, que revisita a relação do casal por sonhar com sua amada Arwen.

Tolkien escreveu várias versões dessa história durante sua vida, e o livro da Harper-Collins reúne várias delas, incluindo algumas que nunca foram publicadas anteriormente. A ideia do volume é mostrar como a trama de amor evoluiu durante a carreira de Tolkien.

O Conto de Beren e Luthien por Jian Guo
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

LANÇAMENTO: O SORRISO DA HIENA


Um dos publieditoriais mais bem sucedidos dos últimos tempos, O Sorriso da Hiena  de Gustavo Ávila anunciou o lançamento pela Verus e no dia 17 desse mês ele lança a nova versão do livro em São Paulo. Entre a edição original e a nova, a arte da capa foi mantida, mas foi feita algumas alterações. Repensaram a diagramação do título - junto com o diretor de arte responsável pela capa original, Rivadávia Coura. A cor da criança na cadeira e sua sombra que se projeta no chão antes vermelha, como se fosse um "vazado" na imagem da hiena se tornou preta. Isso foi feito para destacar o título, o tornando muito mais legível, principalmente a certa distância.

Sobre os direitos da obra vendidos para a Rede Globo, o autor comenta em uma entrevista que não sabe qual é a ideia dos idealizadores da obra cinematográfica por ser um tipo de projeto demorado, com muitas etapas - "E na verdade, agora nem penso muito nisso. Já não está em minhas mãos, então meu foco agora é escrever as outras histórias e deixar essa questão rolando".



--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

III FEIRA INTERGALÁCTICA

Sim, é isso mesmo! A Editora Aleph ira realizar no dia 10 desse mês a sua Terceira Feira Intergaláctica, com todos os livros com desconto entre ​30% a 70% ao longo do tempo eles vão lançar a programação em suas redes sociais. 

Até agora confirmados temos os bate-papos: Julgando o livro pela capa às 14h com Pedro Inoue, designer responsável pelas capas e projetos gráficos dos livros Laranja Mecânica 50, 2001, Forrest Gump, Neuromancer 30, entre outros, falando sobre a importância de se pensar a arte para uma capa de livro, como equilibrar algo visualmente atrativo e que converse com o fã e ao mesmo tempo funcione comercialmente e As fronteiras da ficção científica do leste europeu às 15h30 com André Cáceres, escritor e colaborador do O Estado de S. Paulo e Cláudia Fusco, pesquisadora e mestre em estudos de ficção científica pela Universidade de Liverpool, falarão sobre as características da produção de ficção científica no leste europeu, sua importância e como podem se diferenciar da literatura norte-americana – sem esquecer de abordar os clássicos que acabamos de lançar, Nós e Solaris. Mediação Fernando Barone, editor da Conrad Editora.

Todos os lançamentos estaram também com desconto: Duna, Nós, Solaris, Um Estranho Numa Terra Estranha, Os Despossuídos e Leviatã Desperta.




quarta-feira, 17 de maio de 2017

Especial Círculo das Ideias: Realidades Adaptadas de Philip K. Dick #7: "Equipe de Ajuste"



Escrito em 1954, o conto deu origem a Os Agentes do Destino (The Adjustment Bureau), que marcou a estreia do norte-americano George Nolfi na direção. Lançado em 2011, o filme traz em seu elenco Matt Damon e Emily Blunt nos papéis principais.

Ele descreve a situação de Ed Fletcher e sua esposa Ruth. O Setor T137 está programado para sofrer um ajuste por seres superiores, e Ed trabalha nele. Outros responsáveis ficam vigiando Ed para ver se ele vai estar no local na hora exata. Acontece que ele recebe uma visita inesperada e chega na hora exata do ajuste, encontrando seus agentes...


No filme, esses conceitos estão mais concentrados no casal: um politico em ascensão e uma bailarina quem se amam mas não podem ficar juntos pois isso não está nos planos do "Velho" (personagem que dá as ordens e não aparece).

Esse conto talvez mostre o lado mais religioso do autor, que foi católico por quase toda a sua vida adulta. O autor mostra o porque é um dos mais adaptados e filmados do gênero por Hollywood – a habilidade em misturar especulações tecnológicas e parapsicológicas com questões sentimentais, religiosas e existenciais 

SOBRE O AUTOR
Considerado por Ursula K. Le Guin como Jorge Luis Borges norte-americano, Philip Kindred Dick nasceu na cidade de Chicago em 1928. De 1955, ano de seu primeiro livro, até 1982, Dick publicou 44 romances e 121 contos, uma média de um romance a cada sete meses e um conto a cada 81 dias, sem parar, por 27 anos. Entre eles Valis, Ubik, Os Três Estigmas de Palmer Eldritch e os premiados O Homem do Castelo Alto (que dedicou para sua mulher Anne, que o desprezava dizendo que era um miserável e empalideceu ao descobrir os termos da dedicatória: Para Anne, minha mulher, de quem sem o silêncio eu não teria escrito esse livro) e Fluam, Minhas Lágrimas, Disse o Policial. O ritmo visivelmente frenético foi mantido à base de muita anfetamina – apesar dos boatos que sempre circularam à sua volta, Dick passou mais ou menos batido pelo LSD, a droga da moda na sua época, tendo apenas uma bad trip em toda sua vida (um boato divertido é que a revelação religiosa - ele foi durante a maior parte de sua vida adulta um católico convertido - que lhe ocorreu mais tarde seria um flashback dessa única viagem). Com dificuldades em ficar sozinho, teve cinco casamentos, um período de alguns meses em que sua casa se transformou num ponto de uso e tráfico de drogas, uma temporada voluntária numa clínica de reabilitação e até um par de semanas no apartamento de um casal de desconhecidos no Canadá. Morreu em 1982, aos 53 anos, em Santa Ana decorrência de um acidente vascular cerebral. Outros livros de sua autoria ainda seriam publicados postumamente, como Realidades Adaptadas, e é provável que ainda existam alguns por publicar...


quinta-feira, 4 de maio de 2017

Especial Círculo das Ideias: Realidades Adaptadas de Philip K. Dick #6: "O homem dourado"


- É sempre quente assim? - perguntou o vendedor. Ele se dirigia a todos que estavam no balcão e nas cabines surradas perto da parede. Era um homem gordo de meia-idade, de sorriso simpático, terno cinza amarrotado, camisa branca manchada de suor gravata borboleta caída e chapéu panamá. - Philip K. Dick

Originalmente publicado em 1953, O homem dourado (originalmente nomeado pelo autor de O deus que corria) inspirou o filme O Vidente em 2007 tendo Nicolas Cage no papel-titulo.

Philip K. Dick retrata um ponto de vista diferente do autor sobre os super seres - na época, nomeados de mutantes. Na década de 50 muitos autores americanos de ficção científica escreviam sobre humanos com gloriosos superpoderes e que eles nos conduziriam para a nova idade das luzes, nos guardando e nos protegendo.

É uma novela sobre um jovem de pele dourada e feroz com um dom de ser capaz de ver o futuro. Capturado pelo governo, que caçava esses mutantes, ele passa a realizar vários testes de aptidão e, na primeira oportunidade, tenta escapar utilizando dois dons: o de prever o futuro e sua beleza dourada.

Muito criticado na época, Dick pensou fora da caixa e inovou o mundo ficcional. Em um diálogo com os seus contemporâneos, pode-se dizer que essa história são as sementes de outro livro da Editora Aleph, o livro Coração de Aço, de Brandon Sanderson, primeiro volume da série Executores.

A obra distópica apresenta pessoas de diferentes origens que recebem misteriosamente superpoderes, mas são corrompidas por eles e tornam-se vilões. Após tomarem o controle das cidades, eles criam uma realidade terrível, submetendo os humanos a uma vida de servidão, ou morte - cenário que tenta ser evitado a todo o custo na narrativa de Dick, tendo o Estado uma policia especializada em combater esse tipo de mutantes.

SOBRE O AUTOR
Considerado por Ursula K. Le Guin como Jorge Luis Borges norte-americano, Philip Kindred Dick nasceu na cidade de Chicago em 1928. De 1955, ano de seu primeiro livro, até 1982, Dick publicou 44 romances e 121 contos, uma média de um romance a cada sete meses e um conto a cada 81 dias, sem parar, por 27 anos. Entre eles Valis, Ubik, Os Três Estigmas de Palmer Eldritch e os premiados O Homem do Castelo Alto (que dedicou para sua mulher Anne, que o desprezava dizendo que era um miserável e empalideceu ao descobrir os termos da dedicatória: Para Anne, minha mulher, de quem sem o silêncio eu não teria escrito esse livro) e Fluam, Minhas Lágrimas, Disse o Policial. O ritmo visivelmente frenético foi mantido à base de muita anfetamina – apesar dos boatos que sempre circularam à sua volta, Dick passou mais ou menos batido pelo LSD, a droga da moda na sua época, tendo apenas uma bad trip em toda sua vida (um boato divertido é que a revelação religiosa - ele foi durante a maior parte de sua vida adulta um católico convertido - que lhe ocorreu mais tarde seria um flashback dessa única viagem). Com dificuldades em ficar sozinho, teve cinco casamentos, um período de alguns meses em que sua casa se transformou num ponto de uso e tráfico de drogas, uma temporada voluntária numa clínica de reabilitação e até um par de semanas no apartamento de um casal de desconhecidos no Canadá. Morreu em 1982, aos 53 anos, em Santa Ana decorrência de um acidente vascular cerebral. Outros livros de sua autoria ainda seriam publicados postumamente, como Realidades Adaptadas, e é provável que ainda existam alguns por publicar...


quinta-feira, 27 de abril de 2017

Especial Círculo das Ideias: Realidades Adaptadas de Philip K. Dick #5: "O pagamento"


De repente, ele estava em movimento. Ao seu redor, jatos deslizavam suavemente. Ele estava num pequeno foguete cruzador particular, seguindo devagar pelo céu vespertino, entre duas cidades. - Philip K. Dick
Conto homônimo de 1953, estreou nos cinemas em 2003 sob a direção de John Woo, cineasta chinês radicado nos EUA, mestre dos filmes de ação (A Outra Face, Missão Impossível 2). O roteiro foi adaptado Dean Georgaris, que assina os textos de Sob o Domínio do Mal e Lara Croft: Tomb Raider - A Origem da Vida e teve o ator Ben Affleck na pele do técnico Michael Jennings, protagonista da trama.

Jennings é um técnico de eletrônica contratado pela Construtora Rethrick para trabalhar durante dois anos por 50 mil créditos e, após a finalização do projeto, sua memória é apagada para evitar o vazamento de informações secretas.

Porém, depois de acordar do processo de eliminação de memória, recebe apenas um saco de pano, contendo vários objetos e tendo desculpa um termo assinado de próprio punho dizendo que trocava os 50 mil por aquilo, e começa a ser perseguido pela polícia política do Estado...

SOBRE O AUTOR
Considerado por Ursula K. Le Guin como Jorge Luis Borges norte-americano, Philip Kindred Dick nasceu na cidade de Chicago em 1928. De 1955, ano de seu primeiro livro, até 1982, Dick publicou 44 romances e 121 contos, uma média de um romance a cada sete meses e um conto a cada 81 dias, sem parar, por 27 anos. Entre eles Valis, Ubik, Os Três Estigmas de Palmer Eldritch e os premiados O Homem do Castelo Alto (que dedicou para sua mulher Anne, que o desprezava dizendo que era um miserável e empalideceu ao descobrir os termos da dedicatória: Para Anne, minha mulher, de quem sem o silêncio eu não teria escrito esse livro) e Fluam, Minhas Lágrimas, Disse o Policial. O ritmo visivelmente frenético foi mantido à base de muita anfetamina – apesar dos boatos que sempre circularam à sua volta, Dick passou mais ou menos batido pelo LSD, a droga da moda na sua época, tendo apenas uma bad trip em toda sua vida (um boato divertido é que a revelação religiosa - ele foi durante a maior parte de sua vida adulta um católico convertido - que lhe ocorreu mais tarde seria um flashback dessa única viagem). Com dificuldades em ficar sozinho, teve cinco casamentos, um período de alguns meses em que sua casa se transformou num ponto de uso e tráfico de drogas, uma temporada voluntária numa clínica de reabilitação e até um par de semanas no apartamento de um casal de desconhecidos no Canadá. Morreu em 1982, aos 53 anos, em Santa Ana decorrência de um acidente vascular cerebral. Outros livros de sua autoria ainda seriam publicados postumamente, como Realidades Adaptadas, e é provável que ainda existam alguns por publicar...


sábado, 22 de abril de 2017

Especial Círculo das Ideias: Realidades Adaptadas de Philip K. Dick #4: "O relatório minoritário"

O primeiro pensamento de Anderton ao ver o rapaz foi: Estou ficando careca. Careca, gordo e velho. Mas não o disse em voz alta. Em vez disso, empurrou a cadeira para trás, levantou-se e foi até a lateral da mesa com determinação, a mão direita estendida com rigidez. Sorrindo com uma cordialidade forçada, cumprimentou o rapaz com um aperto de mão. - Philip K. Dick
Publicado em 1956, O relatório minoritário narra as aventuras do comandante policial Anderton, que lidera o departamento de Pré-Crimes: uma divisão capaz de prever os movimentos criminosos de qualquer agente antes que ele seja realizado com sucesso uma semana antes do ocorrido. O problema é, que o próximo assassino que ira executar alguém e abalar a estrutura, não só do departamento, mas de toda a sociedade é cometido por... Anderton.

Levado ao cinema com direção de Spielberg e estrelado por Tom Cruise em 2002 com o nome Minority Report – A Nova Lei, o autor marca todos os seus enredos em torno de uma estrutura bem interessante. É possível dividir os contos do Philip K. Dick em três partes: a apresentação do cenário, o problema a ser desenvolvido (normalmente é um problema onde moral e ética se cruzam) e um desfecho curto e rápido, sem se estender de modo cansativo.

O relatório minoritário não é diferente. O conto – que trabalha uma visão de mundo totalmente diferente do habitual na ficção cientifica moderna – mostra uma capacidade punitiva do Estado de prever a ação de um meliante, antes que ele mate ou cometa algum delito violento utilizando mutantes em tratamento degradante. É curioso notar como o futuro é mutável, e que cada escolha que fizermos pode levar a caminhos inimagináveis.

Na 3° temporada da série The Flash, o herói para salvar a sua amada Iris decide ir ao futuro para tentar descobrir qual é a verdadeira identidade do seu inimigo Savitar – identificado apenas como o deus hindu da velocidade. Futuro esse, que foi mudado graças a suas irresponsabilidades, fazendo os fãs se perguntarem se Barry Allen não é o vilão. A série volta no dia 25 desse mês e vai se passar no ano de 2024.

Esperemos que o Velocista Escarlate tenha mais sorte do que o nosso comandante Anderton.

SOBRE O AUTOR
Considerado por Ursula K. Le Guin como Jorge Luis Borges norte-americano, Philip Kindred Dick nasceu na cidade de Chicago em 1928. De 1955, ano de seu primeiro livro, até 1982, Dick publicou 44 romances e 121 contos, uma média de um romance a cada sete meses e um conto a cada 81 dias, sem parar, por 27 anos. Entre eles Valis, Ubik, Os Três Estigmas de Palmer Eldritch e os premiados O Homem do Castelo Alto (que dedicou para sua mulher Anne, que o desprezava dizendo que era um miserável e empalideceu ao descobrir os termos da dedicatória: Para Anne, minha mulher, de quem sem o silêncio eu não teria escrito esse livro) e Fluam, Minhas Lágrimas, Disse o Policial. O ritmo visivelmente frenético foi mantido à base de muita anfetamina – apesar dos boatos que sempre circularam à sua volta, Dick passou mais ou menos batido pelo LSD, a droga da moda na sua época, tendo apenas uma bad trip em toda sua vida (um boato divertido é que a revelação religiosa - ele foi durante a maior parte de sua vida adulta um católico convertido - que lhe ocorreu mais tarde seria um flashback dessa única viagem). Com dificuldades em ficar sozinho, teve cinco casamentos, um período de alguns meses em que sua casa se transformou num ponto de uso e tráfico de drogas, uma temporada voluntária numa clínica de reabilitação e até um par de semanas no apartamento de um casal de desconhecidos no Canadá. Morreu em 1982, aos 53 anos, em Santa Ana decorrência de um acidente vascular cerebral. Outros livros de sua autoria ainda seriam publicados postumamente, como Realidades Adaptadas, e é provável que ainda existam alguns por publicar...