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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

Espadas Afiadas em Feitiços Sinistros

Em 1961, Michael Moorcock (responsável por Elric) propôs um desafio para ser criado um nome que abarcasse as histórias e preservar a memória e o trabalho do autor Robert E. Howard, que na época, se encaixavam simplesmente como ''Fantasia''. O escritor Fritz Leiber (autor da obra Lankhmar) sugeriu o termo ''Espada e Feitiçaria''. O criador de Conan foi importante para o desenvolvimento do subgênero, trazendo novas dimensões com mundos bem construídos, personagens fortes e tramas envolvendo civilizações antigas e erguendo-se como um pináculo sobre tais alicerces literários.

Robert E. Howard escreveu histórias de todos os estilos imaginados, mas suas criações mais famosas são as de Espada e Feitiçaria. Howard criou personagens fantásticos e populares: rei Kull, o puritano Solomon Kane, e o rei picto Bran Mak Morn, a espadachim Dark Agnes de la Fere e a guerreira Sonya de Rogatino. O maior de todos foi, sem dúvida, o bárbaro Conan, que vivia suas aventuras na Era Hiboriana, que se trata da Terra, mas em um passado pré-cataclísmico do qual a história atual não guarda lembranças. Mesmo sendo importante, Howard não foi um dos pioneiros do gênero, com suas as origens indo para muito além.

No início no século XX, o escritor inglês Lord Dunsany criou um mundo fantástico chamado Pegana, com geografia, história, religião e mitologia próprias. Ou seja, uma construção de mundo ou “worldbuilding”, com a primeira narrativa sendo "A Fortaleza Invencível: Exceto para Sacnoth". A criação de mundos imaginários é algo que está presente na literatura e mistura-se com mitologias, lendas e projeção do futuro. "Barsoom" veio pelas mãos do autor Edgar Rice Burroughs não trazia magia em seus escritos, porém a atmosfera de ciência avançada preenchia a lacuna, criando a ramificação da ramificação: "Espada e Planeta".

A essência dessas histórias eram simples, violentas, cheias de ação, vertiginosas, transgressoras, politicamente incorretas, socialmente irreparáveis e provocadoras. Na virada do século XIX para o XX, houve uma explosão no mercado norte-americano de revistas populares contendo ficção de vários gêneros. Parecidos como uma espécie de periódico, as revistas pulp, ou ''de polpa'', tinham esse nome por sua matéria-prima barata: a polpa de madeira. As histórias traziam enredos dos mais variados e simples de faroeste, mistério, aventura, romance, terror, fantasia e ficção científica. H.P. Lovecraft, Clark Ashton Smith, Jack Vance, C.L. Moore, Leigh Brackett, L. Sprague de Camp, Roger Zelazny e Poul Anderson são apenas alguns dos nomes que se aventuraram por essas páginas, abrindo caminhos para Gardner Dozois, Robin Hobb, Ken Liu, Kate Elliott, Elizabeth Bear, Karl Edward Wagner e Lavie Tidhar.

O já citado Michael Moorcock produziu seus contos e romances imensamente populares sobre Elric de Melniboné, se destacando como o Anti-Conan por ser rei, albino, fraco e drogado, a antítese total do personagem howardiano. Imitações evidentes de Conan, como Brak, o Bárbaro, de John Jakes, foram criadas e pastiches foram produzidos e licenciados. Cele Goldsmith, editora da revista Fantastic, arrancou o também já citado Fritz Leiber da aposentadoria para voltar a escrever novos contos de Fafhrd e Gray Mouser.

Então, nos anos 60, veio Tolkien.

Sua trilogia ''O Senhor dos Anéis'' sofre de dois erros de análise: costuma ser citada como a única criadora do gênero fantástico moderno, e muitas vezes sua qualidade narrativa é superestimada. A influência de Tolkien percorre todos os escritores de fantasia posteriores, em um grau maior ou menor. Costuma ser esquecido que a famosa edição não licenciada de "A Sociedade do Anel'' da Ace traz em sua capa uma ilustração de Jack Gaughn, que mostrava um mago empertigado no alto de uma montanha, brandindo uma espada e um cajado. Deixando claro que Don Wollheim, dono da Ace e também criador do nome "Espada e Planeta", achava que aquele era um livro de Espada e Feitiçaria. Sua apresentação assinada explicita isso ao promover o volume de Tolkien como ''um livro de Espada e Feitiçaria que qualquer um pode ler com encanto e prazer''.

Em outras palavras, graças às revistas pulp da década de 30, os Estados Unidos tinha um público segmentado de literatura fantástica que muito antecede Tolkien. O público anglófono norte-americano estava faminto como um orc (ou orque, dependendo de sua edição) esperando para ser alimentado. A trilogia ''O Senhor dos Anéis'' já tinham sido lançada em caras edições de capa dura na Grã-Bretanha, mas as edições em brochura da Ace — e a licenciada da Ballantine Books — tornaram os livros acessíveis em edições que milhões de outros podiam comprar, povoando o imaginário de toda uma época.

O efeito Tolkien foi massivo o suficiente para que esse subgênero, que sempre foi alimentado por contos, desse lugar a romances cada vez mais longos que se desdobraram em cada vez mais continuações, passando a ser vistos, em grande medida, como um subgênero próprio, ''Fantasia Épica'' (embora alguns digam que a distinção de um do outro é justamente a duração). Seja como for, à medida que livros considerados de ''Fantasia Épica'' começavam a ganhar mais destaque, as pessoas passavam a falar menos sobre ''Espada e Feitiçaria'', agonizando, mas não morrendo. A título de exemplo, Robert Jordan produziu uma longa sequência de romances de Conan ao longo dos anos 1980 antes de se voltar para sua série de fantasia épica em vários volumes que recentemente foi adaptada pela Amazon Prime, ''A Roda do Tempo''. Se Elric é o Anti-Conan, Moorcock é por sua excelência um anti-Tolkien (embora alguns de seus personagens sejam conectados com o trágico, existindo uma unidade temática entre Elric de Melniboné e Túrin Turambar, guardados devidamente no guarda-chuva de Kullervo do Kalevala). George R. R. Martin é comparado a Tolkien constantemente, sendo considerado por muitos uma versão americana e contemporânea do autor com seu épico político de Espada e Feitiçaria em "As Crônicas de Gelo e Fogo", que tornou o gênero fantasia algo maior do que jamais foi. Publicado em 1996, a saga que ainda está em andamento influenciaram novos escritores mostrando a eles um tipo de fantasia áspera, com personagens tão moralmente dúbios que é impossível diferenciar os bons dos maus.

Em Martin podemos ver como ele lida com a tradição, com os escritores que o antecederam. Como um verdadeiro herdeiro de J.R.R. Tolkien e Robert E. Howard, faz em sua principal obra homenagens claras a ambos. Como não olhar a trajetória e aparência de Robert Baratheon e não lembrar de Conan, ou ver o drama de Samwell Tarly e não rememorar Samwise Gamgee com suas jornadas e vínculos com o personagem principal da história? O autor adiciona camadas que não eram encontradas em seus anteriores, nos entregando um livro de confrontos e intrigas monárquicas, mostrando o quanto a humanidade é precária e que nem sempre a melhor pessoa é a que chega mais longe no jogo do poder.

Nos últimos anos do século XX e nos primeiros do século XXI surgiram escritores como Patrick Rothfuss, Brandon Sanderson, Steven Erikson, Garth Nix, Kate Elliott, Ken Liu, Rich Larson, Carrie Vaughn, Robin Hobb, Karl Edward Wagner, Lavie Tidhar e Daniel Abraham. No Brasil, o gênero foi organizado de maneira mais moderna por nomes como Duda Falcão, Cesar Alcázar, Jean Gabriel Álamo, Robilam C. Júnior e Alfredo Alvarenga. A editora Pipoca e Nanquim trouxe pesadamente a obra de Robert E. Howard, iniciando com a trilogia Conan com tradução de Alexandre Callari, a Évora traduziu e trouxe Moorcock com a trilogia Elric de Melniboné. Por muitos anos a LeYa foi a casa do fantástico, sendo esse mercado ocupado pela Arqueiro, Editorial Record e Suma das Letras.

Depois desse passeio sobre o gênero e seus principais autores, organizadores e editoras, espero que gostem do presente volume. Aos escritores, afiem seus teclados e escrevam seus contos. Aos leitores confio minha esperança que o presente livro se revele tão fascinante e inspirador que faça nascer um novo fã desse gênero já tão consagrado por nomes tão gigantescos.

sábado, 29 de agosto de 2020

Autor de "O Senhor dos Anéis" é nova face da guerra cultural no Brasil - Reinaldo José Lopes


Fãs dos romances de fantasia do filólogo e escritor britânico J. R. R. Tolkien costumam se reunir mundo afora para ler textos do autor todo dia 25 de março. A data corresponde à derrota definitiva do vilão Sauron em O Senhor dos Anéis, a mais conhecida das obras tolkienianas. Se depender do projeto de lei proposto pelo deputado federal Dr. Jaziel, do PL do Ceará, a data pode passar a ser oficialmente o Dia de Ler Tolkien no Brasil. Na justificativa do projeto, o deputado menciona a crescente respeitabilidade literária e acadêmica dos livros de Tolkien no país.

De fato, grupos de pesquisa que estudam a influência do britânico sobre a literatura de fantasia têm surgido com mais intensidade nos últimos dez anos –o mesmo vale para dissertações de mestrado e teses de doutorado que dissecam aspectos da mitologia ficcional do autor.

O parlamentar aponta ainda a popularidade de Tolkien e o interesse por suas narrativas e línguas inventadas (uma das marcas registradas de seus textos) entre os jovens leitores como motivações do projeto.

Curiosamente, o texto da proposta designa Tolkien como "premiado filósofo", embora a verdadeira especialidade acadêmica do autor tenha sido a filologia –o estudo da evolução dos idiomas, e não a filosofia. Segundo a assessoria do deputado, foi um erro induzido por corretor ortográfico, que será corrigido. Quando se considera a dificuldade crônica de fomentar o hábito da leitura no Brasil, é possível pensar na obra de Tolkien como aliada para modificar esse quadro nos ensinos fundamental e médio, por exemplo.

Além do apelo para crianças e adolescentes já habituados a cenários de fantasia em filmes, séries e games, livros como "O Senhor dos Anéis", "O Hobbit" e "O Silmarillion" são plataformas interessantes para discutir diferentes gêneros de prosa e formas poéticas (já que o autor emprega os mais variados tipos de métrica e rima em poemas entremeados na narrativa). Também se pode discutir as influências de diferentes mitologias reais, em especial a nórdica e a celta, no imaginário tolkieniano, ou o impacto dos totalitarismos e guerras mundiais do século 20 sobre o universo criado pelo autor.


O ciclo de lendas criado por Tolkien, por outro lado, pode ser visto como uma tentativa de reimaginar mitologias pagãs sob um prisma essencialmente cristão, já que o autor era católico fervoroso. O deputado cearense, em entrevista ao jornal O Globo, citou os "valores cristãos" dos livros como mais um argumento em favor do projeto.

Esse é um dos potenciais problemas da ideia, porque a religiosidade e o conservadorismo de Tolkien têm feito com que sua obra seja recrutada por alguns dos soldados da guerra cultural conservadora no Brasil dos últimos anos.

Na eleição presidencial de 2018, por exemplo, circularam memes comparando o então candidato Jair Bolsonaro ao personagem Faramir, guerreiro nobre e abnegado de O Senhor dos Anéis. O autor do projeto de lei se identifica com as diretrizes do atual presidente, criticando a "doutrinação esquerdista" nas escolas. Também é legítimo questionar se não seria mais proveitoso um diálogo entre a obra de Tolkien e autores mais próximos da realidade brasileira, inclusive os da tradição fantástica, em vez de o entronizar sozinho numa data oficial. De qualquer modo, o prefácio de O Senhor dos Anéis deixa claro que o autor não apreciava a instrumentalização política e ideológica de sua obra, preferindo o tipo de leitura que "reside na liberdade do leitor" de interpretar o que lê.

segunda-feira, 27 de abril de 2020

Como o nacionalismo da 1ª Guerra fez Tolkien resgatar a mitologia europeia - Reinaldo José

Para o autor de "O Hobbit", a violência do século 20 era sintoma de um mundo que havia abandonado a moral dos mitos em prol da veneração da modernidade.

(Índio San/Superinteressante)

Tolkien foi original ao tentar reinventar a mitologia europeia, um projeto colossal que ninguém havia tentado (ou achado razões para tentar) realizar antes dele. Mas Tolkien não surgiu do nada. O trauma das Grandes Guerras talvez seja o melhor jeito de explicar o renascimento do interesse pelas mitologias medievais que tomaria o planeta de assalto com o seu trabalho.

É preciso recuar um pouco mais no tempo para entender o porquê de tudo isso. No século 19, a Idade Média estava na moda entre os intelectuais europeus, que a usavam para tentar descobrir a suposta “essência” de seus países e de sua história. Poetas ingleses reinventaram o rei Arthur, compositores de ópera na Alemanha resolveram se inspirar nas sagas da Escandinávia viking, escritores portugueses só queriam saber de cruzados matando mouros, e por aí vai.

Não por acaso, essa paixonite medieval coincidiu tanto com movimentos nacionalistas quanto com a expansão colonial europeia na África e na Ásia. É claro que, no longo prazo, isso de todo mundo se achar o máximo acabaria dando em caca — e deu, levando à carnificina da Primeira Guerra Mundial, na qual muito moleque com a cabeça cheia de ideias sobre “cavalheirismo” e “glória” bateu as botas. A natural reação da maioria dos escritores e artistas que viveram essa época foi considerar que esses sonhos românticos medievais tinham sido perniciosos, ajudando a levar a Europa para o abismo. Em outras palavras, chega de rei Arthur e de Thor.

Só que uma minoria de intelectuais — e os mais influentes foram, disparado, Tolkien e seu amigo C.S. Lewis (o criador das Crônicas de Nárnia) — chegou justamente à conclusão oposta. O século 20 estava virando um pesadelo, segundo eles, não por mitologia demais, mas por mitologia de menos. Sim, a guerra era um troço horrendo, e devia ser evitada a todo custo, mas só tinha virado um massacre industrializado sem precedentes porque muita gente não acreditava mais nos padrões eternos de certo e errado que podiam ser encontrados, por exemplo, no cerne das antigas mitologias. Era preciso recontá-las antes que fosse tarde.

Partindo de uma matéria-prima confusa e desorganizada — na mitologia escandinava, por exemplo, a diferença entre elfos e anões não é muito clara —, Tolkien fez questão de criar um universo consistente, sistematizado e lógico. Outro ponto importante é a maneira como ele decidiu “limpar” sua matéria-prima — nas palavras do próprio Tolkien, “purificando-a de seu lado grosseiro”. Embora seja possível reconhecer a inspiração das figuras de Odin e Thor nos “deuses” do universo do autor, os chamados Valar, essas figuras divinas, na verdade, estão mais para anjos um pouco mais poderosos. Em Tolkien, só existe um único Deus verdadeiro. Não por acaso, o autor era um fervoroso (e conservador) católico apostólico romano.

O Hobbit, primeiro livro de fantasia de Tolkien, saiu em 1937. Fez sucesso, mas era destinado ao público infanto-juvenil. O Senhor dos Anéis foi escrito durante a Segunda Guerra Mundial, e acabou publicado só em 1954. Só virou um fenômeno de público em meados dos anos 60, graças ao lançamento de uma edição pirata nos EUA. O timing não poderia ter sido melhor, porque o livro acabou sendo “adotado” pelos hippies e por muitos outros membros da juventude que, assim como Tolkien, achavam que o mundo tinha entrado numa espiral de destruição no século 20. Nesse ponto, de fato, o professor antiquado de Oxford e muitos fãs dos Beatles tinham algo em comum: a visão negativa, contestadora, a respeito do mundo moderno.

As semelhanças paravam por aí. Ao ver as referências (relativamente raras, na verdade) à magia nos livros, a rapaziada de 1968 logo pensava em tradições místicas pagãs ou orientais, que certamente levariam Tolkien a fazer o sinal-da-cruz e sair correndo; liam sobre a célebre erva de cachimbo hobbit e logo pensavam em maconha (embora Tolkien tivesse usado até o nome científico do tabaco, Nicotiana, para deixar claro que o troço era simples fumo mesmo).

Os livros de Tolkien só foram fazer sucesso mesmo nos anos 60. (Índio San/Superinteressante)

Pouco importava: o gênio já tinha saído da garrafa. Junto com as bandas de rock e o sinal de paz e amor, o gênero da fantasia medieval virou parte inseparável do “pacote” dos anos 60 (tanto que até os Beatles pensaram em produzir e estrelar sua própria versão cinematográfica de O Senhor dos Anéis).

Para atender a essa demanda, imitações bastante deslavadas da obra tolkieniana começaram a ser publicadas, vendendo feito pãozinho quente (um dos principais exemplos é A Espada de Shannara, do americano Terry Brooks, lançada em 1977). E um novo tipo de jogo, baseado na interpretação de personagens, fez da fantasia medieval seu principal filão. Eram os RPGs (do inglês role playing game, “jogo de interpretar papel”), que têm como um de seus primeiros e mais famosos exemplos o célebre Dungeons and Dragons (“calabouços e dragões”), lançado originalmente em 1974.

Em 1976, a fantasia chegou aos computadores com Colossal Cave Adventure, dando origem ao RPG em videogame. E o gênero continua a gerar fenômenos da cultura pop, como World of Warcraft e The Elder Scrolls: Skyrim.

Colocando nesses termos, pode ser que você fique com a impressão de que, após os anos de ouro de Tolkien e Lewis, as recriações da mitologia medieval acabaram lentamente virando uma mistura de mercantilismo deslavado e escapismo barato. Na verdade, tudo indica que não, ao menos não totalmente — e um dos melhores contra-exemplos recentes é justamente As Crônicas de Gelo e Fogo, ou Game of Thrones, como decidiram batizar a versão televisiva do universo do romancista George R.R. Martin.

Sim, a série é uma máquina de fazer dinheiro, e o mundo de Martin é muito mais cínico que o de Tolkien. Mas o autor continua fazendo o que o mestre fez tão bem na metade do século 20: usar elementos mitológicos para refletir sobre a natureza do poder, do certo e do errado. E isso nunca deixará de ser relevante.

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

As Crônicas de Nárnia - Netflix está desenvolvendo filmes e séries baseados nos livros!

Arte de Pauline Baynes

Foi anunciado hoje que o canal de streaming NETFLIX desenvolverá séries e filmes baseados n'As Crônicas de Nárnia, de C.S. Lewis.

Segundo o release de imprensa, o contrato firmado entre a Netflix e a The C. S. Lewis Company engloba acordo plurianual para desenvolver as clássicas histórias de Nárnia, cujos livros já venderam mais de 100 milhões de cópias ao redor do mundo e foram traduzidos para mais de 47 línguas.

Os direitos de todos os 7 livros narnianos fazem parte do contrato com a Netflix e terão a produção da Entertainment One, empresa que lançou filmes como Sobrenatural e O Homem Duplicado. Douglas Gresham e Vincent Sieber, da Netflix, vão ser produtores executivos.

“A Netflix irá desenvolver histórias clássicas de todo o universo de Narnia em séries e filmes para seus usuários em todo o mundo”, complementou o comunicado. A saga literária dividida em sete partes conhecida como As Crônicas de Nárnia conta a história de algumas crianças que exploram um mundo fantástico chamado Nárnia e as criaturas que nele habitam.

Os livros foram lançados entre 1950 e 1956 e já ganharam adaptações ao longo das décadas. A história da obra nas telonas é conturbada. Os direitos da franquia pertenciam à Walden Media, um estúdio independente que produziu diversos filmes de fantasia, como Ponte para Terabítia. A mais recente série de filmes começou em 2005 com O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupaapesar das críticas, o longa ganhou uma continuação em 2008, O Príncipe Caspian, produzido em parceria com a Walt Disney. Posteriormente, a Disney perdeu o vínculo com o estúdio, e A Viagem do Peregrino da Alvorada foi co-produzido pela 20th Century Fox. Porém, após o lançamento do terceiro filme, a própria Walden Media perdeu os direitos.

Apesar do anúncio, não se sabe exatamente o que a Netflix irá adaptar primeiro, tampouco quem irá dirigir, escrever os roteiros ou qualquer outro detalhe do tipo. Portanto, ainda não há previsão de estreia para nenhum dos filmes ou da série que a plataforma pretende lançar.

sexta-feira, 15 de junho de 2018

Inspiração: Fantasia Grimdark por Diego Guerra

Game of Thrones Card Game, Arte de Anna Mitura

A Wikipédia classifica grimdark como:
um subgênero ou uma forma de descrever um tom, estilo ou padrão da ficção especulativa (especialmente a fantasia) que é, dependendo da definição usada, marcada pelo distopico e o amoral, sendo particularmente violenta ou realista. O nome foi inspirado na tagline dos livros do jogo de estratégia Warhammer 40.000: “In the grim darkness of the far future, there is only war” (Na escuridão cruel do futuro distante, existe apenas a guerra).
Houve várias tentativas de se definir o que é e o que não é grimdark. Adam Roberts descreveu o gênero como uma ficção “onde ninguém tem honra e onde o poder é um direito” e diz que é o nome a que se refere a literatura que escapa das visões idealizadas da fantasia medieval, dando ênfase ao quão desagradável, brutal, sombria e curta a vida realmente era neste cenário, mas ele observou que o grimdark tem pouco a ver com re-imaginar a realidade histórica e mais com transmitir a sensação de que o nosso próprio mundo é um lugar “cínico, desiludido e ultraviolento”.

Dentro desta leitura, podemos dizer que o grimdark é um espelho da nossa realidade, refletindo a crueldade e o cinismo da nossa própria sociedade, embora transportados para cenários fantásticos, enfatizando-os, ou não, para o desenvolvimento do enredo.

Já para Jared Shurin, fantasia grimdark tem três componentes principais: um tom sombrio e pessimista, um certo senso de realismo (por exemplo, os monarcas são inúteis e os heróis são falhos), e a ação dos protagonistas: enquanto na alta fantasia tudo é predestinado e a tensão gira em torno de como os heróis vão derrotar o Lorde das Trevas, no grimdark os personagens têm que escolher entre o bem e o mal e estão tão perdidos como todos nós.

É possível dizer neste caso que a fantasia grimdark é uma resposta ao otimismo da alta fantasia, onde atravessando por diversas provações e mesmo as custas de grandes sacrifícios, existe uma certeza de vitória do bem no final e uma restauração do ponto de equilíbrio do universo. O grimdark não se compromete com essa vitória e não promete finais felizes. Pelo contrário, como todo o tom niilista do livro, o final de uma obra grimdark costuma ser ácido e pessimista.

Heroes, Arte de Raymond Swanland
Liz Bourke diz algo parecido, considerando como característica definidora de grimdark ser “uma retirada da valorização das trevas pelo amor das trevas, em uma espécie de niilismo que retrata toda ação correta como impossível ou inútil”. Segundo ela, isso tem o efeito de absolver os protagonistas, bem como o leitor de responsabilidade moral.

Assim, entendendo as “trevas” como parte inerente de todos os personagens, aceitamos que todos são capazes de boas e más ações, cabendo a cada um entender o contexto em que ela foi inserida. Em nome da coerência narrativa, porém, é preciso fugir das fórmulas simples de ultraviolência injustificada. Entender que todos os personagens têm seu lado sombrio é entender que ele também possuí alguma forma de luz e é justamente esse embate entre certo e errado que o torna interessante. A questão, desta forma, vai além da redenção ou danação do personagem por seu comportamento e termina por nivelar os personagens de acordo com critérios sombrios onde nada parece ter solução.

Se grimdark é um gênero em si mesmo ou um rótulo inútil também foi discutido. Genevieve Valentine observou que, embora alguns escritores adotem o termo, outros o vêem como “uma chancela aplicada injustamente e como um termo de desprezo para a fantasia que está se desmontando em modelos”, a autora porém entende que esse modelo de contar a história tem sua riqueza nos conflitos internos e externos destes personagens e em como isso manobra a política do mundo, onde quase que invariavelmente o poder leva a decisões extremas e resultados cada vez mais drásticos.

Já Roberts, diz que o grimdark é uma forma moderna de literatura “anti-tolkien” para abordar a criação fantástica. O livro grimdark mais bem-sucedido e popular atualmente é “A Canção de Gelo e Fogo” de George R. R. Martin, que Roberts caracteriza como uma reação ao idealismo de Tolkien, embora Martin continue se inspirando na sua obra.

Michael Moorcock foi um ávido defensor da literatura anti-tolkien, acreditando em um universo onde forças de ordem e do caos se digladiavam com igual falta de escrúpulos e com resultados violentos, independente do seu vencedor. Seu anti-herói, Elric era a síntese de tudo o que Moorcock entendia sobre essa questão. Uma corrupção dos alto-elfos de Tolkien, violento, diabólico, cruel e ainda assim capaz das mais simples emoções humanas como amor e medo. Talvez em Moorcock tenhamos a protogênese do que viria a ser o grimdark, embora ele mesmo se reconheça como um autor de Espada e Feitiçaria. Sua luta contra o enredo de alta-fantasia, porém, é algo que devemos ter como inspirador.

Arte de Michael Kormack

Para a autora T. Frohock, existe um problema de ordem prática em definir o que é grimdark. Ela critica a simples definição de grimdark como um cenário de escuridão, com péssimas expectativas de vida para as pessoas que vivem nele, já que boa parte dos romances distópicos atuais para jovens se enquadrariam nessa descrição. Uma vez que tais romances tendem a se concentrar em jovens protagonistas que trazem luz a essa escuridão, com coragem para mudar o cenário, eles acabam fugindo do niilismo característico da literatura grimdark.

Já para a existência do sobrenatural característico da fantasia grimdark, pede-se atenção, uma vez em que nesse tipo de literatura o sobrenatural surge como uma força passiva sob o controle dos seres humanos, caso contrário estaríamos lidando com literatura de horror, onde o sobrenatural é uma entidade ativa agindo contra os outros personagens da história.

É importante para o grimdark a percepção de que todos são mortais, mesmo quando manipulam forças sobrenaturais para seus objetivos.

Para resolver a definição da Wikipédia abrangendo essas questões, T. Frohock sugere a seguinte correção ao verbete:
Grindark é um subgênero ou uma forma de descrever um tom, estilo ou padrão da ficção especulativa (especialmente a fantasia) que é, dependendo da definição usada, marcada pelo distópico e o amoral, sendo particularmente realista na sua representação da violência. Na maior parte da literatura grimdark o sobrenatural é uma força passiva, controlado por seres humanos, ao contrário do terror sobrenatural onde as forças sobrenaturais são mais frequentemente uma entidade ativa em ação.
Com isso, ela elimina a questão do realismo da equação e estabelece os traços que distingue horror e grimdark. A autora sugere que com o tempo, uma definição mais clara, tornará mais fácil distinguir o subgênero e discutí-lo, sem confundí-lo com outros subgêneros.

De 1990 em diante, muitos autores de fantasia passaram a ser descritos como grimdark. Destes, Joe Abercrombie, Richard K. Morgan e Mark Lawrence, são apenas os nomes mais conhecidos.

A existência da ultra-violência e de personagens de moralismo duvidoso, porém, tornou o gênero fértil em ideias preconceituosas, sempre com a justificativa de que “este é o mundo real”. De fato, apesar de estarmos expostos a uma sociedade preconceituosa, homofóbica, misógina e violenta e apesar da fantasia grimdark espelhar esse comportamento através de uma mimese da sociedade, existe a possibilidade – e eu diria o dever – de combater tais tendências, dando voz e poder àqueles que comumente são tratados como as vítimas destes preconceitos. No meu entender, isso só vai acontecer quando o grimdark deixar de ser dominada por homens brancos heterossexuais e ter uma representatividade igual entre gêneros, raças e credos, de forma a abordar também suas angústias e questões morais. É importante entender que grimdark não se trata da supremacia do homem branco sobre os demais grupos, ou ao menos não deveria ser, mas sim sobre as relações de poder entre os seres humanos e as decisões dúbias que as vezes são tomadas para a manutenção desse poder. Uma condição inerente a humanidade como um todo.

Complete Stories of Kane, arte de Ken Kelly
Tentando esclarecer as características do grimdark, podemos listar os pontos onde os autores parecem concordar:
  • Cenário decadente, distópico e violento;
  • Tom niilista e desesperador, onde todos parecem no limite e a catástrofe se torna inevitável;
  • Personagens amorais, ou de moral duvidosa, diante de escolhas difíceis;
  • Forças sobrenaturais usadas como ferramentas das ações humanas;
  • Tom cinzento, com a ausência de limites claros entre o certo ou o errado, a luz ou as trevas, o bem ou o mal;
  • Desfecho imprevisível, comumente cínico, com uma vitória parcial ou uma derrota completa do protagonista, reforçando o tom niilista onde nada é capaz de melhorar.
Referências

Retirado originalmente do site: Chamas do Império

terça-feira, 10 de abril de 2018

Livro novo de Tolkien e série baseada na obra de Asimov


Duas notícias balançaram os portais voltados ao publico literário. Vamos a elas.

A editora britânica HarperCollins anunciou hoje o lançamento do livro The Fall of Gondolin (A Queda de Gondolin) de J.R.R. Tolkien (1892-1973). O livro publicado em capa dura, de luxo, large print e e-book, contendo cerca de 304 páginas de material inédito e republicações sobre o conto que trata sobre a cidade oculta dos elfos Gondolin.

A edição conterá trechos dispostos em ordem cronológica, visando mostrar o desenvolvimento do conto sobre a Queda de Gondolin. Começando pelos textos mais antigos de 1917 até detalhes dos últimos anos da vida do autor. Nesse sentido, terá uma estrutura similar a edição publicada de Beren e Lúthien (ainda inédita no Brasil, com previsão para publicação em Novembro desse ano pela HarperCollins Brasil).

O livro é o último trabalho realizado por Christopher Tolkien (filho do próprio J.R.R. Tolkien) que tem atualmente 93 anos e atua com os manuscritos deixados. Com a publicação de A Queda de Gondolin um ciclo de materiais sobre o Legendarium de Tolkien está fechado. Esse é o terceiro livro que trata dos Grandes Contos da Terra-média, juntamente com Os Filhos de Húrin e Beren e Lúthien.

Segue abaixo a nota oficial da HarperCollins:

No Conto da Queda de Gondolin estão duas das maiores potências do mundo. Existe Morgoth do mal extremo, não visto nesta história, mas governando sobre uma vasta potência militar de sua fortaleza de Angband. Fortemente contrário a Morgoth está Ulmo, o segundo em poder após Manwë, chefe dos Valar.
A cidade de Gondolin é central nessa inimizade dos deuses, sendo bela, porém oculta. Foi construída e povoada pelos Elfos Noldorin que, quando moravam em Valinor, a terra dos deuses, rebelaram-se contra o seu domínio e fugiram para a Terra-média. Turgon, Rei de Gondolin é odiado e temido acima de todos os seus inimigos por Morgoth, que procura em vão descobrir a cidade maravilhosamente escondida, enquanto os deuses em Valinor em um debate acalorado se recusam a intervir em apoio aos desejos e projetos de Ulmo.

Nesse mundo chega Tuor, primo de Trin, o instrumento dos desígnios de Ulmo. Guiado sem ser visto por ele, Tuor parte da terra de seu nascimento na terrível viagem à Gondolin. Em um dos momentos mais impressionantes da história da Terra-média, o próprio deus do mar aparece para ele, erguendo-se do oceano em meio a uma tempestade. Em Gondolin ele cresce e se casa com Idril, a filha de Turgon. Seu filho é Erendel, cujo nascimento e profunda importância nos dias por vir são previstos por Ulmo.

Finalmente chega o terrível final. Morgoth aprende através de um ato de extrema traição tudo o que ele precisa para montar um ataque devastador na cidade, com balrogs e dragões e inúmeros orcs. Após um relato minuciosamente observado da queda de Gondolin, a história termina com a fuga de Trin e Idril, com a criança Erendel, olhando para trás de uma fenda nas montanhas enquanto eles fogem para o sul, nos destroços em chamas de sua cidade. Eles estavam viajando para uma nova história, o Conto de Erendel, que Tolkien nunca escreveu, mas que foi esboçado neste livro a partir de outras fontes.

Após sua apresentação de Beren e Lúthien, Christopher Tolkien usou a mesma “história em seqüência” na escrita desta edição de A Queda de Gondolin. Nas palavras de J.R.R. Tolkien, foi a primeira história real deste mundo imaginário e, juntamente com Beren e Lúthien e Os Filhos de Húrin, ele considerou-o como um dos três “Grandes Contos” dos Dias Antigos.

Enquanto isso, nos EUA, a Apple anunciou que está desenvolvendo uma série inspirada na trilogia Fundação, de Isaac Asimov (1920-1992), considerado um dos clássicos essenciais da ficção científica.

Segundo o site Deadline, os roteiros estão sendo escritos por David S. Goyer (Batman Begins) e Josh Friedman (Guerra dos Mundos), que assinam como produtores executivos e criadores. A clássica trilogia, formada pelos livros Fundação, Fundação e Império e Segunda Fundação, se passa em um futuro distante, no qual a Via Lactea é governada pelo Império Galático. O enredo conta a história da humanidade, em um ponto distante no futuro, no qual o visionário cientista Hari Seldon prevê a destruição total do império humano e de todo o conhecimento acumulado por milênios. Incapaz de impedir a tragédia, ele arquiteta um plano ousado, no qual é possível reconstruir a glória dos homens, se tudo correr como planejado.

A multinacional adquiriu os direitos da obra ao fazer um acordo com a Skydance Media, que detinha o direito de adaptação. Ao longo dos anos, inúmeras tentativas de se adaptar Fundação foram feitas: em 1998, a New Line Cinema anunciou um filme, mas o projeto não foi para frente. Em 2014, Jonathan Nolan (Westworld) tentou desenvolver o projeto na HBO, que tinha demonstrado interesse na franquia, mas não a produziu.

Os livros de Asimov são publicados no Brasil pela Editora Aleph.


segunda-feira, 12 de março de 2018

Obra de J.R.R. Tolkien, da saga Senhor dos Anéis, muda de editora no Brasil

Escritor J.R.R. Tolkien de Senhor dos Anéis. Foto: Reprodução
Texto de Clarissa Stycer na coluna de Lauro Jardim no jornal O Globo.

A obra de J.R.R. Tolkien, criador do universo de “O senhor dos anéis” e “O Hobbit”, está mudando de casa.

Passa da editora Martins Fontes para a HarperCollins Brasil, que acaba de comprar os direitos de publicação do autor no país.

A HarperCollins pretende editar toda a obra de Tolkien. Começa por “Beren e Lúthien”, publicado cem anos após ter sido escrito e ainda inédito em língua portuguesa. Chega às livrarias em novembro.

Anúncio na pagina da HarperCollins em sua page oficial do Facebook

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Um mundo para crianças: J. R. R. Tolkien, O Hobbit: ou Lá e de Volta - C. S. Lewis


Muitas vezes visto como um elemento menor diante de O Senhor dos Anéis, a história de Bilbo foi essencial para o trabalho de Tolkien. No aniversário de 80 anos do lançamento do clássico O Hobbit de J.R.R. Tolkien, o Golem trás uma resenha especial. Publicada no Times no dia 2 de outubro de 1937, sob autoria anônima, o texto classificava o livro como um "clássico". Um elogio vindo de seu grande amigo C. S. Lewis, escritor que publicaria, anos depois, a famosa série de livros de fantasia As Crônicas de Nárnia.

As editoras afirmam que O Hobbit, embora muito diferente de Alice, se assemelha com o conto por ser tratar do trabalho de um professor. Uma verdade mais importante é que ambos pertencem a uma classe muito pequena de livros que não têm nada em comum, exceto o fato de nos admitirem em um mundo próprio deles - um mundo que parece ter acontecido muito antes de nós tropeçarmos em direção a eles, mas que, uma vez encontrado pelo leitor certo, torna-se indispensável para ele. Seu lugar é com Alice, Flatland, Phantastes, The Wind in the Willows. [1]

Definir o mundo d'O Hobbit é, obviamente, impossível, porque ele é novo. Você não pode antecipar isso antes de ir lá, assim como não pode esquecer depois de ter lá ido. As admiráveis ilustrações e mapas de Mirkwood e Goblingate e Esgaroth, feitas pelo autor, dão um leve indício - assim como os nomes do anão e do dragão que prendem nossos olhos quando folheamos pela primeira vez as páginas. Mas há anões e anões, e nenhuma receita comum para histórias de crianças lhe dará criaturas tão enraizadas em seu próprio solo e história como as do professor Tolkien - que, obviamente, sabe muito mais sobre elas do que ele precisa para esse conto. Menos ainda, a receita comum nos preparará para a mudança curiosa dos começos de sua história ("hobbits são pessoas pequenas, menores do que anões - e não têm barbas -, mas muito maiores do que Lilliputians") [2] ao tom de saga dos capítulos posteriores ("Está na minha cabeça perguntar que parcela de sua herança que você teria pago a nossa família se tivesse encontrado o tesouro desprotegido e nós mortos"). [3] Você deve ler para si mesmo para descobrir quão inevitável é a mudança e como ela acompanha a jornada do herói. Embora tudo seja maravilhoso, nada é arbitrário: todos os habitantes de Wilderland parecem ter o mesmo direito inquestionável de sua existência como os de nosso próprio mundo, embora a criança afortunada que os encontre não terá ideia - e seus não-iniciados familiares mais velhos muito menos - das fontes profundas em nosso sangue e em nossa tradição a partir das quais eles brotam.

Assim, deve ser entendido que este é um livro para crianças apenas no sentido de que a primeira de muitas leituras pode ser realizada no berçário. Alice é lida seriamente por crianças e com riso por adultos; O Hobbit, por outro lado, será mais divertido para seus leitores mais jovens, e apenas anos depois, em uma décima ou uma vigésima leitura, eles começarão a perceber o que a erudição hábil e a profunda reflexão fizeram para que tudo nele seja tão maduro, tão amigável e, a seu modo, tão verdadeiro. A previsão é perigosa: mas O Hobbit pode muito bem ser um clássico.

Revisão publicada no Times Literary Supplement (2 de outubro de 1937), 714.

1. Flatland (1884) do escritor Edwin A. Abbott e Phantastes (1858) do escritor George MacDonald .

2. O Hobbit - Lá e de Volta Outra Vez (1937), Capitulo 1.

3. Ibid., Capitulo 15.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Notícias: Lovecraft, Tolkien, Gustavo Ávila e a III Feira Intergaláctica

NOVA TIRAGEM


Desde que a editora Ex-Machina anunciou que faria a seleção de contos do autor Lovecraft Contos reunidos do mestre do horror cósmico, muitos foram comprados e foi feito uma nova tiragem estará à venda em apenas duas livrarias de São Paulo; na Loplop: Livraria de Arte e na Flanarte Livros e no site da Editora Ex Machina (disponível apenas em meados de junho).

Para os descrentes, o CEO da editora é Bruno Costa, conhecido como o idealizador e editor da Coleção Lovecraft da Hedra, um cartão de visitas respeitável. A Coleção da Hedra aborda vários contos e obras não fixionais como o volume A cor que caiu do espaço, que também é composto por Notas sobre uma não entidade, o mais longo relato autobiográfico escrito por Lovecraft, A confissão de um cético, breve ensaio em que o autor traça a evolução dos próprios interesses religiosos, científicos e filosóficos ao longo da vida, e Notas sobre ficção interplanetária.

Brinde da Editora: Pôster surpresa A2 com efeito fosforescente
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100 ANOS DEPOIS DE ESCRITO, NOVO LIVRO DE TOLKIEN CHEGA AOS FÃS


Escrita por Tolkien logo após seu retorno da Primeira Guerra Mundial, The Tale of Beren and Lúthien é uma declaração de amor do escritor à sua esposa, Edith. Depois da morte do casal, os nomes de Beren e Lúthien foram grafados nas lápides dos Tolkiens.

Editado por Christopher Tolkien, filho do autor, a história traz o romance entre Beren, um humano, e a elfa Lúthien. A história dos dois é mencionada por Aragorn em A Sociedade do Anel, que revisita a relação do casal por sonhar com sua amada Arwen.

Tolkien escreveu várias versões dessa história durante sua vida, e o livro da Harper-Collins reúne várias delas, incluindo algumas que nunca foram publicadas anteriormente. A ideia do volume é mostrar como a trama de amor evoluiu durante a carreira de Tolkien.

O Conto de Beren e Luthien por Jian Guo
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LANÇAMENTO: O SORRISO DA HIENA


Um dos publieditoriais mais bem sucedidos dos últimos tempos, O Sorriso da Hiena  de Gustavo Ávila anunciou o lançamento pela Verus e no dia 17 desse mês ele lança a nova versão do livro em São Paulo. Entre a edição original e a nova, a arte da capa foi mantida, mas foi feita algumas alterações. Repensaram a diagramação do título - junto com o diretor de arte responsável pela capa original, Rivadávia Coura. A cor da criança na cadeira e sua sombra que se projeta no chão antes vermelha, como se fosse um "vazado" na imagem da hiena se tornou preta. Isso foi feito para destacar o título, o tornando muito mais legível, principalmente a certa distância.

Sobre os direitos da obra vendidos para a Rede Globo, o autor comenta em uma entrevista que não sabe qual é a ideia dos idealizadores da obra cinematográfica por ser um tipo de projeto demorado, com muitas etapas - "E na verdade, agora nem penso muito nisso. Já não está em minhas mãos, então meu foco agora é escrever as outras histórias e deixar essa questão rolando".



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III FEIRA INTERGALÁCTICA

Sim, é isso mesmo! A Editora Aleph ira realizar no dia 10 desse mês a sua Terceira Feira Intergaláctica, com todos os livros com desconto entre ​30% a 70% ao longo do tempo eles vão lançar a programação em suas redes sociais

Até agora confirmados temos os bate-papos: Julgando o livro pela capa às 14h com Pedro Inoue, designer responsável pelas capas e projetos gráficos dos livros Laranja Mecânica 50, 2001, Forrest Gump, Neuromancer 30, entre outros, falando sobre a importância de se pensar a arte para uma capa de livro, como equilibrar algo visualmente atrativo e que converse com o fã e ao mesmo tempo funcione comercialmente e As fronteiras da ficção científica do leste europeu às 15h30 com André Cáceres, escritor e colaborador do O Estado de S. Paulo e Cláudia Fusco, pesquisadora e mestre em estudos de ficção científica pela Universidade de Liverpool, falarão sobre as características da produção de ficção científica no leste europeu, sua importância e como podem se diferenciar da literatura norte-americana – sem esquecer de abordar os clássicos que acabamos de lançar, Nós e Solaris. Mediação Fernando Barone, editor da Conrad Editora.

Todos os lançamentos estaram também com desconto: Duna, Nós, Solaris, Um Estranho Numa Terra Estranha, Os Despossuídos e Leviatã Desperta.




segunda-feira, 3 de abril de 2017

Legends of Tomorrow | ARUBA - Final da 2ª temporada terá Laurel Lance e J.R.R. Tolkien [ATUALIZADO]


Amanhã será o último episódio de Lendas do Amanhã, série de TV que reúne heróis e vilões que viajam no tempo para salvar o mundo de mudanças bruscas: George Lucas desistindo de ser cineasta, George Washington ser morto pelos ingleses, etc.

Enfrentando a Legião do Mal formada com Eobard Thawne o Flash Reverso, Damien Darhk, Malcolm Merlyn, Capitão Frio, eles buscam destruir a Lança do Destino, da qual é capaz de "reescrever a realidade".

Para destruir a lança, as Lendas vão atrás de J.R.R. Tolkien que fez muitas pesquisas sobre Sir Gawain, que possuía um pouco do sangue de Cristo. Eles o encontram na Batalha do Somme, em 1916. Tolkien leva as Lendas até o túmulo, onde são atacados por Damien Darkh e Leonard Snart, que a Legião recrutou antes dele se juntar ao time original das Lendas, roubando a lança e mudando toda a realidade. O time volta às trincheiras da Primeira Guerra Mundial para combater a Legião do Mal e impedir que tudo o que tem se torne uma grande mentira. Vídeo promo abaixo:



Além de Tolkien interpretado por Jack Turner, o episódio terá a participação de Laurel Lance (Katie Cassidy)Uma imagem do roteiro divulgada pelo produtor Marc Guggenheim em seu Twitter.

PARA QUEM DESEJA VER O EPISÓDIO, É SÓ CLICAR NO LINK



terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Chesterton: príncipe do paradoxo, pai do fantástico

O primeiro Especial de Natal feito pelo blog faz uma homenagem ao mundo ficcional em si. O homem que influenciou Tolkien, Howard e Lewis e a criação de Hiboria, Terra Média e Nárnia merecia uma breve e singela homenagem.

Nascido em Londres no ano de 1874, G.K. Chesterton foi um dos intelectuais mais influentes do último século. Anglicano, se converteu ao catolicismo como John Henry Newman e Henry Edward Manning: através do movimento anglo-católico.

Autodidata, foi criador de tipos variados. Poeta, ensaísta, narrador, jornalista, crítico literário, filósofo, teólogo, biógrafo, desenhista, ativista político, apologista... (ufa!) travou debates acalorados com os ateus mais notáveis do século (Bernard Shaw, Robert Blatchford, Bertrand Russell e Clarence Darrow). Irônico porém educado, respeitava seus adversários com "o lado secreto da nobreza".

Herdeiro da Era Vitoriana e uma sociedade pós-cristã, profetizou os grandes conflitos que levariam à segunda Guerra Mundial. Contemporâneo de escritores como Oscar Wilde, H.G. Wells, Conan Doyle, Agatha Christie, James Joyce, Thomas Hardy, W.B. Yeats, Virgínia Woolf e Rudyard Kipling se distinguiu de todos os que o cercavam pelo seu jeito despojado, seu estilo incisivo e a facilidade de rir de si mesmo. Se tornou o "príncipe dos paradoxos", fraseando coisas que soam óbvias, mas de formas improváveis.

Com a fama literária, veio o convite para palestras e conferências - dentro e fora da Inglaterra e a aquisição de novos e importantes amigos: Joseph Conrad, Henry James, Winston Churchill e Thomas Hardy (para citar apenas alguns).

Em 1910 seu livro O que há de errado com o mundo é mal recebido pela crítica mais por culpa dos editores que trocaram o título original O que há de errado? expandindo para O que há de errado com o mundo e omitiram seu ponto de interrogação. Quando Chesterton escreveu o livro, ele ainda não tinha certeza sobre o que havia de errado com o mundo, mas ele estava bastante seguro em relação ao que havia de certo com ele. Nele apresenta seus pensamentos e teorias sobre propriedade privada, educação, família, apontando criticas ao sistema capitalista e o comunista e propondo o distributivismo mas foi somente em 1927 que Chesterton elaborou os detalhes de sua filosofia social no livro intitulado Um esboço de sanidade. Já convertido ao catolicismo, descobriu que seus princípios sociológicos já haviam sido endossados muitos anos antes na encíclica Rerum Novarum do papa Leão XIII, escrita em 1897. Defendida pelos pensadores católicos, o distributivismo é uma teoria que segundo a qual a propriedade privada é um bem a que deve ter acesso senão a totalidade ao menos a maioria dos agentes sociais. O que há de errado no mundo defende que, mesmo sendo fácil achar consenso na identificação e crítica dos erros que encontramos na sociedade, a essência está em concordar que solução adequada propor. Mesmo sendo uma obra de não-ficção, Chesterton nos apresenta dois personagens: Hudge e Gudge. Bom na verdade três: ele também apresenta Jones. Hudge e Gudge são os inimigos de Jones. Resumindo, Hudge é o Grande Governo e Gudge o Grande Negócio. E Jones? Jones é o homem comum.

Esse homem, Jones, sempre desejou coisas ordinárias; ele se casou por amor, escolheu ou construiu uma pequena casa que lhe serviu como um casaco; ele está pronto para ser um grande avô e herói local

Mas algo saiu errado. Hudge e Gudge têm conspirado contra Jones para tomar dele sua propriedade, sua independência... e dignidade.

Também ficou famoso por suas biografias. O querubim gigantesco (apelido dado a ele por Shaw) escreve a biografia do poeta Robert Browning (1903) que lhe rende o convite para assumir a cátedra de literatura da então recém-criada Universidade de Birmingham, Leo Tolstoy(1903) com Edward Garnett e George Herbert Perris, e Charles Dickens (1906) arrancando elogios da filha do biografado, de André Maurois e T. S. Eliot que dizem ser um dos melhores estudos sobre o romancista inglês, São Francisco de Assis (1923), Robert Louis Stevenson (1927) e Chaucer (1932) mas foi com São Tomás de Aquino (1933), cujo valor foi atestado por Étienne Gilson, famoso filósofo tomista, que a considerou o melhor livro jamais escrito sobre São Tomás:

Considero, sem comparação alguma, que é o melhor livro jamais escrito sobre Santo Tomás. Só um gênio podia fazer algo assim. Todo o mundo admitirá, sem nenhuma dúvida, que se trata de um livro inteligente; mas os poucos leitores que tiverem passado vinte ou trinta anos estudando Santo Tomás de Aquino e publicado dois ou três volumes sobre o tema terão de reconhecer que a chispa de gênio de Chesterton lhes deixou ao rés do chão a erudição. Tudo o que eles tentavam expressar desajeitadamente em fórmulas acadêmicas foi expressado por Chesterton.

Para entender essa declaração, Gilson tinha escrito mais de três livros sobre o tema, sendo na época o maior e mais reconhecido especialista em São Tomás e Idade Média do Mundo. A obra ainda foi tomada pelo Pe. Gillet, Mestre-Geral da Ordem dos Dominicanos (ordem monástica de São Tomás) como bibliografia básica sobre o grande santo dominicano e suas ideias.

INFLUENCIADOS

Foi em um dos capítulos de seus livros mais famosos, Ortodoxia (1908), que deu claramente a base para Tolkien criar a Vila dos Hobbits (mais especificadamente A Ética da Terra dos Elfos). Misturando mitologia nórdica com os valores cristãos, onde a menor e mais humilde criatura se ergue para enfrentar perigos jamais imaginados, Tolkien criou um Novo Mundo baseado no Mundo Antigo.


O Moinho da Vila dos Hobbits, por J. R. R. Tolkien (tirado do site Tolkien Brasil)

Sendo escrito como resposta a uma provocação de G.S. Street, Ortodoxia é a continuação individual de Hereges, obra que faz críticas a muitos de seu ciclo de convivência, apontando para cada escritor seus vícios. Oscar Wilde por seu esteticismo aético, H.G. Wells por seu historicismo naturalista, Bernard Shaw por um socialismo desumanizador, George Moore pelo subjetivismo ético e Rudyard Kipling pelo seu pensamento discriminatório e imperialista.



Capa do livro de Chesterton, Hereges, feita para Ecclesiae.

Se afastando da imprensa depois da morte do pai, dedicou os anos de 1923 e 1924 para redigir com tranquilidade O Homem Eterno (1925), em que expunha a sua filosofia da História, tendo como eixo o mistério de Deus encarnado - uma clara resposta ao livro História Universal de H. G. Wells, se colocando contra a visão cética, naturalista e evolucionista do amigo. Esse livro foi crucial para a conversão de Lewis, que acabou por se tornar também um dos apologistas cristãos mais importantes do século passado.


Ilustração: Dave Stevenson. Foto: Norman Parkinson/Corbis

Sua influência sobre Robert E. Howard é salientada logo na introdução do livro O Mundo Sombrio por S. T. Joshi e reforçada na biografia de Robert E. Howard por Rusty Burke. Com um conceito de que passasse as eras e o que fica é a moral, ele abriu a porta para a criação da Era Hiboriana, onde Conan foi mostrado com muitas facetas. Nela, Conan foi rei, ladrão, marinheiro, mercenário e outras profissões marginais que dependiam exclusivamente de inteligência e de força física.



Adaptação do conto A torre do elefante de R.E.H por Roy Thomas e arte de John Buscema a Alfredo Alcala

Se sua obra contribuiu para a criação de universos tão vastos, foi em um jornal familiar, o G.K.’s Weekly, fundado em 1926 junto com seu irmão Cecil, que o escritor abriu as portas para George Orwel, que em 1928 publicou seu primeiro artigo. Há especulações que um de seus romances mais famosos, 1984, seria uma resposta ao Napoleão de Notting Hill (1904) - obra preferida de Neil Gaiman, que homenageou o autor transformando no personagem de Sandman, Fiddler's Green.

Edição do jornal G.K.’s Weekly da família Chesterton
Em A Esfera e a Cruz, espécie de romance simbólico e apocalíptico, reaparece o personagem obsessivo de Chesterton, em luta implacável, mas por fim, cordialíssima, com o ateísmo desvairado da época, serve de base para Kafka e seu livro O Processo. Sobre o Chesterton, Kafka afirma: Ele é tão feliz que posso facilmente acreditar que encontrou Deus.

Uma das crenças de Chesterton era que os contos de fada eram a forma mais moralizante de se educar uma pessoa. Com eles, se pode enfrentar a realidade, mesmo que a mais dura, de uma forma não conformada mais otimista.

Toda a felicidade do país das fadas está por um fio, um único fio. Cinderela pode ter um vestido tecido em teares sobrenaturais e reluzente com um brilho que não é deste mundo; mas deve estar de volta quando o relógio bater as doze horas. O rei pode convidar fadas para o batizado, mas deve convidar todas, ou haverá conseqüências terríveis. A esposa de Barba Azul pode abrir todas as portas menos uma. Quebra-se uma promessa feita a um gato, e o mundo todo desmorona. Quebra-se uma promessa a um anão amarelo, e o mundo todo desmorona. Uma garota pode ser a esposa do Deus do Amor em pessoa se nunca tentar vê-lo; ela o vê, e ele desaparece. Uma garota recebe uma caixa com a condição de não a abrir; abre-a, e todos os males do mundo escapam para cima dela. Um homem e uma mulher são colocados em um jardim com a condição de não comerem uma fruta; comem-na, e perdem a alegria em todas as frutas da terra. - G. K. Chesterton, do livro Considerando todas as coisas (1908)
Dono de uma pena arguta, sutil e envolvente, Gilbert Keith Chesterton deixou marcas inesquecíveis em mestres da literatura como Hemingway, Borges, García Márquez e T. S. Eliot. Como se não bastasse, seus textos influenciaram decisivamente líderes de movimentos de libertação como Michael Collins (Irlanda), Mahatma Gandhi (Índia) e Martin Luther King (Estados Unidos).

Morreu em sua casa na cidade de Beaconsfield, em Buckinghamshire, Inglaterra, aos 62 anos, no dia 14 de Junho de 1936. Recebeu a extrema-unção de seu amigo Padre O’Connor (que o inspirou a criar um dos maiores detetives da época, o Padre Brown). O Papa Pio XI - que já tinha citado em suas homilias os livros de Chesterton - em telegrama ao povo da Inglaterra, escreveu: Santo Padre profundamente consternado morte de Gilbert Keith Chesterton, devoto filho Santa Igreja, dotado defensor da Fé Católica.


NOTA:
Certa vez o jornal London Times pediu a alguns escritores que respondessem à pergunta: "O que há de errado com o mundo?".

Chesterton enviou a resposta mais sucinta:

Prezados Senhores:
Eu.
Atenciosamente, G. K. Chesterton


BIBLIOGRAFIA

Maravilhoso Mundo Louco

Sociedade Chesterton Brasil

Feedback Magazine

Sociedade Chesterton Portugal

Divina Dádiva

Revista Filosofia

Contos de fadas e outros ensaios literários - G. K. Chesterton - Livraria Resistência Cultural Editora.