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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

ESTÃO EM FINANCIAMENTO NO CATARSE:

🚨🚨🚨🚨🚨 ATENÇÃO🚨🚨🚨🚨🚨
ESTÃO EM FINANCIAMENTO NO CATARSE:

Organizado por Fabrício Corradini e trazendo autores como Maurício Coelho e Rodrigo Ortiz Vinholo, “O Signo do Vampiro” apresenta poemas e contos com versões diferentes e peculiares desta criatura que há tempos assusta e fascina a humanidade. 🧛 

"Os salgueiros e outros assombros da natureza" é um colab entre as editoras Ex Machina e Clock Tower que trazem pela primeira vez em edição criteriosa, comentada e ilustrada a obra de Algernon Blackwood no Brasil, com intro e notas de S.T. Joshi. Reunindo as cinco narrativas longas mais importantes do autor, sendo duas delas inéditas em português, o volume traz mais de 300 páginas de conteúdo com ilustrações de Alexandre Teles. 🍃 Link: https://www.catarse.me/salgueiros

Outro colab de editoras - dessa vez, a Clepsidra e a Aetia - é a edição crítica e repleta de extras do clássico Frankenstein (1818), de Mary Shelley, que se preocupa em explorar a trajetória da obra desde sua concepção até seu desenvolvimento nos palcos teatrais e no cinema. Quinto volume da coleção Imaginário Gótico, ele se baseia no texto de 1831, mas rastreia todas as alterações efetuadas pela autora em relação à de 1818 (incluindo traduções extras dos trechos alterados e suprimidos). 🧟‍♂️

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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

Entre vimeiros e lagos: sobre Algernon Blackwood (Edição Ex-Machina e Clock Tower)

Fábio Fernandes nos lembra que antes da ficção científica surgir como gênero literário assumido, ela já presente bem antes da fantasia moderna se consolidar com J.R.R. Tolkien e seus seguidores. A Weird Fiction (termo sem tradução exata para o português, mas que aproxima em nossa língua como “ficção do estranho” ou “ficção do bizarro”) já mexia com a imaginação dos leitores desde o século XIX. Pavimentaram o gênero nomes como Sheridan Le Fanu (creditado não só por ser precursor do gênero como criador do termo), William Hope Hodgson, Arthur Machen, Lord Dunsany, H.P. Lovecraft (seu principal propagador), Clark Ashton Smith, Robert E Howard e o autor mais esquecido, porém com uma das obras mais comentadas, Algernon Henry Blackwood.

Inglês nascido em 1869, Algernon Blackwood foi jornalista e narrador de TV, sendo um dos mais prolíficos escritores de histórias de fantasmas na história do gênero. Geralmente, o autor é lembrado como um escritor de histórias de fantasmas eduardianas (pertencentes a Era Eduardiana), que, por meio de seu detetive sobrenatural John Silence, fornece uma ligação entre Dyson de Arthur Machen e Carnacki de Hope Hodgson. No geral, como lembra Oscar Nestarez, suas histórias são mais comentadas do que lidas. Suas narrativas raramente — ou nunca — foram publicadas no Brasil, vítimas do desinteresse de editoras, mas que são incensadas por gente de alta patente: como o próprio Oscar e também Howard Philips Lovecraft. O que dizer de Os Salgueiros, que nos mostra uma ruptura, desfamiliarização e angústia sem incluir nenhuma menção ao sobrenatural?


Blackwood é tristemente obscuro, sendo, sem dúvida, a figura central na literatura sobrenatural britânica do início do século XX, mesmo tendo alcançado fama apenas em seus últimos anos como contador de contos de fantasmas no rádio e na televisão britânicos.

Perceba, Vernon Lee (o apelido de Violet Paget), Arthur Machen e M.R. James produziram seus melhores trabalhos no final da Era Vitoriana. Hauntings de Vernon Lee, coletânea destacada por seu perturbador "Amour Dure" (presente na coletânea de Contos fantásticos do século XIX escolhidos por Italo Calvino), surgiu em 1890. As principais obras de Machen, como The Great God Pan (1894), foram produtos boêmios das décadas de 1870 e 1880 de Londres. Ghost Stories of an Antiquary de M.R. James, mesmo publicado em 1904, era a reunião de narrativas lidas em Cambridge durante a época do Natal ao longo da década anterior. Já os primeiros textos de Blackwood começaram a aparecer em revistas no início dos anos 1900, lançando um escritor que teria em seu portfólio duzentos contos e uma dúzia de romances publicados ao longo de mais de quatro décadas. Suas histórias transitam no limiar entre o sobrenatural e psicológico, lidando às vezes com as formas da natureza que esmagam a humanidade, entregando o melhor dos dois mundos. Não posso deixar de me perguntar se a razão de Algernon Blackwood não ter o tipo de reconhecimento como os outros hoje é devido à diferença nas raízes do medo.


Elegante e envolvente, ele naturalmente mergulha os sentidos, tanto dos personagens e dos leitores, em um clima desorientador. Fantasmas e forças naturais brotam como fonte de horror em narrativas distintas, elucidando visões e sensações propiciadas pela essência dos seres em um plano espiritual mais elevado, usando muitas vezes os versos de Percy Shelley como pano de fundo. No Brasil, sua publicação foi esparsa, sendo raramente reunida. Seu conto Velhas Feitiçarias apareceu na antologia produzida no meio dos anos 40: "Os Mais Belos Contos Alucinantes" da Editora Vecchi, ao lado de Ratos na Parede de Lovecraft, A volta do Feiticeiro de Clark Ashton Smith e O Sortilégio dos Russos de M.R. James; outro conto seu, A Estranha Morte de Morton, de 1910, veio a ser publicado em "Herdeiros de Drácula" de 2016, também ao lado M.R. James e Vernon Lee. Uma seleção foi realizada e traduzida pela escritora Heloísa Seixas em 2001 pela Editora Record chamada A Casa do Passado. Mais recentemente, em 2019, uma edição bilíngue de Os Salgueiros saiu pela Editora Empíreo com tradução de Stefano Danin e Anna Civolani e, também em 2019, uma edição independente, A Casa Vazia (2019) da Editora Clube de Autores que não precisa de comentários (e para alguns, nem merece ser lembrada!).

Se esse volume chegou em você, mergulhe com calma na cadência narrativa unheimlich e deixe o espírito melancólico do estranhamento te guiar.

Algumas notinhas de Instagram:

Para H.P. Lovecraft, o texto Os Salgueiros de Algernon Blackwood é “a melhor weird story que já lera” (conforme ele afirmou em carta para o também escritor Vincent Starrett). O autor lida com um tipo bem específico de horror: o pavor do desconhecido, daquilo que não pode ser compreendido, quantificado ou ponderado racionalmente. É sem dúvida um tema recorrente entre Lovecraft e os autores do Mythos. Em Blackwood, o leitor nunca sabe exatamente o que são as criaturas, jamais sabe o que deseja os monstros, e as narrativas simplesmente tem muitas lacunas deixadas incompletas, muitos mistérios em aberto.


Os escritos de Blackwood inspirariam e influenciariam inúmeros autores - H.P. Lovecraft, Clark Ashton Smith, William Hope Hodgson e George Allan England para citar alguns. Entre os autores, um jovem estudante inglês de 15 anos quando Os Salgueiros foi publicado: J.R.R. Tolkien. Tolkien citaria Blackwood como a fonte de sua frase icônica "the Crack of Doom" (Fendas da Perdição). Mais do que isso, porém, os temas de Blackwood de natureza malévola são encontrados em todos os escritos de Tolkien. O Velho Salgueiro-homem e seus "labirintos astutos" na Floresta Velha, Monte Caradhras, TrevaMata, Fangorn, os Ents... a lista continua. Por comparação, o Wendigo de Blackwood captura, corrompe e imita suas vítimas para horror de seus companheiros, os Nazgûl de Tolkien também capturam outros e os transformam em espectros como eles.


Para saber mais sobre o financiamento coletivo, clique nesse link.

domingo, 24 de outubro de 2021

ENTRE RAIOS E FAUNOS


Embora se atribua a escritora Gertrude Barrows Bennett a criação do subgênero Dark Fantasy nas revistas pulp dos anos 1920, estudiosos chamam a atenção para o conto A Máscara da Morte Rubra (1842) de Edgard Allan Poe como o primeiro a mesclar a fantasia com horror. A Dark Fantasy normalmente se caracteriza por histórias medievais (mas, nem sempre) que tenham como pano de fundo o horror e uma sensação de decadência e luta pela sobrevivência em meio a perigos de todos os tipos. Certamente um fato incontestável é a dificuldade de delimitar as fronteiras que separam a fantasia do horror e as que as une. Os demônios de Peter V. Brett, as batalhas violentas de Gary Whitta, o fascinante mundo pós-apocalíptico de Mark Lawrence e os incríveis cavaleiros de dinossauros de Victor Milán nos dão um mapa das temáticas pertencentes a esse gênero. Outro escritor que se aventurou nessa temática foi Arthur Llewellyn Jones.

Galês nascido em 1863, Caerleon, Reino Unido, Arthur Machen é mais lembrado pelos estudiosos pela novela O Grande Deus Pã (1894), produto boêmio das décadas de 1870 e 1880 de Londres, com seus melhores trabalhos sendo produzidos no final da Era Vitoriana que tem conexões no mínimo interessantes com autores contemporâneos. Stephen King no livro Revival (2014) diz que essa obra o assombrou a vida toda. Guillermo del Toro e seu O Labirinto do Fauno (2006) tem muitas "coincidências" narrativas: ambas são todas sobre garotas que estão em contato com estranhos outros mundos e veem esses mundos como fascinantes e arrebatadores, mas o público normalmente capta as imagens ocultas perturbadoras do presente. Machen e sua obra resistiram nas periferias do conhecimento literário, sendo o tipo de escritor cujo nome a maioria das pessoas não sabem ao certo como pronunciar (para os curiosos, é "makken").

Suas narrativas raramente foram publicadas no Brasil, vítimas do desinteresse de editoras. Estamos tratando, basicamente, de um autor que ficou em algum lugar no limiar, na transição de estilos entre M.R. James e H.P. Lovecraft. Os leitores modernos apreciam particularmente a maneira como ele apresenta o queria ser denominado de psicogeografia — os efeitos do ambiente geográfico sobre as emoções e os comportamentos sociais da sociedade civil e dos indivíduos de forma organizada ou não — de Londres e suas dobras ocultas, adiantando muitas das temáticas trabalhadas por Neil Gaiman e outros. Seu detetive sobrenatural, Dyson, atravessa a cidade como um cavaleiro medieval consagrado enfrentando assombrações por onde vai.

Sua obra é uma coisa incrível, embora o terror que seus primeiros escritos possam não ter sentido depois de um século após a composição, já que nossa sociedade está acostumada com a violência social decorrente do atual choque de civilizações e o mau gosto. Como em O médico e o monstro (1886) do autor escocês e seu contemporâneo Robert Louis Stevenson, o Pã de Machen não ameaça a sociedade vitoriana moralista, mas sim emana de seu coração sombrio e perverso. Mesmo quando confrontados com perigos sobrenaturais, os protagonistas de Machen não sentem a necessidade de feitiços protetores ou explicações racionais: eles apenas querem testemunhar as belezas sombrias da vida (por mais horríveis que sejam). Uma das figuras mais importantes da Idade de Ouro da ficção weird, e seus romances e contos influenciaram fortemente o tripé da Weird Tales: H.P. Lovecraft, Robert E. Howard e Clark Ashton Smith. Todos os três permanecem imensamente populares entre os leitores. Muito de seu trabalho foi difícil de obter, permanecendo enterrado em revistas e jornais obscuros de um século atrás ou publicado em caras edições limitadas.

Ninguém merece ser recuperado e lido mais do que Arthur Machen. Ele nunca recebeu uma publicação completa adequada de seus contos no século passado, e muitos de seus melhores trabalhos estão há muito tempo esgotados. No Brasil, uma forte onda de publicações foram reunidas nas primeiras décadas deste século, mas sem apresentar alguma diversidade temática. A Editora Clock Tower trouxe um grande compilado de contos com O Mestre do Oculto (2017), a Editora Iluminuras publicou O terror (2000), a Pyro Books trouxe O Povo Branco e O Selo Negro (2020), a Penalux e Corvus publicaram respectivamente, O Grande deus Pã (um em 2016 e outro 2020). Então faça: vá e compre mais esse volume e propague as palavras desse maravilhoso autor.



sexta-feira, 9 de abril de 2021

Rumor: Solomon Kane terá nova edição pela editora Pipoca e Nanquim

 


Na noite dessa quinta-feira (8), durante uma live no perfil do Instagram do Fórum Conan: o Bárbaro com a Editora Clock Tower para divulgar o projeto Weird Western - Contos de Horror no Velho Oeste, uma antologia que busca trazer narrativas do subgênero Weird Western do autor, o pesquisador Marco A. Collares, exaltando o trabalho de editoras como a de Denilson Ricci, afirmou que o a Editora Pipoca e Nanquim fundada por Alexandre Callari, Bruno Zago e Daniel Lopes está em tratativas para trazer ao país uma nova edição do puritano inglês.

"A maioria das editoras do Brasil não tem o alcance da Pipoca e Nanquim. A Pipoca e Nanquim está fazendo excelentes trabalhos: Callari, Zago... os caras estão fazendo coisas de Conan, de Bran Mak Morn, vai vir Solomon Kane ano que vem, está quase certo." - disse o pesquisador durante a live.

Vale lembrar que a atual edição da Editora Generale tem tradução e introdução do próprio Callari, autor dos livros Quadrinhos no cinema: o guia completo dos super-heróis e da saga Apocalipse Zumbi, tradutor dos três volumes da Conan, o Bárbaro. Mais recentemente, a PN trouxe para o público sua edição de Bran Mak Morn - O Último Rei dos Pictos.

quinta-feira, 3 de setembro de 2020

Lovecraft Country | Referências literárias da nova série da HBO

Divulgação/HBO

Lovecraft Country, série criada por Misha Green com base no livro Território Lovecraft de Matt Ruff, é o principal lançamento da HBO para o mês de agosto. Produzida por Jordan Peele e J.J. Abrams, a série mistura elementos do terror cósmico de H.P. Lovecraft com a dura realidade de um Estados Unidos segregacionista dos anos 1950 para construir uma trama assustadora.

Confira abaixo as algumas referências literárias da série:

Indo da Flórida para Chicago, o personagem principal, o veterano da Segunda Guerra Atticus Black está lendo Uma Princesa de Marte, escrito por Edgar Rice Burroughs em 1912. Depois de ser transportado misteriosamente para o solo marciano, John Carter, um veterano ex-confederado da Guerra Civil, descobre que suas habilidades físicas foram ampliadas significativamente devido a menor pressão atmosférica e gravidade. Além disso, se vê envolvido no meio dos conflitos entre as raças marcianas. A Editora Regulus está trazendo esse livro em um financiamento coletivo e tem um projeto ambicioso: publicar todas as edições da série Barsoom. Além de criar esse universo, Burroughs criou e idealizou as aventuras do Tarzan, a série Caspak e inúmeros outros mundos fantásticos. Para saber mais, clique aqui.

Autor que nomeia o seriado, H.P. Lovecraft foi um homem criativo, mesmo sendo inegavelmente xenófobo e racista. Em uma cena, Atticus lembra a tio George que seu pai, Montrose, o fez decorar o poema On the Creation of Niggers que equipara os negros a semi-bestas que “preenchem o vazio” entre as bestas e os homens. Pai do horror cósmico como conhecemos, tem sua edição definitiva de seus Contos Reunidos reeditada em uma parceria da Editora Ex-Machina e Sebo Clepsidra. A nova edição da antologia apresenta todas as 61 histórias escritas por Lovecraft publicadas originalmente entre 1917 e 1935 e um corpus paratextual ciclópico, com mais de uma centena de páginas de material complementar, e do ensaio pioneiro Mitologia lovecraftiana: A totalidade pelo horror, de Caio Bezarias, em versão revista, ampliada e ilustrada. Para saber mais, clique aqui.

Como Atticus observa depois de George recitar “The children of the night ... what music they make” (Ouça-os... são os guardiões da noite. Que monumental protofonia!) é uma das frases mais famosas do romance de vampiros de Bram Stoker, Drácula, de 1897. Os vampiros inspiram os personagens a usar luzes para afastar os Shoggoths que os atacam na floresta, até que a luz solar os devolva à (relativa) segurança. A obra narrada de maneira epistolar, por meio de fragmentos de cartas, diários e notícias de jornal, a história de humanos lutando para sobreviver às investidas do vampiro Drácula, tentando impedir que a vil criatura se alimente de sangue humano na Londres da época vitoriana, no final do século XIX. Para saber mais, clique aqui.

Logo após Letitia, Atticus e tio George escaparem de Simmonville, Marvin Baptiste (irmão de Letitia) cita o autor Ray Bradbury do durante o jantar em sua casa. O autor, que completaria 100 anos em 2020, compôs um clássico da ficção científica e da literatura distópica, Fahrenheit 451. Escrito originalmente como um conto: "O bombeiro", contido no volume Prazer em Queimar: histórias de Fahrenheit 451, foi incentivado pelo seu editor a transformar a ideia inicial em um romance, que se tornou um dos livros mais influentes de sua geração – e também um dos mais censurados e banidos de todos os tempos. Para saber mais, clique aqui.

Em um delírio, tio George recapitula o final de A Casa No Limiar, romance de terror gótico de 1908 do autor William Hope Hodgson, que nos diz ser um de seus favoritos. Lançado pela Diário Macabro, o livro trás a narrativa citada: ao final do século XIX, em busca de dias tranquilos de pescaria, dois jovens viajam para um remoto vilarejo na Irlanda onde encontram restos de um manuscrito nas ruínas de um casarão. Em suas páginas emboloradas, encontram os registros das experiências de um velho recluso que há muito tempo habitou o local. Sua escrita revela uma série de eventos extraordinários e sobrenaturais, desde ataques de criaturas inomináveis a viagens oníricas e interdimensionais. Para saber mais, clique aqui.

Sendo mencionado nominalmente por tio George, Algernon Blackwood escreveu fantasia sobrenatural e terror na Grã-Bretanha do final do século XIX. Entre seus contos mais famosos está Os Salgueiros (história de horror preferida de Lovecraft) que retrata as aventuras de dois viajantes que descem de barco o Danúbio, rio que corta parte do leste europeu, e passam a viver um verdadeiro inferno de sons e sensações perturbadoras, cercados por salgueiros, em uma região pantanosa. Muitos de seus contos envolvem histórias de homens tendo encontros terríveis com uma espécie de natureza senciente. Para saber mais, clique aqui.

Também sendo mencionado nominalmente por tio George, Clark Ashton Smith foi poeta, escultor, pintor e autor americano de contos de fantasia, horror e ficção científica. Contemporâneo e amigo de Lovecraft, ele escreveu também sobre os famosos Mitos de Cthulhu, colaborando ativamente para o bestiário lovecraftiano com a criação de Tsathoggua no conto The Tale of Satampra Zeiros. Embora Smith se considerasse principalmente um poeta, tendo recorrido à prosa pela escassa soma financeira que recompensava, sua prosa pode ser melhor apreciada como uma poesia "desenvolvida". O autor está sendo trazido pela Editora Clock Tower em Além da Imaginação e do Tempo, um financiamento coletivo no Catarse. Para saber mais, clique aqui.

Somos informados de que O Conde de Monte, famoso romance do século 19 de Alexandre Dumas (também famoso pelos Três Mosqueteiros ) é o romance favorito de Montrose, pai de Atticus. O romance aborda a história de um marinheiro preso injustamente por um crime que não cometeu e foi lançado em folhetim ao longo de dois anos. O marinheiro planeja por anos executar uma fuga ousada de prisão, que inspirou claramente a própria escavação do túnel de Montrose fora do prisão onde o culto Braithwhite o confina. No dia 27 de agosto desse ano, para homenagear o autor, o Google fez um Doodle fazendo referência ao romance por conta da comemoração do aniversário da publicação do primeiro capítulo do livro no jornal parisiense "Les Journal des Débats", em 27 de agosto de 1884. Para saber mais, clique aqui.

No episódio "Uma História de Violência", o trio de heróis Atticus, Letitia e Montrose parte numa busca pelo cofre do fundador da Ordem da Antiga Alvorada, Titus Braithwaite. Essa busca os leva a um museu em Boston, e debaixo deste museu vão procurar as páginas de um livro. Eles vão andando pelas catacumbas que começam a se inundar, encontrando algumas criaturas sobrenaturais. Durante essa empreitada, Atticus até afirma: “Parece coisa do ‘Viagem ao Centro da Terra’”, do autor Júlio Verne. Rios de lava, mares subterrâneos, os primórdios da vida no planeta, fauna e flora pré-históricos, múmias de homens primitivos... Fruto da imaginação e do conhecimento de um dos pais da ficção científica, o livro é uma das obras mais originais e ousadas de seu tempo. Para saber mais, clique aqui.

O título do episódio, "Strange Case", foi tirado da novela de terror Strange Case of Dr. Jekyll e Mr. Hyde, conhecida e traduzida normalmente como O médico e o monstro de Robert Louis Stevenson. A história é a narrativa sobre um homem da ciência que usa um soro para se transformar em uma persona do mal e satisfazer seus desejos e depravações. Publicado pela primeira vez em 1886, esta instigante novela é um clássico do autor escocês Robert Louis Stevenson que inspirou desde Vladimir Nabokov e Jorge Luis Borges até Stan Lee. Para saber mais, clique aqui.

No mesmo episódio, durante a cena em que William abre Ruby para acelerar sua transformação, há uma reportagem na televisão sobre gafanhotos e seu processo de metamorfose. Ele lembra uma novela de Franz Kafka chamada Metamorfose, sobre um homem que acorda e se vê transformado em uma barata gigante. Essa pequena novela, lançada em 1915, revolucionou a literatura e as artes. De forma agressiva, acessível e inovadora, tornou-se um dos mais importantes e difundidos textos da história. Para saber mais, clique aqui.

Uncle Tom's Cabin, em português em A Cabana do Pai Tomas de Harriet Beecher Stowe, foi um romance antiescravista publicado em 1852. Extremamente popular em sua época, seu lançamento é considerado um dos vários momentos decisivos que impulsionaram o sentimento contra a escravidão e, por extensão, indiretamente iniciou a Guerra Civil. O romance também foi criticado por popularizar estereótipos tradicionais sobre os negros - o nome "Tio Tom", por exemplo, foi apropriado como pejorativo para os homens negros que são subservientes à autoridade branca. No livro, o tio Tom é espancado até a morte por seu mestre Simon Legree, após se recusar a revelar para onde seus companheiros escravos escaparam. Ele é retratado como uma figura de Cristo e perdoa seus assassinos em seus últimos suspiros. Este registro literário contribuiu intensamente para a abolição da escravatura. Basta observar que, dois anos depois de seu lançamento, surgiu o Partido Republicano, que abraçou a causa abolicionista. A autora chegou até mesmo a merecer do presidente norte-americano, Abraham Lincoln, esta consideração: "Foi a senhora que, com seu livro, causou essa grande guerra" (a guerra entre os estados). Dree foge das figuras do livro, que a perseguem por todos os lados. Para saber mais, clique aqui.

Obra de mesmo nome escritor por Matt Ruff, Território Lovecraft não é exatamente um romance. Com oito histórias curtas que se conectam, o livro pode ser entendido como uma espécie de antologia que possuem um delimitador comum que conduz a narrativa. Lançado pela Editora Intrínseca, o livro é um retrato caleidoscópico do racismo norte-americano e mostra acontecimentos envolvendo uma mesma família ou pessoas próximas a esse núcleo familiar que aos poucos vão descobrindo uma espécie de confraria secreta sobrenatural ao seu redor. Em um jogo de metalinguagem, o livro Lovecraft Country aparece na série escritor pelo filho de Atticus, George, no futuro. Tic diz que é a história da família Freeman, mas com alterações; Dee, por exemplo, é um menino chamado Horace, enquanto George e Hippolyta estão vivos e presentes na terra. Estas são mudanças reais que foram feitas durante a adaptação do romance original de Matt Ruff para a série da HBO. Para saber mais, clique aqui.

quinta-feira, 20 de agosto de 2020

Apoie: Projetos fantásticos no CATARSE!




Para os fãs de terror e fantasia, segue abaixo projetos que podem ser interessantes.




Exatamente hoje (20 de agosto de 2020, data de início dessa campanha), o escritor estadunidense Howard Phillips Lovecraft completaria 130 anos. Com o intuito de celebrar essa data, o escritor Maurício Coelho, em parceria com a Pará.grafo Editora, organizou uma coletânea de contos de horror cósmico inspirada no universo literário lovecraftiano.

Uma edição comemorativa e especial, com 22 contos criteriosamente selecionados, de escritores de diversas partes do Brasil. A obra recebe o prefácio de Nathalia Sorgon Scotuzzi, editora e pesquisadora de Literatura de Horror, e maravilhosas ilustrações do paraense Otoniel Oliveira. A capa foi ilustrada pelo artista Rodolfo Tavares e o projeto gráfico é de autoria do escritor e designer Dênis Girotto de Brito.

Para saber mais, clique aqui.



Contos reunidos do mestre do horror cósmico chamou a atenção dos aficionados por horror por ter um escopo editorial bem definido: apresentar em um único volume todos os contos (narrativas curtas) de H.P. Lovecraft na tradução criteriosa e fluente de Francisco Innocêncio, acompanhados de um extenso paratexto. Os artigos, escritos pelos principais pesquisadores brasileiros da obra de Lovecraft, a introdução e a supervisão editorial de S.T. Joshi (o maior especialista na obra e vida do autor), seu bestiário e sua filmografia alçaram-no a uma posição de destaque, e sua edição revista e ampliada (aguardadíssima após a primeira edição ter se esgotado) só reforça essa posição.

Mitologia lovecraftiana, a reedição revista, ampliada e ilustrada do livro A totalidade pelo horror, disponibiliza novamente o principal estudo nacional sobre o papel do mito na obra de H.P. Lovecraft. Esgotada há meses, a obra é a grande referência a todos os estudiosos e aficionados interessados nos chamados mitos de Cthulhu. Escrito em uma linguagem tão acessível quanto profunda, o livro é uma chave interpretativa que ressignifica e fornece bases para uma melhor compreensão de todo o universo lovecraftiano.

O Apêndice (agora ampliado) contém: 11 artigos e ensaios temáticos sobre diversos aspectos da obra e da vida de Lovecraft (são quatro a mais em relação à primeira edição, assinados por Caio Bezarias, Oscar Nestarez, Alexander Meireles da Silva e Alcebiades Diniz Miguel). A introdução é assinada por S.T. Joshi, o maior especialista na vida e na obra do autor;  Uma seleção de cartas inéditas em português com apresentação de S.T. Joshi, traduzidas por Francisco Innocêncio; bibliografia crítica do pesquisador e especialista em literaturatura fantástica Marcello Branco, que elenca (e reflete sobre) a bibliografia lovecraftiana no Brasil. A Bibliografia foi revista e atualizada para contemplar o mapeamento de novos títulos surgidos desde o lançamento da primeira edição; Cronologia da ficção lovecraftiana: Lista cronológica da ficção do autor preparada por S.T. Joshi (112 itens); Iconografia: 9 fotos de Lovecraft + o esboço de Cthulhu feito pelo autor; Filmografia lovecraftiana: são 29 filmes listados e comentados (na edição anterior, eram 12) pelos pesquisadores Edgar Indalecio Smaniotto e Marcelo Miranda. Cada verbete contém ficha técnica, referências de adaptação na literatura de Lovecraft e sinopse crítica. Os textos da primeira edição foram revistos e atualizados; as novas inserções incluem títulos de várias épocas e países, além de produções lançadas nos últimos anos, entre adaptações e filmes influenciados pela mitologia do autor. A mais completa e atualizada filmografia em português sobre Lovecraft no cinema; e o bestiário: conteúdo reformulado para esta segunda edição, com textos inéditos do pesquisador Marcelo Miranda em 15 verbetes com as descrições e as referências de entidades da mitologia lovecraftiana. O conteúdo está separado em três categorias: Raças, Deidades e Outras criaturas. Inclui ainda sugestões de leitura, indicações de filmes (para o leitor conhecer as diversas formas como as criaturas foram representadas no cinema) e ilustrações exclusivas do artista Tulio Caetano.

Para saber mais, só clicar aqui.



Tem de 18 dias restantes.

Edgar Allan Poe, H. P. Lovecraft, Nathaniel Hawthorne, Stephen King... esses e muitos outros escritores de terror dos Estados Unidos fazem parte de uma tradição que começou ainda no século XVIII, a literatura gótica norte-americana.

Transferindo o horror do castelo mal-assombrado europeu para a mansão, utilizado as paisagens inóspitas e inexploradas do continente e tratando de temas culturais específicos, como o caso das bruxas de Salem, o gótico nasceu nos Estados Unidos com sua cara própria.

Essa tradição foi oficialmente iniciada por um escritor chamado Charles Brockden Brown, reconhecido por ter escrito o primeiro romance gótico do país, chamado Wieland, ou a transformação. Agora, pela primeira vez, esse romance chega ao Brasil pelas mãos da Editora Diário Macabro! Para saber mais, é só clicar aqui.


Faltando apenas 16 dias para o fim da campanha, pela primeira vez vez em português, um livro totalmente composto pela obra de Clark Ashton Smith, um dos maiores escritores de horror e fantasia de todos os tempos!

Clark Ashton Smith (1893-1961) foi poeta, escultor, pintor e autor americano de contos de fantasia, horror e ficção científica. Devido a problemas de fobia, ele teve uma vida pobre e reclusa, casando-se muito tarde. Morou quase toda sua vida na cidade de Auburn (Califórnia) com seus pais, que o incentivaram em uma vida de estudos autodidata. Smith foi um grande criador de mundos imaginários e criaturas incríveis, tendo concebido através da escultura seus monstros antes mesmo de transportá-los para o papel.

Para saber mais, só clicar aqui.

quinta-feira, 9 de julho de 2020

CAMPANHAS NO CATARSE PARA APOIO



Já estão disponíveis para financiamento coletivo os projetos da Editora Clock Tower e Diário Macabro, respectivamente.

Escritor que formava o tripé da Revista Weird Tales com H.P. Lovecraft e Robert E. Howard, Clark Ashton Smith foi poeta, escultor, pintor e autor de contos de fantasia, horror e ficção científica. Foi por sua amizade literária com ambos que ele é lembrado principalmente hoje. Até hoje, nenhum de seus trabalhos foi lançado no Brasil, e a Editora Clock Tower precisa da sua ajuda para viabilizar um livro que reúne vários contos de Smith, já que os custos para publicação são altos, especialmente no que diz respeito aos direitos autorais, daí a necessidade do projeto via Catarse.


Charles Brockden Brown é o escritor conhecido como o "pai do romance americano". Seus romances góticos em cenários americanos foram os primeiros de uma tradição adaptada por dois dos maiores autores americanos antigos, Edgar Allan Poe e Nathaniel Hawthorne.

Seu primeiro romance, Wieland (1798), uma obra-prima da ficção americana, mostra a facilidade com que o equilíbrio mental é perdido quando o teste do senso comum não é aplicado a experiências estranhas. A história diz respeito a Theodore Wieland, cujo pai morreu por combustão espontânea, aparentemente por violar um voto a Deus.

François-Xavier Fabre: "Visiones de Saul", 1837

Para saber mais das campanhas da Clock Tower e Diário Macabro, é só clicar no nome delas e você será direcionado para suas páginas.

quinta-feira, 14 de maio de 2020

Notícias: Pyro Editora, Cartola Editora, Sebo Clepsidra e Editora Clock Tower


PYRO EDITORA E ARTHUR MACHEN

Dando inicio a coleção "Círculo Lovecraft" que pretende reunir as obras de autores ilustres que inspiraram o grande criador do Horror Cósmico, H. P. Lovecraft a Pyro Editora, editora com foco em horror e literatura fantástica, está com uma campanha de financiamento coletivo no Catarse, com a tradução dos contos O Povo Branco e O Selo Negro, de Arthur Machen.

As histórias escolhidas vêm da mais pura dark fantasy e contam sobre povos antigos e mágicos que supostamente teriam habitado a Terra milênios antes da chegada do homem. Com isso deixa a pergunta no ar: o que faríamos com a descoberta de que os seres feéricos são reais?

Em O Povo Branco gira em torno de uma jovenzinha que diz enxergar coisas que as pessoas comuns não podem ver. Ela questiona se não seria verdade tudo aquilo que sua avó e sua aia lhe contam, seja em forma de inocentes canções, ou de contos-de-fada… A verdade se aproxima de forma sucinta, e sua incursão e experiências nesse mundo novo e assombroso é narrada em forma de diário.

Já em O Selo Negro, um professor se depara com a descoberta de uma pedra negra marcada com estranhos símbolos; ele então mergulha em estudos especulativos, criando uma trama universal em torno da existência de seres antigos, mais velhos que a própria humanidade. A babá de seus filhos, uma jovem admiravelmente sagaz e ávida leitora de clássicos latinos, narra a história, participando dela ativamente com suas descobertas e sugestões. A contratação de um novo criado, um rapaz aparentemente ignorante, leva a narrativa para rumos inacreditáveis e novas e cruéis descobertas.

A campanha conta até o momento 56% de apoios.


CARTOLA EDITORA: ALMA ARTIFICIAL

O futuro chegou. Nele, homens e mulheres usufruem de uma grande quantidade de máquinas a seu serviço. Não há região no oceano que não tenha sido explorada, não há mais mistérios na Lua ou em Marte, onde, aliás, uma bela colônia está sendo aos poucos construída. Porém, nesse futuro, as máquinas começam a se rebelar, ocupando espaços que até então eram de seres humanos. O homem se vê primeiro sendo ultrapassado pela máquina em habilidades e depois igualado a ela em direitos.

Esse é o plot da nova antologia da Cartola Editora organizado por Alec Silva, Alma Artificial: histórias de máquinas e homens também está em financiamento pelo Catarse.


SEBO CLEPSIDRA: PRESUNÇÃO, OU A SINA DE FRANKENSTEIN

Entrou na última semana de financiamento coletivo do Sebo Clepsidra o livro Presunção, ou a Sina de Frankenstein (1823) do dramaturgo Richard Brinsley Peake. Esse é o primeiro volume da nova "Coleção Teatro Insólito", responsável por trazer traduções novas de clássicos da dramaturgia gótica e de horror inéditas em nosso país e esse livro é o primeiro exemplar da peça homônima.

A primeira versão teatral de Frankenstein a levar esse clássico gótico e protótipo da ficção científica aos palcos europeus. Nele, vemos a tragédia do Prometeu moderno pelo ponto de vista de Fritz, um ajudante do Dr. Frankenstein. Aliás, Fritz foi magistralmente interpretado por Dwight Frye no filme de 1931. Essa figura secundária, é importante notar, não existia no romance. Tanto o Fritz de 1931 quanto o Ygor de 1939 (interpretado por Bela Lugosi) são personagens extraídos dessa peça, e não do livro de Mary Shelley. A emblemática fala "It's alive", igualmente, não vem do romance, mas sim da peça, assim como a dificuldade de comunicação da criatura, que por um bom tempo só murmurava nos filmes.


CLOCK TOWER: PESQUISA DE INTERESSE

Pela 1ª vez no Brasil, um dos maiores mestres do horror e da fantasia poderá ser publicado. Grande amigo e influenciador de H.P. Lovecraft, a Editora Clock Tower pretende trazer em um volume contos de Clark Ashton Smith. A biografia do autor em pouco confere com o padrão normalmente associado a autores e artistas.

Com uma educação rudimentar e dedicado a serviços braçais, Ashton-Smith foi um autodidata e um ávido missivista, que se correspondeu com autores e artistas de todo o mundo. Sem curso superior, Smith trabalhava braçalmente, colhendo laranjas, cortando lenha ou, no final da vida, fazendo jardinagem. Devido à sua pobreza, desconexão da realidade política e econômica e falta de boas relações na região, Asthon-Smith acabou perdendo a propriedade herdada de seus pais.

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quarta-feira, 21 de novembro de 2018

O Sabujo - H.P. Lovecraft


EM MEUS TORTURADOS ouvidos ressoa um pesadelo zumbindo e vibrando incessantemente e o longínquo uivo de um gigantesco sabujo. Não é sonho. Temo ser plena loucura. Há muito tive essa piedosa dúvida. St. John é um cadáver dilacerado. Só eu sabia o motivo. E sei tanto, que estou a ponto de estourar meus miolos por medo de ser mutilado da mesma maneira. Sob escuros e ilimitados corredores de contos góticos, perambula e negra e informe Nêmesis, que me induz à autodestruição. - H.P. Lovecraft

Escrito em setembro de 1922 e publicado originalmente na Weird Tales em fevereiro de 1924, The Hound, traduzido como O sabujo. O título original é uma menção a um grupo de cães de caráter único, próprio e exclusivo por ter um poderoso olfato, servindo perfeitamente como cães de caça. Nisso, a uma variedade enorme de espécies que podem realizar esse feito (do Springer Spaniel Inglês até um Foxhound americano), e o Lovecraft não estabelece uma raça, então acho que o título já faz uma indução do leitor. Provavelmente, "Cão de caça", seja um título menos questionável.

HQ - link aqui
Esse conto marca a primeira menção ao Necronomicon, embora a primeira referência ao Abdul Alhazred, o árabe louco por trás do compêndio blasfemo tenha aparecido um ano antes (1921), em “A cidade sem nome” mas pelo resto da vida Lovecraft expandiu os comentários e menções ao tomo proscrito nas obras como O caso de Charles Dexter Ward (1927) e Sussurros na Escuridão (1930). Apesar da aparente riqueza de referências, muitas alusões são extremamente vagas. Podemos dizer que o livro funesto traz informações relativas a lugares, assuntos e entidades (nesse caso, um amuleto de jade que simboliza o culto de necrófagos de Leng, na Ásia Central).

Um debate levantando a algum tempo em um grupo sobre o autor, é se a relação entre o personagem narrador (sem nome) e seu amigo St. John mantinham uma relação homossexual. Não há nenhuma peculiaridade que fuja muito dos protagonistas de Lovecraft e que indique esse caminho. Ambos tem gostos extravagante e funestos, lendo livros proscritos e com o passatempo nada convencional de violarem túmulos e enfeitaram uma sala inteira com tesouros usurpados dos mortos e com cadáveres incluindo de carniças.

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Quadrinhos: Dark Frontier e Horas Escuras


Foram divulgadas pela Red Dragon Publisher uma foto com o primeiro lote do quadrinho Dark Frontier. Série de HQ distópica pós-apocalíptica italiana, escrita por Massimo Rosi e ilustrada por Luca Panciroli. Sua publicação no Brasil está vindo pelo selo Red Dragon Comics. A América que Donald Trump sempre quis atingiu seu ápice: uma grande fronteira, um muro intransponível foi construído para defender o país de invasores e imigrantes. Nada entra e nada sai. Nas décadas em que os recursos acabam, os rebeldes defendem as reservas verdes das indústrias do governo, as pessoas morrem e o cenário se torna pós-apocalíptico. Você não pode deixar os Estados Unidos, pelo menos não vivo. Não deixe para depois e garanta já seu exemplar: http://bit.ly/darkfrontier


Horas Escuras é uma narrativa sombria, uma história tensa que leva a pensar sobre o quanto pode ser perigoso mexer com o desconhecido. Uma criação de Leander Moura (roteiro e arte) e Cristal Moura (arte), leva influências de Edgar Allan Poe e H.P. Lovecraft. Leander foi o criador das ilustrações de vários livros da Editora Clock Tower - como O Rei de Amarelo e O mundo sombrio. Passado e presente se encontram nessa obra, que será lançado na FIQ – Festival Internacional de Quadrinhos 2018 (Quadrinhos Estúdio e Escola de Artes). Interessados podem entrar em contato no e-mail leanderseriousm@gmail.com ou visitar a página do autor no Facebook.



domingo, 29 de abril de 2018

O que é o Ciclo de Yig?

They walked lithely and sinuously erect on pre-mammalian members, their pied and hairless bodies bending with great suppleness. There was a loud and constant hissing of formulae as they went to and fro. – The Seven Geases, Clark Ashton Smith. 

Introdução


H.P. Lovecraft nunca teve um emprego. Viveu da fortuna quase esgotada de sua família, e do pouco que conseguia ganhar como revisor e escritor. Estava sempre dividido entre o desejo de sucesso monetário literário e o ideal do cavalheiro aristocrata que não se preocupa com finanças. Suas primeiras tentativas de vender seus contos tiveram êxito com Edwin Baird, editor da revista Weird Tales, aceitando os primeiros cinco contos enviados de uma vez por Lovecraft - Dagon , Arthur Jermyn, Os Gatos de Ulthar, O Cão de Caça e O Depoimento de Randolph Carter. Seus contos apareceram em nove dos onze números da revista publicados entre 1923 e 1925.

Quando a revista Weird Tales mudou, e Farnsworth Wright  passou a ser seu editor, guinando definitivamente para o horror -  Baird não tinha tanta sensibilidade para a weird fiction, aceitando praticamente tudo o que recebia - a sorte de Lovecraft mudou. Sendo mais criterioso e rigoroso, não tinha a mesma apreciação pelos contos de Lovecraft, e o escritor passou a receber mais rejeições do que aceitações da revista. Alguns dos contos que foram rejeitados são agora clássicos do gênero, como O Chamado de Cthulhu, só foram publicados depois de serem rejeitados repetidas vezes pela Weird Tales.


Nas Montanhas da Loucura, de Lovecraft
Wright, o novo editor, rejeitou ainda Nas Montanhas da Loucura e A Sombra Vinda do Tempo, que foram mais tarde publicados pela revista Astounding Stories e que também se tornaram clássicos. A Amazing Stories publicou A Cor que caiu do Espaço e pagou muito pouco considerando o tamanho da história, mesmo se tornando uma das obras mais populares do autor, e continuou sendo seu conto favorito. O Caso de Charles Dexter Ward só foi publicado anos depois da morte do escritor. Os Sonhos na Casa da Bruxa só foi publicado porque August Derleth enviou, em segredo, o conto a Wright, pedindo que o editor o aceitasse para publicação.

Nesse período que, ironicamente, Lovecraft trabalhou muito como ghost writer (escrito anônimo), vendendo contos para serem publicados por outros autores. Ele recebia de outro “autor” uma série de ideias e escrevia então uma história completa. Contos como The Curse of Yig (1929) e The Mound (1940), de Zelia Bishop, e The Horror in the Museum (1932) e Out of the Aeons (1935), de Hazel Heald, foram, na verdade, 90% ou mais criações de H.P. Lovecraft. Embora esses contos tenham sido aceitos por Wright, os contos que Lovecraft escrevia sob seu próprio nome continuavam a ser mal pagos ou rejeitados, deixando o autor cansado e se sentido rejeitado, começando a se recusar a enviar seus contos para editoras.

Em outras obras


A prática de um autor mencionar em suas histórias as divindades, livros e temas criados por outros autores era comum nessa época, e Lovecraft fez isso em vários de seus contos. Nos contos de Bishop aparecem Cthulhu e Tsathoggua, criados por Lovecraft, e também aparece Yig, as três divindades sendo veneradas por uma raça de humanos que vive nos subterrâneos. Com essa prática também, Robert E. Howard e Clark Ashton Smith também desenvolvem essa linha desse mito em especial, em duas histórias específicas: O Reino Sombrio (1929) e The Seven Geases (1934).

Robert E. Howard nos apresenta os adoradores de Yig. Criados originalmente pelo autor, as criaturas chamadas de povo-serpente estão presentes na narrativa O Reino Sombrio, que mostram Kull, o guerreiro atlante que se tornou soberano da Valúsia, que descobre, estarrecido, que os eles, os homens-serpentes de uma raça que no longínquo passado haviam guerreado a humanidade, estavam aos poucos dominando o país, graças ao seu poder de mimetismo e que os reis anteriores da Valúsia haviam sido assassinados em segredo, e homens-serpentes tomaram seu lugar, pois podiam por sugestão hipnótica ser vistos com a aparência humana, idêntica à dos mortos.



Já em The Seven Geases se depara com uma viagem tragicômica dos horrores e maravilhas dos não-humanos que existem sob "the black Eiglophian Mountains", nas quais a humanidade, representada pelo personagem principal, o magistrado Ralibar Vooz, é apenas uma reflexão tardia, uma mera distração, e não a propulsora de tudo. A colaboração de Clark Ashton Smith foi significativa pelo seu humor negro e bucólico. O protagonista monta uma equipe de vinte homens e vai em busca de criaturas subumanas chamadas Voormis, caracterizadas como subproduto de homens-serpentes que andaram na terra no passado após adorar Tsathoggua e não o Pai das Serpentes.

Esses homens-serpentes sempre adoraram um deus, que foi identificado mais tarde como Yig pelo circulo dos autores do Cthulhu Mythos, e antes disso, nas histórias de Conan, era chamado de Set (vide O deus na urna em 1932). Esses homens pareciam serpentes eretas, com cabeças ofídicas e escamas, mas com dois braços e pernas. Possuíam caudas e, em seus melhores dias, trajavam túnicas.

Povo-Serpente


O primeiro reino do povo-serpente foi a Valúsia, localizado na costa oeste do continente principal de Thuria. Esse reino veio muito antes dos dinossauros caminharem sobre a Terra, com cidades de basaltos negros e guerras travadas em um curto período de espaço: antes ou durante o Período Pérmico. Com a chegada dos dinossauros no Período Triássico, o primeiro reino ruiu e o povo-serpente se retirou para fortalezas nas profundezas do subterrâneo, a maior delas era Yoth. Nessa época, o povo-serpente tornou-se também cientificamente avançado, capaz de manipular a vida em si.

Já na pré-história humana, o povo-serpente ergueu seu segundo reinado no centro do continente Thuriano. Este sucumbiu ainda mais rápido que a Valúsia, derrubado desta vez pelos humanos, que mais tarde reivindicaram as terras como suas. Nessas guerras travadas, acabaram sendo expulsos e muitos foram mortos. Após um conflito, eles foram esquecido, mas dominaram o imaginário popular, e por muito tempo foram lendas. Os que sobreviveram se infiltraram na sociedade e governaram secretamente através de um feitiço comum de ilusão, que transforma a aparência do feiticeiro na de um humano normal. Isso veio a acabar quando o Rei Kull, um bárbaro atlante, foi coroado rei da Valúsia. Ele, se aliando com os pictos que sabiam dessas trocas de homens comuns por homens-serpentes, se unem e colocam fim a esse reinado.

Esses acontecimentos destacam como o povo-serpente era composto por grandes cientistas e feiticeiros, que dedicaram muito tempo a invocar demônios terríveis e criar venenos potentes. Se retirando pela última vez para Yoth, no mundo atual suas cavernas se localizam nas Américas.

O que é Yig


Yig nunca foi retratado muito claramente. Meio humano e meio serpente, pode parecer um homem forte escamoso com uma cabeça de serpente ou uma cabeça normal. Seu culto é realizado por tribos da planície central e praticantes de vodu, podendo estar também conectado de alguma forma a Quetzalcoatl (deus asteca) e Kukulcán (deus maia). Ele é ainda adorado pelo povo-serpente e seus descendentes. Adoradores recebem alguma imunidade a veneno de cobras, a habilidade de falar com cobras, alguns rituais arcanos e feitiços. Se alguém expõe os segredos ou prejudica o culto, Yig envia uma serpente sagrada para matar o transgressor. A sua maldição, denominada de “Maldição de Yig” se refere a crianças loucas e deformadas.

Yig é uma divindade que demanda constantes sacrifícios e rituais macabros por parte de seus seguidores. Sua ira mortal se traduz na visita de serpentes venenosas na calada da noite. Um dos Grandes Antigos, ele age como um deus que envia seus subordinados ou filhos para punir todos os que assassinaram uma cobra no passado, matando-os ou transformando-se em uma criatura parecida com uma cobra como ele. São nessas histórias que a coletânea da Editora Clock Tower se baseia. Disponível em edição limitada, O Circulo de Yig pode ser adquirido aqui nesse link. Trata-se de um livro com obras de H.P. Lovecraft sobre os Mitos de Yig: A Colina, A Maldição de Yig e Vindo dos Éons, todos já mencionados aqui: trabalhos com Zelia Bishop e Hazel Heald. O livro também trás extras, como carta da Zelia e ilustrações exclusivas.