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sexta-feira, 7 de junho de 2019

Planeta Hulk (livro e quadrinho) de Greg Pak


"O monstro salvou a todos. E, por medo, eles o traíram. Como sempre fizeram. Como sempre farão. Esta é a história do Cicatriz Verde. O Olho da Fúria. O Quebra-Mundos. Haarg, Holku, Hulk. E de como ele finalmente foi para casa."
Uma das maiores sagas da Marvel nos quadrinhos também pode ser achado nos meios literários. Publicado originalmente em 2006, a saga de Planeta Hulk responde a pergunta: onde ele estava enquanto acontecia a Guerra Civil?

Tudo começa quando o Golias Esmeralda é enviado para uma missão para parar uma arma da Hidra. Ao chegar lá, ele descobre que a arma é uma bomba gama que explode e o faz perder o controle, destruindo tudo e todos na sua frente em Los Angeles, sem controle. Coube aos integrantes do Quarteto Fantástico, Coisa e Tocha-Humana contê-lo, fazendo isso com bastante dificuldade.

Vendo isso, um secreto grupo de super-heróis formado pela “elite” dos heróis Marvel que age “nas sombras” chamados de Illuminati se reúne para discutir sobre o assunto. Percebendo como Hulk é perigoso, o grupo que tinha como membros o Professor Charles Xavier, fundador dos X-Men; Doutor Estranho, o Mago supremo; Reed Richards, o Senhor Fantástico, líder do Quarteto Fantástico; Namor rei de Atlântida; Tony Stark o Homem de Ferro fundador e líder dos Vingadores e Raio Negro, rei dos Inumanos decidem afastar Hulk de qualquer lugar que ele possa machucar pessoas.

Porém essa decisão não foi unanime. Professor Xavier não estava presente por ter desaparecido durante a Dinastia M e Namor foi radicalmente contra, mas mesmo assim eles continuam com seu plano: houve até mesmo uma luta entre o Homem de Ferro e Namor por essas discordâncias, com o último jogando a praga: "Banner voltará de onde quer que vocês o enviem e ele irá matar todos vocês! E estará certo!".

Convencido a ir para o espaço por um falso Nick Fury (que está desaparecido) que busca Banner para concertar um satélite, pois ele está com problemas com a I.A., e é algo que precisava ser arrumado e apenas o Hulk poderia realizar o trabalho. Essa I.A. ia distraí-lo enquanto a nave era mandada para um planeta, um lugar com segurança, onde o monstro não poderia machucar ninguém. O livro nesse ponto é um pouco diferente. Quem passa a missão para Banner é Reed, e é logo após a destruição de Las Vegas, e a presença de Amadeus Cho (que viria ser o próximo a assumir o manto de Hulk) é marcante, tanto no extra dos quadrinhos encadernados quanto no inicio e no final do romance.

A nave que deveria levar para seu exílio no espaço acaba se desviando de seu curso após um ataque de raiva e é tragada por um portal cósmico, fazendo Hulk pousar no distante planeta Sakaar, que de desabitado não tem absolutamente nada. Vendido como escravo, Hulk se torna o Cicatriz Verde, o mais poderoso gladiador de um planeta violento e primitivo, que evolui tecnologicamente através de lixo espacial.

Junto com o astuto insectóide Miek, a horrível Ninhada Sem-Nome, o sábio homem de pedra Korg, o guerreiro das sombras Hiroim e a nobre rebelde Elloe Kai formam o Pacto de Guerra que sobrevive a todas as provações possíveis para consumar um objetivo: derrotar o Rei Vermelho e seus asseclas. Cada um ganha uma história pregressa, contada em flashbacks próprios, como se contassem uma história dentro de uma história.

Um belo exemplo de narrativa Espada & Planeta, o livro expande o mundo de Sakaar para além dos quadrinhos, mostrando uma enorme autonomia do autor para com sua narrativa e que entrega um final agridoce, entregando tudo que um fã do personagem pode querer.

Porque esta é a história do Cicatriz Verde. O Olho da Fúria. O Quebra-Mundos. Hulk. E de como ele foi finalmente para casa.


quarta-feira, 24 de outubro de 2018

"O que roda as engrenagens é o fato de que todo mundo lê" - Entrevista com Rapha Pinheiro



Arquiteto de formação pela FAU UFRJ com uma "graduação sanduíche" na University of Lincoln (Inglaterra), e aficionado por quadrinhos e ficção científica, Rapha Pinheiro começou a escrever para trazer vida ao universo ficcional que ele havia criado quando criança.

Em 2017 concluiu o curso internacional em quadrinhos da École Européenne Sérieure de l'Image em Angoulême (França) onde foi morar e escreveu Salto. Voltou para o Brasil e hoje é professor da Escola de Comunicação e Design Digital (ECDD) do Instituto Infnet, professor de desenho e quadrinhos em um curso livre no Colégio Santo Amaro e mestrando em Linguagens e Tecnologias da Comunicação na ECO UFRJ.

Em 2014 começou a publicar seu primeiro quadrinho (Os Tomos de Tessa) e não parou mais desde então. Publicando de forma independente no início, tanto na Europa quanto no Brasil, hoje ele publica seus quadrinhos pela Editora Avec. Dois desses quadrinhos foram projetos bem sucedidos como financiamento coletivo no Catarse.

O que podemos falar sobre a indústria nacional de quadrinhos? Ela avançou ou regrediu?
Ela definitivamente está vivendo um momento histórico. Apesar da crise geral, existe um crescimento de quantidade e de qualidade de produção como nunca antes visto no Brasil. O único problema é que o público leitor não está crescendo em um ritmo proporcional. Se não arrumarmos um jeito de furar a bolha e atingir novos públicos, a cena de quadrinhos vai implodir em breve.

Qual é o papel da Internet para esse cenário?
Já foi mais importante, numa época onde as redes sociais realmente entregavam o conteúdo. Artistas que construíram sua base de fãs em uma única plataforma estão sofrendo muito com as mudanças de algorítimo e a real face das redes que não perceberam (ou não se importam) que muitos artistas dependiam delas. Hoje a internet é quase como um validador: Se alguém te conhece ao vivo e não te acha online, você perde credibilidade. O inverso também é verdadeiro, por isso é importante existir no mundo físico também. Ir a eventos, frequentar feiras... Tudo isso sem esquecer de postar regularmente. Ser artista não é fácil...


Silas e Salto, seus principais quadrinhos no Catarse, são parte de um universo compartilhado? Você pretende voltar as cavernas, fazendo um terceiro volume? Ambos ainda estão disponíveis para a venda?
Pretendo voltar sim, mas não num futuro próximo. Não quero ser conhecido como "o cara do steampunk" então meus próximos trabalhos não terão nada disso. Inclusive, meu próximo livro em parceria com o Denis Mello vai ser uma história autobiográfica sobre nossa aventura etílica no último dia morando na França. A previsão é sair no meio do ano que vem. Salto ainda está rodando por aí, já na sua segunda edição. Silas está na gráfica e deve estar disponível pra compra em Dezembro.


Qual foi a principal inspiração para Os Tomos de Tessa?
Eu diria que o livro "Eram os Deuses Astronautas?". Eu era mais impressionável quando era mais novo. Hoje em dia eu já li o suficiente pra não cair mais no que o livro fala, mas ainda assim é uma fonte incrível de ideias para histórias de ficção. Não dá pra negar que tem um pouco de Star Wars e Senhor dos Anéis ali também...

Como você vê atualmente o mercado literário, sobretudo para os novos autores?
Sinceramente, estamos um pouco saturados. Como eu disse, temos muitos autores bons produzindo coisa boa que ninguém compra. Enquanto não existir um mercado, um público consumidor, vamos continuar comprando de nós mesmos e fortalecendo uma cena cíclica e redundante.

Em 2016 foi selecionado para estudar na Ecole Europeenne Superieure de l'Image em Angoulême na França. O que difere a educação francesa da brasileira?
A forma como os europeus em geral e os franceses em específico lidam com quadrinhos é completamente diferente da nossa. Lá eles tratam como arte, ser quadrinista é um trabalho. Eles tem contato com livros e quadrinhos desde cedo, incentivados a ler e a buscar conhecimento (como já dizia et bilu). Existe quadrinhos para todos os públicos e todo mundo lê. Claro que temos os fanáticos como temos aqui, mas não são eles que movimentam o mercado. O que roda as engrenagens é o fato de que todo mundo lê, todo mundo compra ocasionalmente e ninguém considera uma mídia menor.


Quais autores te influenciaram e se tem alguma dica para autores iniciantes.
A lista de influências é infindável. Na verdade, diria que tudo o que eu já vi me influenciou de alguma forma. Como eu sei que isso é uma resposta vaga e que na verdade não responde ninguém, vou citar alguns que guardo comigo com mais carinho: Moebius, Will Eisner, Alex Alice, David Mazzucchelli, Mike, Mignola, Richard McGuire e Hugo Pratt. Esse nomes já são suficientes pra semanas de referencias se você procurar cada um deles com carinho na internet.

Quanto às dicas, a primeira (mesmo parecendo pedante) seria assistir ao meu canal. Eu criei o canal justamente pra compartilhar o conhecimento sobre produção de quadrinhos e era uma coisa que não existia com força no youtube brasileiro. Fico feliz de ter construído um canal com certa respeitabilidade, assistido por colegas de profissão. Além disso, eu diria pra sair sempre da zona de conforto. Criar implica em se expor a estímulos novos. Busque novas experiências, novas leituras, novos lugares, novas amizades... Enfim, busque sempre ser alguém diferente de quem você era um ano atrás. Preferencialmente, alguém mais sábio.

Acho que é isso! Me sigam nas redes sociais todas e nos vemos pela internet. Aquele abraço!

domingo, 19 de agosto de 2018

O brasileiro que venceu ‘Oscar’ dos quadrinhos com história sobre escravidão

Em ‘Cumbe’, Marcelo D’Salete fala da resistência negra a partir da história da escravidão no Brasil colonial

O professor, ilustrador e autor de histórias em quadrinhos Marcelo D’Salete ganhou, no dia 20 de julho, o Eisner Awards 2018 de melhor edição americana de material estrangeiro pela obra Cumbe (Run for it). O prêmio é conhecido como o Oscar dos quadrinhos e é entregue todos os anos durante a Comic-Con de San Diego. A obra do brasileiro fala sobre a resistência do povo negro durante a escravidão e aborda conflitos, dramas, esperanças e sonhos de escravizados trazidos dos antigos reinos da Angola e do Congo.

O movimento do rap e o hip hop, ainda nos anos 80, foi um dos responsáveis por começar a sensibilizar o paulistano para as injustiças sociais e raciais, herança do período escravista. “Isso foi importante para chamar a atenção para a questão etno-racial aqui no Brasil e também nas diferenças sociais que nós temos de modo tão alarmante”, explicou.

Nascido na zona leste da capital paulista, D’Salete contou, em entrevista à Ponte, que sempre estudou em escola pública em São Mateus e Artur Alvim e que depois fez ensino médio em um colégio técnico no Brás. Segundo ele, essa fase foi importante para que ele conhecesse diversos artistas. Depois, D’Salete fez artes plásticas na USP e cursou mestrado em história da arte.

Reprodução de uma das páginas dos quadrinhos. DIVULGAÇÃO
Negro, Marcelo ponderou que a escolha do tema foi quase natural por ter sempre vivido as questões da negritude e que, por essa razão, entende que o lugar de fala para construção dessa narrativa é um ponto importante de ser considerado. “Falar sobre a sociedade brasileira, falar sobre o Brasil colonial é a partir dessa experiência negra diaspórica e, em grande parte, periférica, dentro dessa sociedade. Essa é a minha perspectiva”, explica.

Segundo D’Salete, as pesquisas para sua obra foram feitas em bibliotecas na USP (Universidade de São Paulo) e no Museu Afro Brasil. Assim, ele teve contato com obras importantes voltadas para o tema, documentos sobre a escravidão.

Para ele, foi “uma surpresa muito grande” quando recebeu a notícia de que tinha vencido a premiação, já que essa é uma forma importante de dar visibilidade à perspectiva negra sobre esse momento da história. “Essa obra surgiu há muito tempo”, afirma contando que, em 2004, teve contato com diversos textos falando sobre o tempo colonial e o Brasil atual. Isso o impulsionou a entrar ainda mais a fundo nessas histórias. “Mas, antes disso, essas discussões já estavam nas músicas que eu ouvia e na literatura também”, diz.

Reprodução de uma das páginas dos quadrinhos. DIVULGAÇÃO
Com relação a isso, inclusive, Marcelo conta como, desde cedo, acabou tendo que enfrentar situações de racismo naturalizadas em uma sociedade classista e racista como a nossa. “Quando garoto eu comecei a trabalhar como office boy e em mais de um momento eu fui orientado a entrar no elevador de serviço e não pelo social. Isso por volta de 95, 96. Eu lembro trabalhava na região da Paulista e era esse o tipo de tratamento que eu tinha lá. Em outro momento, eu estava em uma banca de jornal, isso era final de 90 também, e eu estava vendo uma revista em quadrinhos, pensando se eu ia comprar ou não e o vendedor veio e tirou a revista da minha mão, sem dizer nada, considerando que eu não era consumidor e, muito menos, cidadão”, relatou. “Esses e vários outros casos também. Ser parado pela polícia, mesmo na Universidade de São Paulo. Em aeroporto, indo fazer parte de festival internacional de quadrinhos, fui barrado e por aí vai“.

Marcelo D’Salete 

Para ele, desde os tempos de ditadura o movimento negro é atuante, mas, durante esse período, esteve invisibilizado, porque falar de racismo e negritude era uma questão política e um motivo para perseguir pessoas. “Sendo assim, imagino que desde a década de 80 a gente tem um crescente nessa discussão. Na década de 80 e 90 eu já percebia que esse era um assunto, um termo, que não entrava na pauta de partidos políticos, de organizações estudantis. Hoje eu vejo que existe uma permeabilidade maior em relação a esses temas. Isso talvez faça com que a gente tenha um protagonismo maior de personalidades negras falando sobre esse tema também, inclusive na internet e nas redes sociais”, disse D’Salete.

O prêmio que Marcelo D'Salete levou pra casa | Foto: arquivo pessoal

Cumbe foi publicado também em Portugal, França, Áustria, Itália e EUA. A obra foi indicada ao HQMIX 2015 (categoria desenhista, roteirista e edição nacional); selecionado pelo Plano Ler + para leitura em escolas de Portugal e indicado ao prêmio Rudolph Dirks Award 2017 (categoria roteiro) na Alemanha.

Postado originalmente no site Ponte Jornalismo.

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Quadrinhos: Dark Frontier e Horas Escuras


Foram divulgadas pela Red Dragon Publisher uma foto com o primeiro lote do quadrinho Dark Frontier. Série de HQ distópica pós-apocalíptica italiana, escrita por Massimo Rosi e ilustrada por Luca Panciroli. Sua publicação no Brasil está vindo pelo selo Red Dragon Comics. A América que Donald Trump sempre quis atingiu seu ápice: uma grande fronteira, um muro intransponível foi construído para defender o país de invasores e imigrantes. Nada entra e nada sai. Nas décadas em que os recursos acabam, os rebeldes defendem as reservas verdes das indústrias do governo, as pessoas morrem e o cenário se torna pós-apocalíptico. Você não pode deixar os Estados Unidos, pelo menos não vivo. Não deixe para depois e garanta já seu exemplar: http://bit.ly/darkfrontier


Horas Escuras é uma narrativa sombria, uma história tensa que leva a pensar sobre o quanto pode ser perigoso mexer com o desconhecido. Uma criação de Leander Moura (roteiro e arte) e Cristal Moura (arte), leva influências de Edgar Allan Poe e H.P. Lovecraft. Leander foi o criador das ilustrações de vários livros da Editora Clock Tower - como O Rei de Amarelo e O mundo sombrio. Passado e presente se encontram nessa obra, que será lançado na FIQ – Festival Internacional de Quadrinhos 2018 (Quadrinhos Estúdio e Escola de Artes). Interessados podem entrar em contato no e-mail leanderseriousm@gmail.com ou visitar a página do autor no Facebook.