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domingo, 26 de julho de 2020

RUBEM FONSECA E GARCIA-ROZA LADO A LADO - Bolívar Torres


As semelhanças e influências das obras dos dois maiores escritores de ficção policial do Brasil, mortos à distância de um dia


Parece até clichê de algum thriller barato. Na tarde do último dia 15, o Brasil mal havia iniciado o luto por Rubem Fonseca, vítima de um ataque cardíaco, e, menos de 24 horas depois, veio a notícia de que Luiz Alfredo Garcia-Roza não resistira à doença neurológica que o deixara internado nos últimos 12 meses. Os dois maiores nomes da literatura policial brasileira saíram de cena quase simultaneamente. Para aumentar o simbolismo da perda, Fonseca, de 94 anos, e Garcia-Roza, de 84, despediram-se em pleno centenário do primeiro romance do gênero no país — o sucesso editorial O mysterio, publicado em março de 1920 no extinto jornal carioca A folha. O baque veio em dobro. E, para os escritores policiais das novas gerações, a orfandade também. Afinal, quase todo mundo que começou a escrever suas tramas policiais no século XX se sentia um pouco filho ou neto da dupla, que continuava ativa e publicando.

Fonseca lançou seu último livro, Carne crua, no final de 2018. Já A última mulher, de Garcia-Roza chegou às livrarias em julho de 2019. Se não restam dúvidas de que a literatura policial no país se divide entre antes e depois deles, ficam as incertezas sobre o panorama sem sua presença. “Rubem Fonseca e Luiz Alfredo Garcia-Roza eram o Brasil para mim”, lamentou Victor Bonini, de 26 anos, autor de Quando ela desaparecer (2019) e considerado uma das grandes promessas na área. “Eles abriram uma porta para novas gerações. Eu, como jovem escritor, não tenho o menor intuito de superá-los. Pelo contrário, gosto de pensar que crio usando da mesma matéria-prima que eles usaram.”

Para entender o impacto causado pelos dois escritores, é preciso voltar a 1963, ano de lançamento de Os prisioneiros, primeiro livro de Rubem Fonseca. Os contos do estreante pegaram a crítica de surpresa, pela inovação formal e pelo ultrarrealismo que revelava, com crueza, um Brasil até então ausente na literatura nacional. Ex-comissário de polícia, Fonseca inventou uma nova ideia de literatura urbana, com seu Rio de Janeiro tentacular, labiríntico e brutal. E o uso dos códigos da ficção policial, ainda mais evidentes nos livros seguintes, como Feliz ano novo e O cobrador, foram essenciais para a construção desse universo.

Décadas mais tarde, o carioca Garcia-Roza atravessou a porta aberta pelo colega, embora num passo muito diferente. Em 1996, aos 60 anos, o filósofo e psicanalista interrompeu uma reputada carreira na universidade para se dedicar ao sonho da ficção. Sua estreia, com O silêncio da chuva, também foi um sucesso. Escritor tardio, usou seu amplo conhecimento da natureza humana para compor suas investigações, que se estenderam por 12 títulos.

Cada um representou o melhor do gênero a sua maneira, mas se apoiando no carisma de dois personagens recorrentes. Para Fonseca, foi o advogado Mandrake, um dublê de detetive especializado em extorsão e que não tem medo de frequentar o submundo carioca. Para Garcia-Roza, o delegado Espinosa, um raro agente da lei culto, ético e sofisticado, e que, à imagem de seu criador, mergulhava com gosto nos mistérios e contradições dos seres humanos. Para o escritor e roteirista Marçal Aquino, autor de livros como O invasor (2002), os personagens representam uma resposta nacional a figuras tradicionais do gênero no exterior, como o detetive Philip Marlowe. “Com eles, os dois grandes mestres deram uma contribuição decisiva para pulverizar uma tese que, durante muito tempo, atormentou nove entre dez escritores brasileiros: que não era possível, a não ser pela via do pastiche, recriar aqui no trópico a figura do detetive clássico, que se envolve em aventuras seriadas”, disse Aquino.

Além dos dois personagens marcantes, a dupla também teve um papel essencial para diminuir o preconceito contra o gênero, acredita Tailor Diniz, que escreve ficção policial desde o final dos anos 1990. “Lá pela década de 1980 era moda ler e comentar Rubem Fonseca”, disse. “As pessoas não se constrangiam com um livro policial dele na mão. Alguns resistentes até escamoteavam. Diziam que aquilo não era literatura do gênero. Depois de Feliz ano novo, todo mundo queria escrever como Fonseca. Aí a coisa foi meio trágica, mas mesmo assim foi um incentivo para a escrita e a leitura.” O mesmo ocorreu com Garcia-Roza, que começou em uma grande editora — a Companhia das Letras, que publicou todos os seus livros — e, logo de cara, ganhou um Jabuti. “Isso também ajudou muito”, complementou Diniz. “Ler um policial que ganhou o então maior prêmio literário do país não desmerecia o apuro intelectual.”

“Ambos se apoiaram no carisma de dois personagens recorrentes. Para Fonseca, o advogado Mandrake, um dublê de detetive especializado em extorsão. Para Garcia-Roza, o delegado Espinosa, um raro agente da lei culto, ético e sofisticado”

Professor de literatura na Universidade de São Paulo (USP), Jean Pierre Chauvin lembrou que um dos primeiros críticos a analisar de forma séria o gênero por aqui foi Álvaro Lins, em 1953 — mais de 30 anos após o surgimento na cena nacional. Sua visão, no entanto, era repleta de preconceitos e sinais negativos. Mesmo não sendo muito levada a sério pela crítica no início, a ficção policial já começou com sucesso. Depois de ser publicada em folhetim, O mysterio, primeira trama detetivesca do país, chegou a ter mais três reedições em livro. Mas seu teor era essencialmente cômico. Os autores, Coelho Netto, Afrânio Peixoto, Viriato Corrêa e Medeiros e Albuquerque, que se revezavam na autoria dos capítulos, criaram um pastiche carioca de Sherlock Holmes, o Sherlock da Cidade, mais conhecido por suas trapalhadas do que por seu talento investigativo.

Não por acaso, aliás, obras detetivescas foram por muito tempo destinadas ao público infantojuvenil. O sucesso de O escaravelho do Diabo, publicado de modo seriado na década de 1950, ou ainda dos livros da coleção Vaga-Lume escritos por Pedro Bandeira e José Louzeiro é emblemático nesse sentido. “É um pouco como se, na época, o gênero fosse destituído de interesse, ou qualidade suficiente, para o universo adulto”, observou Chauvin, que nos últimos anos percebeu um aumento de estudos relevantes sobre ficção policial e na quantidade de autores produzindo bons romances na área.


“Os melhores escritores brasileiros de ficção policial que conheço são os que liam a coleção Vaga-Lume quando crianças e, já adolescentes, se apaixonaram por Fonseca e Garcia-Roza”, disse Cláudia Lemes, fundadora da Associação Brasileira de Escritores de Romance Policial, Suspense e Terror (Aberst). “Os autores que conseguem conciliar, sem preconceitos, essas influências com a nova cara da ficção policial são geralmente os mais lidos. No final, talvez não seja uma questão de se aproximar ou se afastar do legado deixado pelos mestres, e sim de conversar com ele enquanto criamos novas vozes.”

“O mysterio”, primeira trama detetivesca do país, escrita há 100 anos por vários autores, quando o gênero ainda era desacreditado na literatura nacional. Foto: Reprodução legenda

Autora de livros como A segunda morte de Suellen Rocha, Lemes é um dos principais nomes da cena independente, que cresceu muito graças ao bom uso das redes. “Como o gênero está forte na literatura, nos filmes e nas séries, o autor independente encontra um público receptivo”, disse a escritora. “Os blogueiros literários fazem o resto: criam eventos, divulgam, promovem e fazem um trabalho de formação de leitores e movimentação de vendas que poucas editoras e livrarias têm se comprometido a fazer.”

Trata-se de um movimento similar ao vivido pela literatura fantástica dez anos atrás, acredita o escritor e editor Cesar Alcázar, idealizador do selo Safra Vermelha, criado para retomar a tradição das coleções policiais. O sucesso de Cláudia Lemes e de outros expoentes, como Ana Paula Maia e Raphael Montes, despertou a atenção das editoras e feiras para novos nomes.

Desde o ano passado, o país também ganhou seu primeiro evento dedicado exclusivamente à ficção de crime, o Porto Alegre Noir. “Há muito ainda que ser explorado no gênero, tanto em temática quanto em ambientação”, avaliou Alcázar. “Temos uma riqueza de vozes, personagens e histórias que fica mais evidente a cada dia. Apesar das perdas inestimáveis de Fonseca e Garcia-Roza, tudo indica que essa literatura está se fortalecendo cada vez mais e tem um belo futuro pela frente.”

quinta-feira, 2 de julho de 2020

Sobre a Revista Mystério Retrô por Vera Carvalho Assumpção


A revista Mystério Retrô é uma ideia genial do meu amigo Tito Prates! Além de ser uma homenagem aos 100 anos do primeiro romance policial escrito por brasileiros, é uma revista que traz contos e artigos de qualidade. No século passado muitas foram as revistas de língua inglesa que traziam contos de autores que começavam suas carreiras. Aqui no Brasil também circularam diversas revistas de contos como a Mistério Magazine da Ellery Queen, a X-9, a Detetive, dirigida por Nelson Rodrigues e onde Pagu (Patrícia Galvão) publicou seus contos policiais. Só posso desejar vida longa para a Mystério Retrô.

O primeiro número da Mystério Retrô está excelente. Há um ótimo artigo de Raul de Souza Paz que fala sobre o reviver destas revistas. Há também o artigo de Pedro Cadina sobre as histórias do detetive Jack Reacher, tão bom e instigante, que já me fez comprar o livro.

Os contos começam com Marcas de Sangue protagonizado pelo detetive Alyrio Cobra, de minha autoria. Confesso, sem falsa modéstia, que reli e gostei!

O segundo é "Best Friends Forever" de Débora Gimenez. Um complicado imbróglio de amizades e paixões que a detetive Paula Oliveira consegue destrinchar de forma magistral.

Tendo em mãos “O Bilhete Anônimo” que diz “Um de vocês morrerá amanhã à noite”, a angelical detetive Jolie, criada por Vicento Hughes, desvenda um intrincado mistério que envolve relações familiares.

Em “Código no Cadafalso” de Igor Moraes, o detetive Toledo foi chamado pelo investigador Arthur para resolver o assassinato de um conhecido de Toledo. Os dois se envolvem em um suspense com final surpreendente.


Embaixador de Agatha Christie, Tito Prates é responsável pelo projeto Mystério Retrô

Em “O Desaparecimento de Dana Feldman”, Claudia Lemes traz o primeiro caso de Bárbara Castelo. Aos dezessete anos, Bárbara já possuía capacidade de dedução e audácia suficientes para resolver um caso em que seu pai, Shaw, estava trabalhando. Trama excelente.

Em “No Limite do Céu”, Cristiane Krumenauer nos traz a detetive Alice Stoifeld. Enfrentando a multidão que quer invadir a igreja, ela segura a onda e resolve o caso.

“O Pusilânime” de Tito Prates nos traz a senhorinha Edimburghese Morgado narrando uma deliciosa história sobre o primeiro caso que desvendou a partir de um caixote encontrado num túmulo de família contendo uma jovem recém falecida! 

Em “A Mancha Na Parede”, A.T. Sérgio nos prende do começo ao fim esperando pelo desfecho que pode vir de onde menos se espera! Desta e de outras dimensões.

“O Último Ônibus” de Victor Bonini é uma fascinante viagem onde um assassinato acontece dentro do ônibus e todos os passageiros tem condições de ser o assassino. E seguimos viagem na corda bamba até descobrir o que de fato ocorreu!

Só posso dizer que Mystério Retrô é um resgate das revistas de mistério com contos e artigos de excelente qualidade. Não deixe de ler e assinar.

quarta-feira, 1 de julho de 2020

Um agradecimento fantasmagórico a você



Olá,

Em meio as turbulências da quarentena e tempestades no Sul estou passando aqui nesta manhã com uma ótima notícia para você que já apoiou nossa campanha para publicação da melhor coletânea de fantasmas já feita em língua portuguesa.

Batemos 100 da meta com apenas dezenove dias de campanha!

O que fazemos, fazemos por respeito e amor a vocês, nossos leitores. E nada é mais reconfortante do que saber que estamos batalhando para um público que corresponde tão positivamente aos nossos projetos. 

Obrigado! Vocês viabilizaram nosso novo livro, e em agradecimento vamos divulgar em breve novas metas estendidas além das inicialmente prometidas. 

A campanha continua! 

Aguardem e fiquem com nossos sinceros agradecimentos! 

Alexander Meireles da Silva, Bruno Costa e Cid Vale Ferreira 

P.S. E se você ainda não apoiou, garanta a sua edição de Contos Clássicos de Fantasma, uma co-produção das editoras Ex-machina e Sebo Clepsidra com a Organização e Prefácio do Fantasticursos, CLICANDO AQUI.

quarta-feira, 20 de maio de 2020

No centenário de seu primeiro romance, Agatha Christie ganha novas traduções e tem interesse renovado - Bolívar Torres

Com adaptações recentes para cinema e TV, megaseller inglesa atrai diferentes gerações de leitores

Agatha Christie em 1946: com 2 bilhoes de livros vendidos, e a romancista de maior sucesso de todos os tempos
RIO — Em 1916, a inglesa Agatha Christie, então com 25 anos, abraçou um desafio: publicar um livro de mistério (e de sucesso) no qual o leitor não conseguisse identificar o assassino até o fim. Cem anos após o lançamento de “O misterioso caso de Styles”, de 1920, pode-se considerar a missão cumprida. Ao seu primeiro romance seguiram-se cerca de 80 tramas policiais, que venderam 2 bilhões de livros no mundo todo, fazendo dela a romancista mais lida de todos os tempos.

Se Agatha é uma mina de ouro, seus herdeiros sabem que precisam revitalizar a obra para mantê-la viva. Adaptações recentes para cinema (“Assassinato no Expresso do Oriente”, em 2017, e “Morte no Nilo”, que sai em outubro) e TV (“The ABC murders” e “O cavalo amarelo”) repaginam figuras como Hercule Poirot, Miss Marple e Harley Quin para o público jovem. No Brasil, mais edições e traduções da Globo Livros e da HarperCollins chegam às livrarias. Aqui, alíás, a Dama do Crime é sucesso: 2,5 milhões de exemplares vendidos nos últimos 5 anos.


— Definitivamente, está havendo um renascimento do interesse no trabalho de Agatha Christie — diz o britânico James Bernthal-Hooker, professor da Universidade de Cambridge e especialista na obra da autora. — Isso tem muito a ver com a nova onda de adaptações audiovisuais. Mas há também uma grande mudança na maneira como estamos lendo e falando sobre esses livros. Passamos a vê-los como romances e não “apenas” como entretenimento. Há um boom de estudos sobre ela nas universidades.

Teorias e fanfics

Esqueça o estereótipo do leitor de Agatha Christie: uma pessoa de idade lendo sobre crimes em uma cadeira de balanço. Pelo engajamento nas redes sociais e pela alta procura em eventos voltados para os mais jovens, como a Bienal do Livro, as editoras perceberam o seu apelo entre as novas gerações.

Em fanfics na internet, o público teen reinventa o universo da britânica, criando suas próprias teorias e conexões com cenários e personagens — incluindo, claro, o detetive Poirot, sua principal criação.

— Na nova versão do “Assassinato no Expresso do Oriente”, o Poirot do ator Kenneth Branagh é mais físico, luta, uma novidade — observa Caroline Chang, editora da L&PM, que viu sua edição do clássico quintuplicar as vendas após a estreia do filme. — Tudo isso ajuda a renovar o imaginário em torno da obra.



No Brasil, a Globo Livros publica o centenário "O misterioso caso de Styles" e lançou uma novoa tradução de "O assassinato no campo de golfe" em março Foto: Ana Branco / Agência O Globo

Daí a importância de novas edições, com projetos gráficos e traduções atualizadas. Em 2019, a Globo Livros lançou novas traduções de “M ou N” e do centenário “O misterioso caso de Styles”. Mês passado fez o mesmo para “Assassinato no campo de golfe”.

— Nossas edições contam com novo projeto gráfico voltado para o público mais jovem mas que, ao mesmo tempo, dialoga com o público adulto — diz Mauro Palermo, diretor da Globo Livros.

Gerente editorial da HarperCollins, Alice Mello concorda que os leitores da britânica abrangem uma amplitude geracional impressionante. Em fóruns de discussão, ela vê fãs de 13 anos trocando opiniões com os de mais de 60.

Em março, para marcar o centenário de carreira de Agatha, a editora iniciou uma renovação nos 80 títulos de seu catálogo. Só no último mês já saíram “Punição para a inocência”, “O Cavalo Amarelo”, “Um corpo na biblioteca” e “Assassinato no Expresso do Oriente”. A escolha de um jovem time de tradutores (a caçula Luisa Geisler tem 28 anos) não foi por acaso.

— Agatha conquista leitores que terão a obra dela como companhia por uma vida inteira — diz Alice.

O Poirot brasileiro


É o caso de Tito Prates, um dos dois únicos embaixadores oficiais de Agatha no mundo — título que lhe foi atribuído por ninguém menos do que Mathew Prichard, neto e herdeiro da autora. Ele começou a ler a Dama aos 11 anos, por influência de uma tia. Com 18 anos já absorvera a obra toda. A obsessão continuou ao longo da vida: hoje, aos 54, é o único biógrafo autorizado de Agatha em língua portuguesa (publicou “Agatha Christie from my heart: uma biografia de verdades” em 2016).

Como embaixador, ele promove a obra entre os mais jovens, graças a eventos como o ciclo de debates “100 anos de Romance Policial no Brasil e de Literatura de Agatha Christie”, que acontece em junho no Rio e em outras cidades ao longo de 2020. A convivência entre gerações é “perfeita”, segundo ele.

— Os novos aprendem e pedem dicas aos veteranos — diz Tito. — Tivemos caso de adolescente de baixa classe e de família evangélica que só deixava ele ler a Bíblia que acabou viajando o país todo com despesas pagas pelos amigos que conheceu no grupo.


Colecionador da obra de Agatha Christie e biógrafo oficial dela no Brasil, Tito Prates é um dos dois embaixadores da autora no mundo Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo

Assim como muitos agathamaníacos pelo mundo, Tito dedica metade do seu ano à sua autora favorita. Sua fixação vai além dos livros: ele também consome produtos, como as roupas do Poirot que usará no International Agatha Christie Festival, evento bienal onde muitos participantes fazem cosplay (Tito já está deixando o bigode crescer pontiagudo igual ao do detetive). Uma prova de que, mais do que uma escritora, a Dama do Crime é hoje uma marca, como Marvel ou Disney, que abrange vários produtos.

— Agatha Christie é uma instituição — sentencia o acadêmico Bernthal-Hooker. — Ela não vai acabar nunca.

domingo, 22 de março de 2020

Agatha Christie, 100 anos: autora resiste ao tempo e vende mais que Bíblia

No centenário de estreia literária, novas traduções põem em questão a inglesa, que vendeu 2 bilhões de livros: afinal, sua obra resistiu ao tempo?


Por Maria Clara Vieira - Atualizado em 21 mar 2020, 11h42 - Publicado em 20 mar 2020, 06h00

MENTE VITORIANA - Agatha: uma mulher emancipada que detestava o feminismo PLANET NEWS LTD/AFP
Quando a polícia encontrou seu carro vazio batido contra uma árvore, na zona rural da Inglaterra, Agatha Christie foi dada como desaparecida. O veículo estava registrado no nome do primeiro marido da escritora, que, naquele ano de 1926, havia lançado seu maior sucesso até então, O Assassinato de Roger Ackroyd. Dez dias depois do acidente, porém, ela reapareceria em circunstâncias bizarras: estava hospedada em um hotel de luxo sob o nome da jovem amante do marido. Biógrafos oficiais afirmam que a autora foi acometida de um stress pós-traumático ao descobrir que o cônjuge tinha outra. Mas, para as más línguas, tudo não passou de um golpe de marketing. Na prática, a história permanece como um dos mistérios deixados pela “rainha do crime”. Aos 36 anos, ela emergiria do episódio com garra renovada: após recusar os bens do ex infiel, assumiu a tarefa de sustentar a única filha, Rosalind, com os próprios recursos. “Continuei, empurrada pelo desejo, ou melhor, pela necessidade desesperada de escrever outro livro para ganhar algum dinheiro. Foi nesse momento que deixei de ser amadora e passei a profissional”, relata na autobiografia.

Morta em 1976, aos 85 anos, Agatha deixou 66 romances policiais, dezenove peças de teatro e diversas coletâneas de contos — um acervo que, considerando-se as métricas atuais, se equipara em vendas ao de ninguém menos que William Shakespeare: são mais de 2 bilhões de exemplares comercializados no mundo, cerca de 4 milhões por ano. Mas é preciso enxergar além dos números para captar a força de seu legado — que neste ano completa um século. Nascida em uma família de classe média da pequena Torquay, na Inglaterra vitoriana, Agatha escreveu seu romance de estreia por incentivo da irmã mais velha, que a desafiou a criar uma trama detetivesca na qual o leitor não conseguisse descobrir o assassino até as últimas páginas. Lançado em 1920, O Misterioso Caso de Styles já contém elementos que fariam a fama da escritora: Agatha é especialista em tramas que envolvem casarões, heranças disputadas, mágoas familiares e jogos de bridge em enredos tão mirabolantes quanto se vê em Assassinato no Expresso do Oriente, que fala da reunião de doze assassinos em uma viagem de trem. Agatha notabilizou-se, sobretudo, por popularizar a mais recorrente fórmula de trama policial: o whodunnit (quem matou?, em tradução livre), que coloca vítimas, suspeitos e detetives em um jogo de charadas cuja resposta só aparece no final.

BIGODÃO – Kenneth Branagh, como Poirot: detetive imortal Nicola Dove/Fox/.
No centenário de sua estreia como escritora, uma pergunta é inevitável: afinal, a obra de Agatha Christie resistiu bem ao tempo? O projeto da editora HarperCollins de lançar oitenta novas traduções de seus romances — quatro chegam às livrarias neste mês — oferece um bom ponto de partida para investigar o tema. Como tantos escritores, ela não escapa à patrulha da correção política. O exemplo mais flagrante da “readequação” de Agatha aos tempos atuais é o desaparecimento do título O Caso dos Dez Negrinhos: após ser proclamado como “racista”, o clássico foi transformado em E Não Sobrou Nenhum. “É preciso levar em conta que uma senhora inglesa de mentalidade vitoriana usava uma linguagem bem mais conservadora e ofensiva, para os padrões atuais, ao se referir a deficientes, minorias e estrangeiros”, diz o tradutor Samir Machado de Machado.

Quando viva, a autora também teve uma celeuma com a militância feminista. Em 1961, negou entrevista a uma revista francesa com as seguintes palavras: “Nada me horroriza mais que esses artigos sobre os ‘grandes assuntos femininos’ ”. A trajetória da própria Agatha, contudo, é uma resposta a quem a acusa de desmerecer as mulheres. Com seu pioneirismo, ela abriu caminho para várias gerações de autoras policiais, da americana Patricia Highsmith à inglesa P.D. James.

XERETA – Geraldine McEwan, na pele de Miss Marple: charme provinciano ./Divulgação
Ironicamente, a evolução extraordinária das sucessoras pôs à prova as qualidades de Agatha. Centrado em exercícios de dedução, seu whodunnit tornou-se pueril perto da ficção criminal moderna, com tipos mais dúbios e alta densidade psicológica. A autora, no entanto, criou dois personagens que conservam seu charme à moda antiga: Hercule Poirot, o pequenino detetive belga de imensa vaidade, e Miss Marple, a velhinha xereta que expõe os assassinos e as hipocrisias do interior inglês. Mesmo seu estilo supostamente datado continua por aí, onipresente. A receita básica do “quem matou?” permanece em voga dos thrillers juvenis às novelas brasileiras. Novas adaptações e homenagens mostram que, com um providencial banho de loja, suas obras recuperam o viço (leia o quadro à esquerda). “Se você olhar bem no fundo, Agatha está sempre lá”, diz o biógrafo Tito Prates. Nunca menospreze a vovozinha do crime.


UMA AUTORA REINVENTADA NAS TELAS

Agatha Christie não foi só prolífica: seus romances inspiraram uma infinidade de adaptações para o cinema e a TV. Foi a própria autora quem escreveu o roteiro da primeira versão do detetive Poirot, destinada ao teatro e transplantada para a tela da BBC em 1937. Produções de outros países vieram na sequência, sem grande brilho — houve até um seriado de Miss Marple odiado e proscrito pela criadora. Quantidade, enfim, não era sinônimo de qualidade nas versões filmadas de seu trabalho. Até que, em 1974, um notável Assassinato no Expresso do Oriente virou o tabuleiro. “Foi a primeira obra a contar com um elenco de primeira”, diz Mark Aldridge, autor do livro Agatha Christie na Tela. Há três anos, o ator britânico Kenneth Branagh levou uma refilmagem do longa de 1974 às telonas, vivendo ele mesmo um Hercule Poirot cujo bigode em nada lembra o handlebar que o personagem cultivava (reproduzido à perfeição por Albert Finney na primeira versão). O filme de Branagh e uma série de Miss Marple veiculada pela BBC entre 2004 e 2014 (com Geraldine McEwan e Julia McKenzie se sucedendo no papel) atualizam seu universo para novas plateias. Mas nada supera, nesse sentido, Entre Facas e Segredos (2019): embora não se baseie em nenhum livro dela, o filme com Daniel Craig faz uma justa e instigante homenagem à dama.

Publicado em VEJA de 25 de março de 2020, edição nº 2679

sexta-feira, 20 de março de 2020

Há 100 anos, era editada ‘O Mystério’, primeira história policial do Brasil

Apesar de estrondoso sucesso na época, o livro caiu no ostracismo para não mais ganhar uma nova edição

Ubiratan Brasil, O Estado de S. Paulo
20 de março de 2020 | 06h00

Tudo começou em um sábado, dia 20 de março de 1920. O jornal carioca A Folha, hoje extinto, publicou o primeiro capítulo de um romance, O Mystério, que se tornaria histórico. Afinal, com a divulgação de seu epílogo, no dia 20 de maio, estava também encerrada a primeira trama policial da literatura brasileira. E foi um sucesso, pois, no mesmo ano, quando publicada em livro, a história conseguiu três edições.

“O mistério começava mesmo pela autoria do enredo”, comenta Tito Prates, um dentista e administrador de empresas que, de tão apaixonado por histórias policiais, tornou-se especialista nesse gênero – especialmente na obra de Agatha Christie. “Logo no início da publicação, que era diária, o leitor sabia que os capítulos eram assinados alternadamente por Coelho Neto, Afrânio Peixoto, Viriato Corrêa e um quarto autor identificado apenas como ‘&’. Logo se descobriu que se tratava de Medeiros e Albuquerque, que também era proprietário do jornal.”

O livro 'O Mysterio', de Coelho Neto, Afrânio Peixoto, Medeiros e Albuquerque e Viriato Corrêa, considerado o primeiro livro policial brasileiro e que completa 100 anos de publicação em 2020 Foto: Acervo Tito Prates

Aos leitores da época, foi oferecido o convite para acompanhar dois desafios – primeiro, o da própria trama policial e seu mistério habitual; o segundo era acompanhar como cada um dos quatro autores se desdobravam para escrever seu capítulo. É que nenhum deles sabia o teor da escrita do outro. “Com isso, Coelho Neto, por exemplo, só dava prosseguimento à história depois de ler, no próprio jornal impresso, o que seu antecessor produziu”, conta Prates.

Segundo o historiador, que preside a Associação Brasileira dos Escritores de Romance Policial, Suspense e Terror, os quatro autores de O Mystério deram características distintas ao romance. “Enquanto Afrânio era mais poético, Coelho Neto puxava mais para o humor. Aliás, esse é um detalhe importante porque o cômico predomina em muitas passagens da história.”
De fato, para exemplificar, basta selecionar uma das últimas frases, escrita por Afrânio Peixoto: “Nos crimes, só lucram a Polícia e a Justiça. Se os criminosos soubessem...”

É justamente o tom jocoso que torna O Mystério muito peculiar, pois, apesar de a trama começar com um crime, já despertando uma investigação, os passos seguintes apostam mais no humor ao ressaltar os infortúnios sofridos pela polícia do Rio de Janeiro. O enredo acompanha a trajetória de um jovem pobre, Pedro Albergaria, que tem um incontrolável desejo de vingança de um banqueiro, Sanchez Lobo. O motivo é nebuloso – sabe-se apenas que, no passado, houve algum atrito entre eles.

“É um romance híbrido, pois conversa com o mistério típico do policial inglês, tem pitadas de humor e ainda há um romance, cujo desfecho é mais espetacular que a própria resolução do crime”, observa Tito Prates. A trama é mirabolante, especialmente quando o jovem Pedro, leitor voraz de obras policiais, arquiteta o que considera um perfeito plano de vingança sem ser descoberto.

O que o rapaz não espera é ter de se deparar com figuras únicas, como o detetive Mello Bandeira, um major conhecido por “O Sherlock da Cidade”, pois se baseia nos métodos dedutivos do personagem criado por Conan Doyle. O humor aparece quando Bandeira é ridicularizado por se basear na ciência como base para a investigação.

Prates lembra que foi Monteiro Lobato quem primeiro editou a história em livro, tão logo encerrou a publicação em capítulos no jornal. E, apesar de estrondoso sucesso na época (ao final de 1928, já na terceira edição, totalizava dez mil cópias vendidas), o livro caiu no ostracismo para não mais ganhar uma nova edição. E continua sem editora porque um de seus autores, Viriato Corrêa, foi o último dos quatro autores a morrer, em 1967, não somando, portanto, o tempo mínimo (75 anos e um mês) para que uma obra caia no domínio público. “Também não deixou herdeiros, o que dificulta uma negociação”, complementa Prates.

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quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Resposta às críticas feitas à ABERST e ao livro Mulheres vs. Monstros - via Claudia Lemes


*Por Claudia Lemes

Me mandaram o link de um post feito pelo Alan de Sá no qual ele levanta pontos importantes sobre a literatura e a quem ela alcança. As poucas interações que tive com o autor do post foram muito positivas, mas suas críticas bem injustas, talvez por falta de conhecimento dos processos e filosofias por trás da associação e da minha coletânea de contos. Por isso, faço o esclarecimento.

No post, diz: "Assim como no caso do fantasismo, levanto ressalvas para a atuação da Associação Brasileira de Escritores de Romance Policial, Suspense e Terror (ABERST) (...) acompanho e gosto da existência da associação. Mas me incomoda bastante a baixíssima presença de pessoas pretas na associação (dos listados no site, somente a Meg Mendes), assim como de nordestinos, e nos projetos que, direta ou indiretamente, fazem parte da ABERST."

Vamos lá: quase 90% da ABERST é composta de associados engajados com questões de ativismo. Há diariamente, debates sobre todas essas questões na associação. Inclusive, está acontecendo uma neste exato momento no nosso grupo de Whatsapp.

Eu não posso forçar ninguém a entrar na associação. Eu posso fazer da associação um lugar convidativo para qualquer minoria. Quem segue nossas redes sociais já viu que nos posicionamos em relação ao racismo e à homofobia, mesmo contra a opinião de alguns associados. Eu, inclusive, para quem não sabe, sou bissexual. Quando eu era presidente, o conselho diretor era formado por 1 mulher e 5 homens. Hoje o conselho é 50% de mulheres, entre elas a Valquíria Vlad, cearense.

A ABERST, além de se posicionar, externa e internamente, é acolhedora para todos. Mas associar-se é um ato voluntário. Como vou forçar mais pessoas negras a participarem da nossa comunidade? E quem sou eu para forçar qualquer pessoa a fazer qualquer coisa?

Do blog: "Um exemplo: em Mulheres vs Monstros, livro com artigos e contos sobre personagens femininas da literatura, mitologia e cinema contra criaturas malignas (metaforizadas ou não), dos 12 autores que fazem parte (Cláudia Lemes, Clara Madrigano, Duda Falcão, Fábio Fernandes, Jana Bianchi, Rodrigo Ortiz Vinholo, Denise Flaibam, Flávio Karras, Oscar Nestarez, Tito Prates e Larissa Brasil), nenhum deles é negro."

Em primeiro lugar. Eu sou uma pessoa. A ABERST é uma associação. Eu fico muito puta quando as pessoas acham que tudo o que eu faço é ligado à ABERST. Eu compreendo, mas isso me deixa irritada. Mulheres vs. Monstros não tem NADA a ver com a ABERST. É uma iniciativa MINHA.

Quando eu fui convidando autores, eu convidei um autor negro. Ele não pôde se envolver. Eu queria envolver a Camila Simões, que é negra. Já tinha feito um podcast com ela e era apaixonada pela sua forma de se posicionar, de falar, e pensar. Quando fechamos a lista de autores, a Jana Bianchi até comentou que a coletânea estava muito branca. Eu concordei. Fui convidando as pessoas com quem tinha mais contato e deu no que deu. Na hora que me liguei que havia pouca representação, mais uma vez pensei na Camila e ela topou prefaciar a obra, o que me deixou muito feliz. Acho estranho que o prefácio incrível dela tenha sido ignorado, já que é o primeiro texto do livro.

Depois da publicação do Mulheres vs. Monstros eu tive a oportunidade de conhecer melhor outras autoras negras de ficção especulativa. Conheci melhor o trabalho delas e fiz questão de indicar o que li e gostei. Sem dúvidas convidaria muitas delas para um próximo projeto, não apenas por uma questão de representatividade, mas pela qualidade literária do que produzem.

Recentemente, convidei a Karine Ribeiro para fazer a leitura sensível do meu próximo livro, para ter um feedback sobre como retratei minha personagem negra. Fiquei feliz que ela topou, porque conheço minhas limitações sobre o assunto.

O autor do post também se esquecer de mencionar o Jorge Alexandre Moreira, a Karine Ribeiro e o Luis Asp, outros autores negros que são associados. Mas eu também não gosto de nomeá-los aqui e ainda correr o risco de ser acusada de falar por eles. Eles podem falar por si e podem falar da associação. Não cabe a mim.

Como pessoa branca, o máximo que vou conseguir é ser uma das "bem intencionadas", infelizmente. Até onde meu pouco poder e influência levam, eu tentei ser humilde, inclusiva e mais ouvir do que falar quando o assunto é algo que eu nunca vou vivenciar- racismo. Talvez eu erre? Porra, com certeza. Mas gostaria que, antes de ser linchada em público, as pessoas me dessem o benefício da dúvida e procurassem saber mais sobre os processos e intenções dos bastidores.

Quem se increve para o prêmio ABERST e quem vence não depende de mim.

Quem se associa a ABERST não depende de mim.

Quem eu convido para projetos depende de mim, quem aceita, não.

Se alguém quiser estatísticas que eu fiz questão de levantar, no meu tempo livre, justamente sobre o perfil do autor nacional, sua etnia, de onde ele vem, onde ele mora, que religião segue, sua idade, seu nível de escolaridade e visão política, segue o link de uma pesquisa feita com 275 autores, que eu levei para minha palestra na FFLCH, justamente para questionar o elitismo da produção literária nacional. Ela não tem pretensão nenhuma de ser "completa", ela é só um ponto de partida. 

Enfim, como já dito, não tenho nada contra o autor do post, mas também não acho que ele tinha conhecimento suficiente de como funciona a ABERST, o Prêmio ABERST e minhas publicações. Se ele quiser conversar sobre o assunto, minhas portas estão abertas. Também gostaria que ele conversasse com os autores negros da associação para pegar a opinião deles.

Obs: eu não sou mais presidente da ABERST. Esse não é um comunicado da associação, ele é meu, como pessoa.

quarta-feira, 5 de junho de 2019

Embaixador brasileiro de Agatha Christie, Tito Prates lança livro em pré-venda


Uma série de mortes, até então desconectadas, começa a assombrar os moradores de São Paulo. Em todas elas o assassino deixa sua marca: a unha do dedinho do pé pintada de rosa. O delegado Meireles e sua equipe de investigadores se empenham em desvendar o mistério por trás dessas mortes horrendas e descobrem que lidam com um serial-killer copycat e que a resposta à pergunta “quem será a próxima vítima?” pode estar no Museu do Crime!

Essa é a premissa do mais novo livro de Tito Prates. O dentista e administrador de empresas é conhecido por ter uma paixão literária tão forte que o torna incomum. Aficionado por Agatha Christie, é um dos dois embaixadores dela no mundo, inclusive, sendo biógrafo brasileiro da autora britânica - vide Agatha Christie: From My Heart — Uma Biografia de Verdades (Tito Prates).

Originalmente uma publicação independente, agora está em formato físico pela editora Monomito. Escrito para estômagos fortes, crimes que ocupam o imaginário coletivo nacional desfilam em tons sangrentos. O bandido da luz vermelha, o crime da mala e o caso Von Richthofen fazem parte de seu estandarte.

BOX: Livro Museu do Crime com frete incluso + 4 fotos da série Poirot e a foto exclusiva para este kit Poirot e Hastings no Egito, todas tamanho 20X25 licenciadas + marcador de páginas personalizado e marcador Poirot + postal Witness for the Prosecution + bloquinho e mochila ecobag personalizadas do livro e nome nos agradecimentos
A quem diga que ele deixa o bigode crescer entre julho e setembro (período em que se comemora o aniversário da autora) no formato de um gancho, uma das marcas principais do detetive Hercule Poirot. Viciado em crimes, Tito também faz seleções de antologias, como para a Constelação e mais recentemente para a Luva Editora.

Seu mais novo livro, Museu do Crime, está em pré-venda pelo Catarse"Quando a gente é pequeno todas as conquistas têm que ser comemoradas. Uma das que a Monomito pode estourar uma champanhe é a conquista da confiança do Tito Prates." diz Adriana Chaves, editora na empresa Monomito Editorial.

A campanha vai até o dia pode apoiar este projeto até o dia 10 do mês que vem. Link aqui.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Batom Naná | Tito Prates


O crime apareceu em diversos jornais sensacionalistas da cidade de São Paulo e em alguns outros pelo Brasil e pelo mundo a fora. As fotos da vítima se transformaram em viral na internet, porém o que mais chamava a atenção era o bilhete encontrado junto ao corpo. - Tito Prates

Uma cara já conhecida nesse blog é Tito Prates. Autor da biografia Agatha Christie: From My Heart — Uma Biografia de Verdades, publicada em 2016 com autorização do Agatha Christie Trust, Agatha Christie Ltd. e Mathew Prichard, neto da escritora, Tito também é embaixador nacional da autora no país. Agora ele volta como autor.

Em Batom Naná, Tito Prates nos apresenta a um mistério que envolve mortes através de consumo de um batom envenenado por cianeto. Esses assassinatos remetem a brigas antigas e feridas abertas pela violência e pelo bullying.

Batom Naná está disponível na Amazon,para acessar é só clicar no link: https://amzn.to/2FWPmXE 


sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Agatha Christie: From My Heart — Uma Biografia de Verdades (Tito Prates)


De certo modo todos nós conhecemos Agatha Christie. Romancista, contista, dramaturga e poetisa, seus livros venderam mais de 2 bilhões de cópias em 44 idiomas. Só de royalties são cerca de US $ 4 milhões por ano. Agatha Christie é também uma das autoras mais prolíficas do mundo. Mas a certas coisas que ficam um pouco obscuras - principalmente em publicações no Brasil.

Por exemplo, na Seleção Vira-Vira da Saraiva, que vem em um único volume Misterioso Caso de Styles e O Caso do Hotel Bertram. Nele você vai encontrar que a autora nasceu em Devoshire (erro repetido pelo autor nesse post). Já em o Assassinato do Expresso do Oriente publicado em 2009 pela Nova Fronteira, diz que ela nasceu em Torquay.

Mas não se preocupe, seus problemas acabaram. Escrita pelo brasileiro Tito Prates, reconhecido como seu embaixador oficial no Brasil. Segundo o autor, a biografia é a única disponível no mercado que teve o consentimento da família de Agatha Christie - com quem manteve contato e colheu ainda mais detalhes para realização de sua obra mais que magnífica.

Tito Prates, embaixador oficial de Agatha Christie, posa como o detetive Hercule Poirot em sessão de pré-estreia de Assassinato no Expresso do Oriente (Foto: Divulgação)
O autor não quer só descrever a vida de uma pessoa. Antes de tudo, o texto quer ser uma conversa ao pé do ouvido, criar uma intimidade entre o leitor e a pessoa biografada. O livro que ganhou a indicação de ninguém menos que o neto e administrador da obra da escritora, Mathew Prichard. Tito é mais que um fã, é um profundo conhecedor da carreira artística e pessoal de Agatha, tendo uma memória incomparável sobre suas histórias.

"Outro aspecto único em sua bibliografia é o fato dela ter escrito novelas policiais durante mais de 50 anos. No paralelo das tramas de quem foi que matou, como foi, por que foi e com o que foi, corre uma história extraordinária, da qual ela é a maior retratista, dada a longevidade e quantidade de sua produção literária – 66 livros, mais de 170 contos, mais de 20 peças teatrais, 6 livros românticos com pseudônimo e dois autobiográficos, além de dois livros de poemas e um infantil: Agatha Christie mostra como mais ninguém mostrou a evolução da sociedade inglesa desde antes da Primeira Guerra Mundial até a década de 70. Por si só, este já seria um mérito enorme." - diz em um texto publicado no Escambau.

Curiosamente, Tito não tem Hercule Poirot como seu personagem preferido, posto ocupado por Miss Marple. "Quem conhece Agatha, sabe que ela tinha Poirot como meio de trabalho – no início da carreira, quando Agatha tentava se afastar de Poirot, os editores pediam que voltasse a ele. Ela se sentiu amarrada ao detetive. Há uma carta curiosa de um editor americano para um colega inglês, escrita durante a 1.ª Guerra, em que ele confessava seu temor de Agatha estar deprimida por causa do conflito, o que a teria convencido a escrever uma trama em que descreve a morte do Poirot. A história só seria publicada caso algo acontecesse com ela. Eu, ao contrário, acredito que Agatha se divertiu ao matar Poirot, para, enfim, se livrar dele, sem saber que ainda estaria amarrada ao personagem por mais de 30 anos."

Veja também:

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Vamos de obviedades? - por Cláudia Lemes


Antologias pagas não são o inimigo. Editoras pagas também não.

ALIÁSSS, batemos palmas para muitas editoras por estarem "investindo na literatura nacional", mas que na verdade são pagas, mas ninguém sabe.

ALIÁSSS, tem muito autor que está sendo aplaudido por ter sido contratado por uma editora foda, mas que na verdade, pagou. É que você não sabe.

Esses autores estão errados? Não. Estão certíssimos. Estão apostando neles mesmos e na arte na qual acreditam e merecem respeito.

Essas editoras estão erradas? Bom...aí é que entra o caso a caso.

Conheço donos de editoras que cobram para publicar. São apaixonados por literatura. Prestigiam autores nacionais. Leem autores nacionais. Mas não têm grana para bancar todos. Eles fazem uma proposta. A pessoa aceita se quer. Eles editam, preparam o texto, muitas vezes dão coaching de escrita e carreira, revisam, divulgam e lançam o livro. Dois anos depois começam a investir na publicação tradicional. To vendo acontecer.

Existem as armadilhas, sim. Não precisa ser um gênio para ver que pagar para publicar 3 mil caracteres junto com 30 autores não é um bom investimento (embora seja um direito da pessoa, ué). Não precisa ser brilhante para sacar que se a editora só vai imprimir 150 livros para você se você comprar 100, é furada.

O Ghost Story Challenge, da ABERST, é pago. O conselho da ABERST lutou com vários fornecedores, negociou contratos por semanas e fez tudo o possível para deixar o evento acessível. O valor do evento, de R$ 450 para associados e R$ 550 para não associados cobre: 12 horas de aluguel de uma mansão segura e limpa para os participantes. Cobre 3 cursos de escrita (com Fábio Fernandes para estrutura de contos, Jhefferson Passos para minicontos e moi para ambientação e descrição). Cobre o jantar. Cobre o café-da-manhã. Cobre os monitores do evento. Cobre certificado e kit de boas-vindas. Cobre um trabalho meticuloso de preparação de texto, edição, revisão, capa, diagramação e impressão da antologia resultante da experiência. Cobre um exemplar para o autor. E sim, os autores vão ganhar royalties. Cobre a experiência de produzir e debater literatura de gênero com colegas e fazer networking. E a ABERST não vai lucrar com o evento. Eu sou uma fodida de grana. Mais do que uns, menos do que outros, e mesmo assim, eu pagaria o dobro.

Então por favor, não generalizem. Eu também generalizava. Até conhecer os bastidores. Até conhecer picaretas e gente honesta, até saber a história real por trás de muitas publicações.

Vamos debater os projetos, os fatos, e tentar melhorar essa porra. O que leva autores a gastar fortunas nessas furadas é essa mania de endeusar a publicação "por editora", aquele selinho na capa. Mesmo sabendo que vai ganhar mais sozinho, mesmo sabendo que vai poder tomar as decisões criativas e de mercado, o autor abre mão de tudo isso pelo maldito selinho na capa, por essa validação infantil. Há editoras maravilhosas de todos os tamanhos. Há editoras que simplesmente não oferecem o que o autor precisa. E TUDO BEM. Que cada um escolha o que é melhor para si. Pensem mais nos livros e nas histórias do que em status e vaidade. Essa merda contamina e confunde, e você começa a achar que só tem sucesso quem está numa editora gigantesca, e não quem escreve livros bons. E quando você menos espera tá lá, preenchendo cheques sem saber se vai valer a pena.

Obs: não é indireta para ninguém em especial. É um desabafo. Se você acha que foi para você, não me odeie injustamente. Me pergunta inbox: "foi para mim?" 

Garanto que não foi.

Cláudia Lemes é presidente na empresa ABERST: Associação Brasileira de Escritores de Romance Policial, Suspense e Terror