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quinta-feira, 27 de outubro de 2016

ÚLTIMA NOTÍCIAS: Turnê "Horror na Colina de Darrington" - Feira Intergaláctica Aleph, O Retorno


O embaixador e autor da plataforma digital Wattpad no Brasil, Marcus Barcelos, lança a partir das 18h30 na Livraria Cultura Espaço Geek no Conjunto Nacional (Av. Paulista, 2073 – São Paulo - SP) o livro Horror na Colina de Darrington (Faro Editorial). O livro de caráter pulp são as memórias da infância de Benjamin Simmons, que viveu sua vida inteira em um orfanato e todo esse tempo imaginou estar sozinho até ser convidado a morar na casa de seus tios. Depois de presenciar eventos sobrenaturais sua sanidade é colocada à prova. O livro já foi resenhado nesse espaço (click no link).


A Editora Aleph anunciou sua 2° Feira Intergaláctica (criando até um evento no Facebook). Os livros estarão com desconto​ ​de ​30% a 70%. Vai ter seção de autógrafos com o ilustrador Rafael Coutinho, o autor André Vianco, palestras e um Abdução ao vivo.

"Como não estaremos na CCXP - Comic Con Experience​ essa é ​uma boa oportunidade de vocês comprarem os nossos lançamentos nesse final de ano​ com um precinho bacana." diz a editora.

A aposta da editora para o final do trimestre de 2016 é a edição de 30 anos de Forrest Gump - Winston Groom e na pré-venda de Coração de Aço de - Brandon Sanderson. Ambos os livros vão estar lá, na Rua Henrique Monteiro, 121 - Pinheiros (próximo ao metrô Faria Lima, Linha Amarela)


Eu estive na 1° Feira Intergalactica da Aleph (ganhei até do Kylo Ren no ping-pong) na época do Oráculo dos Nerds. Espero que a segunda seja tão bom quanto a primeira.

terça-feira, 14 de junho de 2016

Era uma vez na Suíça - Frankenstein ou o Prometeu Moderno (Mary Shelley) [ATUALIZADO]


FOI NUMA MONÓTONA noite de novembro que vi a consumação de meus esforços. Com uma ansiedade que beirava a agonia, reuni ao meu redor os instrumentos de vida que poderiam infundir uma centelha de ser na coisa inanimada que jazia a meus pés. Já era uma da manhã; a chuva tamborilava lugubremente contra as vidraças, e minha vela já estava quase consumida, quando, pelo fraco clarão da luz quase extinta, vi abrirem-se os fundos olhos amarelados da criatura; ele respirou fundo e um movimento convulsivo agitou-lhe os membros. - Mary Shelley
Continua sendo um ground. Entrecortado por poemas de Samuel Taylor Coleridge (1772-1834), John Milton (1608-1674) e Percy Shelley (1792-1822)Mary Wollstonecraft Shelley (1797-1851) desenvolve Frankenstein, um clássico, porque você pode fechar o livro, mas ele nunca termina de dizer o que tinha para dizer.

Em uma noite de terror na Suíça, cinco pessoas em uma casa resolveram escrever histórias de fantasmas. Liderados por Lord Byron (1788-1824) o mais famoso poeta romântico da literatura britânica, seu médico, John William Polidori (1795-1821), o poeta Percy Shelly, Mary Shelly (sua namorada na época) e Claire Clairmont (1798-1879) meia-irmã de Mary, cada um ficou responsável por criar uma história. A proposta de Byron não foi muito longe. O nobre autor começou uma história, e publicou um fragmento no fim de Mazeppa. Já John Polidori escreveu um caso de uma mulher que espia por um buraco de fechadura e tem a cabeça transformada em caveira. Percy Shelley redigiu o Fragmento de uma História de Fantasma, pouco conhecido hoje. Obcecada, Mary começou com um conto, que expandiu graças aos pedidos do já então marido Percy Shelly - na época eles eram namorados, e antes disso, Mary foi amante de Percy, que era casado com Harriet, até ela morrer afogada - a versão oficial, ainda hoje bastante questionada, é a de que ela se suicidou em um lago do Hyde Park, em Londres.

Frankenstein tem uma margem filosófica muito profunda. Romântica, não há como não sentir a mão do filósofo Rousseau (1712-1778) quando o demônio (é assim que a criatura é chamada pelo criador no livro) no capitulo 10 travando um longo dialogo afirma que era bom, mas as desgraças que aconteceram em seus percalços o tornaram mal e rancoroso:

''Crê-me, Frankenstein, eu era bom; minha alma estava cheia de amor pela humanidade; mas não estou só, miseravelmente só? Tu, meu criador, me odeias; que esperança posso ter junto aos teus semelhantes, que nada me devem? Eles me rejeitam e me odeiam. As montanhas desertas e as geleiras lúgubres são o meu refúgio. Tenho perambulado por aqui há muitos dias; as cavernas geladas, que só eu não temo, me servem de morada, a única que o homem não inveja.''

Esse rancor (principalmente pelo seu criador) se mostra mais visível na fala:

''Maldito o dia em que me foi dada a vida!'', exclamei em agonia. ''Maldito seja meu criador! Por que criar este monstro tão hediondo que sou, do qual até tu desvias o olhar repugnado? Deus, que é piedoso, fez o homem belo e atraente, à Sua imagem. Minha forma, porém é uma versão impura da tua, ainda mais horrenda pela própria semelhança. Satã tinha seus comparsas, seus demônios-irmãos para admirá-lo e incentivá-lo; eu, no entanto, sou solitário e abominado.''

Com dor e remorso pelas tragédias que causou: a morte do irmão, da mulher e de seu melhor amigo pelas mãos da criatura. Em uma caçada mortal, ele avança pelo norte buscando a morte daquele ser repugnante.

A ciência na medida que nos deu poderes de discernimento, abriu fronteiras e quebrou paradigmas, alterando o que se é normal: a condição da morte, da vida e até da ressurreição (tema do post da semana passada sobre H.P. Lovecraft) nos empurra para um abismo moral e ficamos sem saber o que fazer no final.

terça-feira, 7 de junho de 2016

Ressurreição macabra - O Caso de Charles Dexter Ward (H. P. Lovecraft)



DE UM HOSPITAL particular para doentes mentais, nas proximidades de Providence, em Rhode Island, desapareceu há pouco tempo uma pessoa extraordinariamente singular. Chamava-se Charles Dexter Ward e fora internado com grande relutância do pai, o qual, pesaroso, vira sua aberração transformar-se de mera excentricidade numa lúgubre obsessão que implicava a possibilidade de tendências assassinas e uma mudança peculiar de sua estrutura mental. Os médicos confessam-se bastante desconcertados com seu caso, pois apresenta singularidades de caráter fisiológico geral e, ao mesmo tempo, psicológico. - H. P. Lovecraft.

Obra publicada postumamente em 1945 mas escrita em 1927, O Caso de Charles Dexter Ward talvez seja um dos grandes marcos para as histórias de terror de todos os tempos. Com um estilo único de narrativa, o autor nos mergulha no processo de loucura que toma o jovem Charles Ward, ''um estudioso e um apreciador de antiguidades'' que após começar a pesquisar sobre seu tetravô, um homem de comportamento excêntrico e moral duvidosa, tem acessos de uma loucura singular.

Com um tom relacionado muito as histórias policiais, o Dr. Willet, médico e amigo da família, empreende uma investigação acerca dos mistérios que envolveram Charles e que culminaram em sua loucura.

Li comentários que a história seria um plágio da opus maximus de Mary Shelley, Frankenstein. Os elementos obscuros das narrativas não se misturam, mesmo envolvendo ciência (alquimia). Mary Shelley em 1818 propõe em sua obra, não a ressurreição, mas sim a criação de algo, algo novo, algo vivo a partir de ciência e investigações. Lovecraft propõe coloca outra temática: a temática da mistura de alquimia (sais essenciais) com magia negra como método de ressurreição, atração e banimento de espíritos.

A atmosfera sombria e linguagem de época tem a dar um certo cansaço ao leitor. Lovecraft não se mostra muito hábil em narrativas longas, porém é inegável que sua capacidade de criar bons enredos. Os elementos dos ''Mitos de Cthulhu'' estão ali: Necromicon, Abdul Alhazred, o terror vindo de outra dimensão e etc. No final da vida seus últimos contos se tornaram longos e inertes, mas não apagam nem um pouco sua genialidade.