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sexta-feira, 6 de outubro de 2017

"Em sua morada em R'lyeh o adormecido Cthulhu espera sonhando" - O chamado de Cthulhu (H.P. Lovecraft)


A COISA MAIS MISERICORDIOSA no mundo, eu acho, é a incapacidade da mente humana correlacionar todos seus conteúdos. Nós vivemos em uma plácida ilha de ignorância no meio de um oceano negro infinito, e não era para que pudéssemos navegar para longe. As ciências, cada uma esticando a corda em sua própria direção, nos causaram pouco mal até agora; mas algum dia esse mosaico de conhecimento dissociado nos legará um terrível panorama da realidade e de nossa pavorosa amedrontadora posição neste lugar, tão terrível, que ficaremos loucos diante da revelação ou fugiremos covardemente da luz mortífera para a paz e a segurança de uma nova Idade Negra. - H.P. Lovecraft

Achar algo para dizer de um dos contos mais comentados nos últimos anos no Brasil e no mundo inteiro é realmente algo difícil: não há nada, absolutamente nada que não foi dito. Já foi dito que ele foi o ponta pé de todos os Mythos, que influenciou uma gama de escritores, de games, de filmes e todas as artes em geral.

O que dizer de O chamado de Cthulhu?

O autor aqui parte de uma conversa informal com Oscar Nestarez, Mestre em Literatura e Crítica Literária pela PUC-SP. Quando o procurei tentei ser sincero: tudo sobre esse texto já foi dito, não tenho mais nada o que escrever ou acrescentar. Foi quando ele falou algo que nunca esqueci: Sinta o texto. Então, ai vou tentar fazer uma analise do que senti no texto. Espero corresponder as expectativas dos seguidores e leitores ocasionais dessa página.

A princípio o estranhamento. Nada faz sentido com nada no início. Temos uma introdução no primeiro parágrafo que dá um pouco o tom do que será trabalhado, e nisso o narrador vai discorrendo sobre eventos anteriores a ele - como a morte do tio e a estranha pesquisa dele - até eventos e ocasiões de busca, onde ele mesmo tenta fazer a própria pesquisa, mantendo o trabalho de seu familiar.

O narrador observa todo o desespero de seu tio ao se deparar com coisas que ele nunca tinha visto em toda a sua vida acadêmica - coisas sobrenaturais envoltos em sonhos, aparições e artes esculpidas em argila.

O terror na narrativa busca sempre os efeitos ocasionados pela coisa. A caixa com informações desconexas que começavam a se encaixar em manuscritos, sociedades secretas, ceitas ocultas, surtos de esquizofrenia e relatos de pesadelos ligados a criatura de argila: algo humanoide com rosto de polvo e asas de dragão.

Talvez esse seja o sentir que o Oscar fale: se deixar levar pelas longas e cansativas descrições, cair nas sugestões, pensar que existe mais coisas entre nós e o mundo lá fora - Lovecraft conseguiu fazer com isso seu o espaço, demonstrar seu talento e conquistar amigos e leitores.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Fotografias inomináveis - O modelo de Pickman (H.P. Lovecraft)


NÃO precisa pensar que estou louco, Eliot - muitos outros têm preconceitos mais bizarros que este. Por que você não ri do avô de Oliver, que não anda de automóvel? Se não gosto daquele maldito metrô, o problema é meu; e, de qualquer modo, nós chegamos aqui muito mais rápido com o táxi. Teríamos sido obrigados a caminhar ladeira acima desde Park Street se não tivéssemos tomado o carro. - H.P. Lovecraft
Compondo o Ciclo de Cthullhu da coletânea da editora Ex-Machina, O modelo de Pickman nos apresenta a narrativa contada por Thurber para Eliot, seu ouvinte. Ele conta como travou contato com a obra de Richard Upton Pickman, um pintor de Boston expulso da acadêmia por apresentar obras de arte mórbidas e como uma pesquisa sobre arte fantástica o deixo de nervos frágeis.

Escrito em 1926, o conto trás fontes históricas como os julgamentos das bruxas de Salem, ocorridos no século XVII, e trás para o plano de fundo do horror presente no tempo moderno - como as criaturas no metrô de Nova York e as fotografias dos modelos que o pintor usava.

A história é a aplicação de conceitos desenvolvidos em seu ensaio O Horror Sobrenatural Na Literatura também compara o trabalho de Pickman com o de vários artistas reais, incluindo John Henry Fuseli (1741-1825), Gustave Doré (1832-1883), Sidney Sime (1867-1941), Anthony Angarola (1893-1929), Francisco Goya (1746-1828) e Clark Ashton Smith (1893-1961). Com o passar da narrativa, nós vemos que Pickman não é um ser humano comum, se cogita durante a narrativa ele ser um changeling: uma criança trocada - a prole de uma criatura lendária que foi deixada secretamente em troca de uma criança humana.

terça-feira, 11 de julho de 2017

Um espirito em fuga - Aprisionado com os Faraós (H.P. Lovecraft)


Mistério atrai mistério. A partir da ampla divulgação do meu nome como artista de feitos inexplicáveis, deparei-me com relatos e eventos estranhos que as pessoas passaram a vincular aos meus interesses e atividades. Alguns foram comuns e irrelevantes, outros ainda produziram experiências esquisitas e arriscadas, e, por fim, alguns me envolveram em vastas pesquisas científicas e históricas. Muitos desses casos tornei públicos e vou continuar a falar a respeito deles com absoluta franqueza, mas eiste um sobre o qual falo com grande relutância e o qual estou contando agroa somente após uma reunião dura em que fui persuadido pelos editores de uma revista que tinham ouvido rumores vagos a esse respeito de outros membros da minha família. - H.P. Lovecraft

Publicado em maio de 1924 e reimpresso na edição de julho de 1939 da Weird Tales, o conto de Lovecraft narra as aventuras do mágico mais famoso do mundo na terra do Egito. Nosso narrador nos conta que, durante uma viagem ao Egito, teve curiosidade em visitar as pirâmides à noite, para que pudesse adentrar nos lugares proibidos e descobrir seus segredos. Seu desejo se realiza de forma abrupta, quando os nativos o acorrentam e abandonam no interior de uma das pirâmides, e o desafiam a sair de lá.

Dividido em duas partes, o conto explora o lado histórico do personagem e do ambiente. A primeira é a decoberta - a apresentação do narrador e uma grande aula sobre o Egito Antigo, a segunda é o desenvolvimento do horror com elementos religiosos, mostrando o arrependimento do próprio mágico de ter lido sobre as antiguidades do local e sua incredulidade diante os mistérios ancestrais: "as múmias compostas lideradas através dos vazios de ônix mais extremos pelo rei Quéfren e sua rainha necrófila Nitocris...".

Os mais atentos notaram indiretamente a presensa de um dos antigos mais conhecidos do mundo dos Cthulhu Mythos: Nyarlathotep. Houdini morreu dois anos depois do conto ser publicado, o que nos faz pensar no que o mágico pensou ao ler aquele conto - publicado por Lovecraft como ghost-writer. Por uma longa parte de sua vida o mágico passou a desmascarar espíritas e falsos médiuns, que empregavam truques semelhantes aos ilusionistas para enganar a fé de pessoas desesperadas em busca de conforto.

domingo, 12 de março de 2017

Cilindros cerebrais em Plutão - Sussurros na escuridão (H.P. Lovecraft)


Aquelas inóspitas montanhas certamente são o posto mais avançado de alguma temível raça cósmica - como não duvido nem um pouco desde que li que um novo planeta foi avistado além de Netuno, exatamente como aqueles seres haviam dito que iria acontecer. Os astrônomos, com uma precisão medonha de que mal suspeitam, nomearam essa coisa de "Plutão". Sinto, acima de qualquer suspeita, que ele seja nada menos que o noturno Yuggoth - e estremeço quando tento descobrir o real motivo por que seus monstruosos habitantes queiram que ele se faça conhecido dessa forma nesta época em especial - H.P. Lovecraft


A história se desenrola em torno dos acontecimentos ocorridos após as grandes enchentes de Vermont em 1927. Albert N. Wilmarth, folclorista amador e professor de literatura na Universidade do Miskatonic, começa a ser consultado após relatos sobre cadáveres de animais desconhecidos boiando nas águas, e tenta vincular os relatos às crenças populares da região.

O assunto ganha os jornais e com isso surge Henry Wentworth Akeley, um folclorista de Vermont que acredita na existência de cultos secretos e criaturas inumanas nas colinas do estado e logo percebe estar diante de coisas muito mais poderosas do que poderia imaginar.

Trocando cartas assíduas com Henry Akeley, Albert N. Wilmarth percebe que as cartas ficam cada vez mais perturbadoras, tendo Akeley discorrendo das características de tais seres, falando das evidências, de rastros inumanos pelas terras e objetos estranhos encontrados sem precedentes.

Uma prova de toda a primazia de Lovecraft ao desenvolver esse tema, a ficção científica se mescla com o suspense e o horror e nos permite acompanhar a assustadora história de Wilmarth e Akeley. A cada descoberta o leitor se sente mais próximo, junto com o protagonista, de encontrar a verdade por trás de tudo.

sábado, 4 de março de 2017

Uma casa por onde se sai da vida e que se entra à eternidade - A estranha casa que pairava na névoa (H.P. Lovecraft) [SPOILER]


A névoa sobre o mar de manhã junto aos penhascos ao largo de Kingspot; branca e leve, ela vem das profundezas para encontrar suas irmãs, as nuvens, cheia de sonhos de pastos úmidos e cavernas gigantes. E mais tarde as chuvas de verão vertem gota a gota sobre os telhados encharcados dos poetas, espalhando partes desses sonhos, já que os homens não devem viver sem rumores de segredos antigos e estranhos e sem os prodígios que os planetas  - H.P. Lovecraft

Em um conto onírico e quase infantil comparado ao resto da sua obra, H.P. Lovecraft nos entrega, talvez, seu lado mais "meigo". Escrito em 9 de novembro de 1926, foi publicado pela primeira vez na edição de outubro de 1931 da revista Weird Tales.

Provavelmente baseado nas Crônicas de Rodriguez de Lord Dunsany (autor por esse muito admirado), o conto narra as aventuras do professor de filosofia Thomas Olney (personagem que chama a atenção pelo fato de ser casado [a maioria dos personagens de Lovecraft são solteiros, cultos e homens]) que decide investigar a origem de uma casa localizada em um penhasco, lugar conhecido por nunca ter sido visitado.

Ao subir ele se depara com uma surpresa: a casa é encantada, habitada por fantasmas, que guardam a comunhão entre as brumas do mar e as nuvens do céu, sendo assim, um ponto de encontro entre as ondas e as nuvens.

No final se descobre que depois da experiência Thomas não fica louco: trabalha normalmente, cria seus filhos, vive a vida cada dia de uma vez, mas deixou seu espirito no estranho local. Netuno e Nodens são citados e desenvolvidos.

O conto também faz referência direta ao conto O velho terrível onde um personagem em questão faz aparições chave em ambos.



quinta-feira, 2 de março de 2017

No IFRN da Cidade Alta, a Sci-fi continua sonhando

E.L.A, exposição em cartaz no IFRN - Cidade Alta

A história é uma ficção cientifica, um sonho ou um simulacro de realidade. Fala sobre preservação da memória e identidade, apresentando uma personagem feminina querendo encontrar um caminho que logo ela mesma percebe ter a chave - Leander Moura

Os fãs de ficção científica tem crescido no Brasil - isso já é um fato. Agora, eles (fãs) tem uma exposição só sobre o tema. O artista Leander Moura trás ao público seguir a personagem E.L.A. como se estivesse folheando um livro.



Os fãs de science fiction conhecem já a muito tempo Leander. Foi ele que em 2014 realizou a graphic novel O evangelho segundo o sangue em co-autoria com o roteirista Marcos Guerra. Atualmente Leander é colaborador da editora Clock Tower, para a qual fez a capa do livro O Rei de Amarelo e ilustrou o livro O Mundo Sombrio – histórias de mitos de Cthulhu por Robert E. Howard.

As obras trabalham o conceito de simulacros de realidade, em uma narrativa visual, que tenta levar o público a transitar pela história da personagem E.L.A. Além das pinturas trabalhadas em aquarela e nanquim, os visitantes vão poder folhear os originais e o estudo realizado pelo artista, que contém o passo a passo deste trabalho a partir de sua concepção.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

O primeiro capitulo na Terra Selvagem... - A Torre do Elefante (Robert E. Howard)

Adaptação do conto A torre do elefante de R.E.H por Roy Thomas e arte de John Buscema a Alfredo Alcala
Tochas bruxuleavam obscuramente sobre a folia no Malho, onde os ladrões do Leste faziam carnaval à noite. No Malho eles podiam farrear e berrar à vontade, pois as pessoas honestas evitavam o bairro, e os guardas, bem pagos com moedas suspeitas, não perturbavam a diversão. Entre as ruas irregulares e sem calçamento, com seus montões de lixo e poças de lama, farristas bêbados cambaleavam, gritando. O aço faiscava entre as sombras, onde lobo caçava lobo, e da escuridão saltavam gargalhadas agudas de mulheres e um roçar de corpos em luta. Um brilho de tochas escorria lugubremente de janelas quebradas e portas escancaradas; e dessas portas provinham os cheiros nauseantes do vinho e o fedor dos corpos suados, um ruído de canecos e punhos martelando contra mesas rústicas e uns farrapos de canções obscenas, que saltavam como socos na cara. - Robert E. Howard

Em uma taverna entra um estranho, que ouve de uma criatura que um tesouro de grande poder se esconde atrás de portões de um temível  feiticeiro. É assim que começa A Torre do Elefante, a primeira aventura de Conan, o cimério em terras inóspitas.


Criando um clima que se tornaria um clichê do RPG, Conan neste momento de sua vida (por volta dos 17 ou 18 anos) ainda no inicio da sua carreira de ladrão. Na taverna mata um beberão depois de ser provocado e parte para assaltar a morada do feiticeiro Yara, dono de poderes inimagináveis graças ao seu tesouro: O Coração do Elefante.

Fazendo referência ao conto Sussurros na Escuridão de seu amigo H.P. Lovecraft, o conto descreve uma raça alien que teve suas asas atrofiadas e que chegaram antes mesmo da formação da humanidade.

Para saber mais sobre a obra de Robert E. Howard veja os especiais Robert E. Howard e os Cthulhu Mythos e A Saga Bibliográfica de Robert E. Howard na Weird Tales.



segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

"Eu vi Satã cair do céu como relâmpago" - A cor que caiu do espaço (H.P. Lovecraft)


Há pouco terminei uma nova história que pretendo lhe enviar na minha próxima correspondência. Ela tem lampejos quase poéticos, embora seja em boa parte realista, com uma ambientação prosaica ''a oeste de Arkham''. Algo cai do céu e o terror se instaura. Tudo é narrado por um velho quarenta anos depois; e o título é ''A cor que caiu do espaço''. É uma longa narrativa curta - tem a extensão exata de ''Cthulhu'' — correspondência de H.P. Lovecraft ao escritor e artista Bernard Austin Dwyer.

Um conto sem clímax, sem herói e que poderia ter saído dos olhos do próprio Cristo. Uma história em um cenário mínimo, que Lovecraft nos impõe sem frases reflexivas, um relato direto e que tudo fica subentendido.

E, à noite, todo Arkham ouvira falar da grande rocha que caíra do céu e se enterrara no solo ao lado do poço da casa de Nahum Gardner. (...) Descobriram o que parecia ser o lado de um grande glóbulo colorido, embutido na substância. A cor, semelhante a algumas das faixas do estranho espectro do meteoro, era quase impossível de descrever; e foi só por analogia que a chamaram de "cor"

Em um vilarejo a oeste de Arkham cai um meteoro e dentro dele o mal está encarnado. Publicado pela Editora Hedra, o volume em que o conto foi publicado trás também três ensaios: A confissão de um cético, breve ensaio em que o autor traça a evolução dos próprios interesses religiosos, científicos e filosóficos ao longo da vida, Notas sobre uma não entidade, o mais longo relato autobiográfico escrito por Lovecraft e, Notas sobre ficção interplanetária, artigo em que defende as possibilidades artísticas da ficção científica ataca os clichês deste gênero.

Não era fruto do mundo dos sóis e dos sóis que fulguram nos telescópios e nas chapas fotográficas dos nossos observatórios. Não era um sopro dos céus cujos movimentos e dimensões os nossos astrônomos medem ou julgam demasiado vastos para medir. Era apenas uma cor que caiu do espaço – o pavoroso mensageiro de reinos informes que transcendem a Natureza tal como a conhecemos…

P.S.: Um adendo: ele chama H.G. WellsClark Ashton Smith de semiclássicos de Literatura Interplanetária. O que será que para Lovecraft seria um clássico da Literatura Interplanetária?


quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Especial Círculo das Ideias (Conto por Conto): O mundo sombrio de Robert E. Howard #14: "Os Deuses de Bal-Sagoth"

A AÇÃO ERA RÁPIDA e desesperada: na luz momentânea, um feroz rosto barbado iluminou-se diante de Turlogh, e seu rápido machado avaçou, partindo-a até o queixo. No breu absoluto que se seguiu o clarão por um instante, um golpe que não fora visto arrancou o elmo de Turlogh, e le atacou de volta, cegamente, sentindo seu machado afundar em carne, ouvindo um homem uivar. Outra vez as chamas do céu furioso irromperam, mostrando ao galês o círculo de rostos selvagens, a barreira de aço cintilante que o cercava. - Robert E. Howard

O último conto do livro O Mundo Sombrio – Histórias dos Mitos de Cthulhu da Editora Clock Tower, a história narra as aventuras do cristão Turlogh e o saxão pagão Athelstane que chegam em uma terra estranha após um acidente com em um navio onde um era dirigente e o outro prisioneiro. Uma terra mais antiga que o mundo conhecido.

Cercados pelo desconhecido, ambos, inimigos de longa data, decidem duelar, espada contra espada para ver quem é o mais forte e quem é digno de sobreviver, quando saem da floresta da praia uma deusa... e um demônio.

Feita em 1931, o conto foi traduzido por Liliane Reis e ilustrado por Leandro Moura, sendo quase uma continuação do conto The Dark Man e foi adaptado como uma história de Conan pela Marvel em Conan, o Bárbaro número 17 (agosto de 1972).


E assim termina o primeiro Especial do Golem. Você pode encontrar todos os textos sobre esse livro resenhados no link: GUIA DEFINITIVO: ESPECIAL CIRCULO DAS IDEIAS ROBERT E. HOWARD (Editora Clock Tower).


O AUTOR
Robert E. Howard nasceu em 1906, em Cross Plains, Texas, Estados Unidos. Criador de personagens variados como Conan, o bárbaro, Bran Mak Morn e Solomon Kane, fundou o que hoje é chamado de gênero literário ''Espada e Magia''. Influenciado pelo conceito de G.K Chesterton de ''história condensada'' que ''o valor principal da legenda para misturar os séculos, preservando o sentimento" ele cria a Era Hiboriana que une as eras históricas e culturais de maneira ampla: Europa medieval (Aquilônae Poitain), à fronteira americana (a imensidão picta e suas fronteiras), e dos cossacos (Kozaki) aos piratas elisabetanos (Free Broterhood). Autor de narrativas cheias de ação, magia e selvageria, se notabilizou no início do século XX como um dos expoentes da literatura nas Revistas Pulp. Se suicidou em 1936 após saber que sua mãe caiu em um coma terminal, deixando um grande legado literário.


Acompanhem nas redes sociais e o novo trabalho da Editora Clock Tower: "ARTHUR MACHEN – O Mestre do Oculto"

Retirado do site Nerd Maldito

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Especial Círculo das Ideias: Conan, de Robert E. Howard #1: “A Fênix na Espada”

“Saiba, ó príncipe, que entre os anos em que os mares engoliram a Atlântida e as cidades brilhantes, e os anos do surgimento dos Filhos de Aryas, houve uma era inimaginada, quando reinos esplendorosos se espalharam pelo mundo como mantos azuis sob as estrelas – Nemédia, Ophir, Britúnia, Hiperbórea; Zamora, com suas mulheres de cabelos negros e torres de mistério assombradas por aranhas; Zingara e sua nobreza; Koth, que fazia fronteira com as terras pastoris de Shem; Stygia, com suas tumbas guardadas por sombras; Hirkânia, cujos cavaleiros vestiam aço, seda e ouro. Porém, o reino mais orgulhoso do mundo era a Aquilônia, reinando suprema no oeste sonhador. Para cá veio Conan, o cimério de cabelos negros, olhar sombrio e espada na mão, um ladrão, saqueador e matador, com gigantescas melancolias e gigantesca alegria, para pisar os tronos adornados de jóias, da Terra, com seus pés calçados em sandálias”. (Crônicas da Nemédia) 

Com essas palavras que descreviam a Era Hiboriana, um dos universos criados por Robert E. Howard, o autor dava início à vida a um dos maiores personagens da literatura de ficção fantástica: Conan, o bárbaro.  

The Phoenix on the Sword, por Chagan
Sobre a história: Conan é rei da Aquilônia, a maior nação da Era Hiboriana. Sua coroa pesa em um reinado turbulento. Conan havia conquistado o trono da Aquilônia havia pouco tempo, através de um golpe contra o rei Numedides. Porém, o cimério logo é posto em perigo devido a uma rebelião; a trama gira em torno de uma conspiração contra o rei, vinda de quatro homens: Rinaldo, “primeiro menestrel da Aquilônia”, Volmana, “conde de Karaban”, Gromel, "comandante da Legião Negra da Aquilônia”, e Dion, “barão de Attalus, legítimo herdeiro ao trono da Aquilônia”. O quarteto é convocado para atender uma proposta de ajuda mútua vinda de Ascalante, “um homem sem terra”, um fora da lei vindo do sul. Mas, em segredo, Ascalante simplesmente deseja usar os rebeldes para conseguir a coroa da Aquilônia para si mesmo.  
Ascalante possui um escravo vindo da Stígia chamado Thoth-Amon, que no passado foi um feiticeiro. Thoth perdeu seus poderes após seu Anel ter sido roubado. O feiticeiro planeja trair Ascalante e servir Dion, caso o barão o ajudasse a recuperar seu Anel. Por arrogância, o barão mal ouve suas palavras quando Thoth conta a história de seu Anel perdido; Dion somente continua a conversa mencionando um Anel que havia comprado de um ladrão shemita. Súbito, Thoth-Amon entra em fúria, ao reconhecer a ignorância do nobre e ao saber que, finalmente, teria seu Anel em mãos. Ocorre então um ataque desesperado, e o escravo do Anel, o feiticeiro stígio, volta a sorver os poderes de Set, assassinando Dion. 
     Eis um trecho da cena: “O aço reluziu na mão do stígio e, contraindo seus largos ombros escuros, ele enfiou o punhal no corpo gordo do barão. O guincho agudo e estridente de Dion passou para um engasgado gorgolejo e seu corpo balofo desabou como manteiga derretida. Um tolo até o fim, que morreu enlouquecido de terror, sem saber por quê. Afastando o cadáver disforme, já esquecido dele, Thoth agarrou o anel com as duas mãos, seus olhos escuros brilhando com uma temível avidez.” 

       No decorrer da história acontecem dois imprevistos decisivos: 
The Phoenix on the Sword, por Sanjulián
     Conan, através de um sonho, é avisado sobre o iminente golpe de estado, pelo sábio Epemitreus. O sábio marca sua espada com a fênix mística, que representa o deus Mitra, para protegê-lo. Assim, o cimério aguarda seus rebeldes.
     Thoth-Amon, por sua vez, com seus feitiços sombrios devolvidos, pode finalmente se vingar de Ascalante, seu mestre. Então o feiticeiro convoca um temível demônio – com feições simiescas, uma sombra amorfa com rosto de babuíno – para destruir Ascalante. 
     É aí que as três estradas da história convergem em uma só: o grupo da rebelião liderado por Ascalante seguindo até o palácio do rei Conan para matá-lo; o demônio de Thoth nos calcanhares dos traidores, com sede de morte; e o rei da Aquilônia esperando seu destino, com a fênix a brilhar em sua espada. 
     Assim, numa explosão de fúria e sangue que somente Robert E. Howard poderia fazer, espadas e machados irão subir e descer em um final eletrizante, onde tudo irá convergir; o aço e o sangue irão fervilhar até a última linha deste memorável conto.

Alguns comentários e curiosidades: tal história originalmente foi escrita como “By This Axe I Rule” (Por Este Machado, Eu Governo), uma história do rei Kull, outro personagem de Howard. Porém, a história foi rejeitada pelos editores da Weird Tales – como ocorria com muitas histórias de Kull, justamente por abordarem mais elementos filosóficos e psicológicos, coisas de pouco chamavam a atenção em revistas de aventuras baratas. Então Howard resolve reformular, adicionando ainda mais ação e fantasia nas páginas, alterando também os personagens e criando um novo mundo, a Era Hiboriana; e um novo anti-herói: Conan da Ciméria.
Além deste conto, o autor escreveu mais 20 histórias com o personagem, que serão todas comentadas nesta minha série sobre Conan.   Há muitos que apontam as influências de Howard na literatura de fantasia moderna. Autores como J.R.R. Tolkien, Michael Moorcock, Karl Edward Wagner, Poul Anderson e George R.R. Martin certamente tiveram influências howardianas em seus escritos fantásticos. E é notável comentar a grande semelhança entre uma das subtramas de “A Fênix na Espada”, com a busca e a restauração de Poder de Thoth-Amon, atrás de seu Anel mágico, com um dos pilares da história “O Senhor dos Anéis”, de J.R.R. Tolkien, onde Sauron, o senhor do escuro, busca seu Anel de Poder, para instaurar um domínio de sombras sobre toda a Terra-Média. Em minha opinião, caro leitor, o professor Tolkien pode sim ter se influenciado pela obra de Howard (é notável influências de outras histórias de Howard como “Colosso Negro” na saga de Frodo Bolseiro), porém, caso o britânico jamais tenha tido contato com os escritos de Howard – o que acho difícil –, talvez ambos apenas tenham bebido da mesma fonte: todos sabem que Tolkien era um apaixonado pelos mitos nórdicos (estes que envolvem anéis mágicos em algumas histórias), e tais histórias também foram de forte influência para Howard – mesmo o texano tendo sido influenciado muito mais pela própria História Antiga do que pela Mitologia. De qualquer forma, é uma relação interessante entre dois grandes autores do fantástico.  

Robert E. Howard em 1935
O AUTOR

Robert E. Howard nasceu em 1906, em Cross Plains, Texas, Estados Unidos. Criador de personagens variados como Conan, o bárbaro, Bran Mak Morn e Solomon Kane, fundou o que hoje é chamado de gênero literário ''Espada e Feitiçaria''. Influenciado pelo conceito de G.K Chesterton de ''história condensada'', onde "se mistura os séculos, preservando o sentimento", ele cria a Era Hiboriana, que une eras históricas e culturais de maneira ampla: Europa medieval (Aquilônia), à fronteira americana (a imensidão picta e suas fronteiras), e dos cossacos (Kozaki) aos piratas elisabetanos (Red Broterhood). Autor de narrativas cheias de ação, feitiçaria negra e selvageria, se notabilizou no início do século XX como um dos expoentes da literatura nas Revistas Pulp. Se suicidou em 1936 após saber que sua mãe caiu em um coma terminal, mas deixou um grande legado literário.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Especial Círculo das Ideias (Conto por Conto): O mundo sombrio de Robert E. Howard #13: "O Reino Sombrio"

O RESSOAR DAS TROMBETAS se elevou tal qual uma profunda maré dourada, feito o suave quebrar das ondas do entardecer contra as praias prateadas da Valusia. A multidão gritava, mulheres jogavam rosas dos telhados conforme o repique metálico das tropas prateadas tornava-se mais claro, e o primeiro dos poderosos destacamentos despontou na ampla rua branca que descrevia uma curva ao redor da Torre do Esplendor e seu pináculo dourado. - Robert E. Howard
Wikipédia
Publicado em 1929 e traduzido por Liliane Reis, é uma história um tanto quanto diferente. Tendo como personagem o Rei Kull, o conto narra uma conspiração secreta de derrubada do rei e sua substituição por um membro de um culto reptiliano.

O Rei Kull, de origem atlante, conta com uma ajuda inesperada para se manter no poder. Traído, começa a desconfiar de todos ao seu redor e unindo força com os pictos, ele vai a caça de seus caçadores.

Fantasmas, guerreiros serpente, pictos e atlantes: essa mistura de um dos contos mais longos do livro. É estranho analisar como a ficção fantástica e cientifica se separaram dês da década de trinta. Uma mais apocalíptica, outra mais sonhadora. Talvez seja com Robert E. Howard que as duas se encontram com mais perfeição.

As ilustrações abaixo são de Leandro Moura. Comparem com a original (aquela que está abaixo do título). Será que houve alguma referência?




O AUTOR
Robert E. Howard nasceu em 1906, em Cross Plains, Texas, Estados Unidos. Criador de personagens variados como Conan, o bárbaro, Bran Mak Morn e Solomon Kane, fundou o que hoje é chamado de gênero literário ''Espada e Magia''. Influenciado pelo conceito de G.K Chesterton de ''história condensada'' que ''o valor principal da legenda para misturar os séculos, preservando o sentimento" ele cria a Era Hiboriana que une as eras históricas e culturais de maneira ampla: Europa medieval (Aquilônae Poitain), à fronteira americana (a imensidão picta e suas fronteiras), e dos cossacos (Kozaki) aos piratas elisabetanos (Free Broterhood). Autor de narrativas cheias de ação, magia e selvageria, se notabilizou no início do século XX como um dos expoentes da literatura nas Revistas Pulp. Se suicidou em 1936 após saber que sua mãe caiu em um coma terminal, deixando um grande legado literário.

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terça-feira, 18 de outubro de 2016

Especial Círculo das Ideias (Conto por Conto): O mundo sombrio de Robert E. Howard #12: "Os Habitantes sob a Tumba"

EU ACORDEI REPENTINAMENTE e me sentei na cama, sonolento, imaginando quem estaria a bater tão violentamente na porta; ameaçava estilhaçar os painéis: Uma voz guinchou afiada intolerantemente como se em terror louco. - Robert E. Howard

Um homem viaja pelo Oriente e volta pobre. Querendo aproveitar o dinheiro de seu irmão gêmeo e rico ele volta e é tratado como um dêmonio. Depois de morto, ele quer ser enterrado em uma tumba: um lugar explorado por um parente contrabandista e sem a tampa do caixão. O irmão finalmente acha que vai conseguir a paz após a morte daquele dêmonio - mesmo ele tendo proferido palavras sinistras demais para o seu agrado. Mas agora ele voltou, colocando a tez branca na janela. Em uma atitude de desespero, ele decide ir para a tumba junto com dois amigos: O'Donnel e Conrad. Coisas estranhas estão acontecendo: túneis, catacumbas e homens com cabeça de animais estão embrenhados dentro das Colinas de Dagoth – um nome que não é indígena e muito menos americano. Estarão eles frente a frente com o inominável?



Com ilustrações de Leandro Moura e tradução de Pedro Henrique de Toledo, o conto foi escrito em 1976. Mesmo não sendo uma das suas melhores narrativas, é engraçado como ele traz a presença de cada raça vinda do subterrâneo, intercalando relações com várias histórias presentes no livro, Os Filhos da Noite (1931), O Povo das Trevas (1932) e o Povo Pequeno (1970). Se pode ver pela junção de personagens: O'Donnel aparece em Os Filhos da Noite e Conrad em Não Cave Meu Túmulo. Até agora o livro se apresenta com uma malha fechada de personagens e história. A primeira vez que ele foi editado foi na coletânia pulp Lost Fantasies em 1974. O conto foi editado por Robert Weinberg, fã e colecionador de terror, fantasia e ficção científica.


O AUTOR
Robert E. Howard nasceu em 1906, em Cross Plains, Texas, Estados Unidos. Criador de personagens variados como Conan, o bárbaro, Bran Mak Morn e Solomon Kane, fundou o que hoje é chamado de gênero literário ''Espada e Magia''. Influenciado pelo conceito de G.K Chesterton de ''história condensada'' que ''o valor principal da legenda para misturar os séculos, preservando o sentimento" ele cria a Era Hiboriana que une as eras históricas e culturais de maneira ampla: Europa medieval (Aquilônae Poitain), à fronteira americana (a imensidão picta e suas fronteiras), e dos cossacos (Kozaki) aos piratas elisabetanos (Free Broterhood). Autor de narrativas cheias de ação, magia e selvageria, se notabilizou no início do século XX como um dos expoentes da literatura nas Revistas Pulp. Se suicidou em 1936 após saber que sua mãe caiu em um coma terminal, deixando um grande legado literário.


NÃO PERCAM, O PRÓXIMO CONTO POR CONTO, POR QUE AI VÊM KULL, O REI DA VALASIA, DESAFIANDO O REINO SOMBRIO.

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sábado, 15 de outubro de 2016

O'clock do cósmico visionário


É o novo ground. A Editora Clock Tower é junto com a DarkSide Books, aquela que certamente aposta no escuro. As diferenças começam quando a DarkSide Books abrange o terror em todas as áreas, até o fantástico e a Clock Tower se especializa em no horror cósmico.


O Mundo Fantástico de H.P. Lovecraft é uma coletânea de luxo e de capa dura, com dezessete contos, um ensaio, uma memória, duas poesias e um longo soneto. Tido como o livro que mais fez sucesso entre os fãs, foi desenvolvido ao longo de 3 anos, e teve até agora 3 edições. O conforto é garantido: capa dura com laminação brilhante, fita marca-páginas e miolo em papeis pólen da Suzano.



O Mundo Sombrio - Histórias dos Mitos de Cthulhu por Robert E. Howard é praticamente a especialidade do blog. Sendo tema do primeiro Especial do O Golem, Robert E. Howard desfila seus talentos na mitologia criada pelo amigo H.P. Lovecraft adicionando elementos de Poe e Machen e contem também a tradução da biografia de Rusty Burke, considerado entre muitos o maior perito sobre autor.
 


O Rei de Amarelo de Robert W. Chambers não está mais a venda e foi feito para colecionadores: também com notas de rodapé, o livro não só traz os contos do Chambers, mas também os de Ambrose Bierce (Um Habitante de Carcosa e Haita, o pastor), Edgar Allan Poe (A Mascara da Morte Rubra) e o poema de Gustav Nadaud (Carcassone). O meu livro como foi a segunda reimpressão tem o autógrafo do fundador e editor da editora Denilson E. Ricci que concedeu saudosamente uma entrevista ao Golem.

Dos livros que já foram publicados pela editora, qual foi aquele que fez mais sucesso entre os fãs?
Certamente o 1°. 'O Mundo Fantástico de H.P. Lovecraft', pois o livro foi feito para preencher uma lacuna da falta de bons livros do autor em nosso idioma. Tanto foi que o livro tem até hoje três edições.

Vocês pretendem relançar O Rei de Amarelo com textos do Lovecraft sobre Hastur?
Não editamos mais nossos livros, apenas reimprimimos, pois são obras de financiamento coletivo e fica meio complicar editar.

Ocósmico é visionário - o fundador da Editora Clock Tower, Denilson E. Ricci
O mercado literário nacional está deficiente em relação ao fantástico cósmico?
Sim, um pouco ainda, mas tivemos ao longos dos anos também muita coisa boa publicada.

Quais editoras você vê como visionarias em seus trabalhos editoriais?
Gosto muito da Zahar, que sempre trouxe livros bem feitos para os leitores. Também não podemos nos esquecer da Cosac Naify.

Vocês tem material para três livros do Arthur Machen. Porque não fazer um BOX com três livros dando a opção de vender eles separadamente?
Pode ser sim uma opção. Mas, infelizmente não temos condições de lançar tudo de uma vez. Mas, é uma boa opção sim para um futuro.



segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Especial Círculo das Ideias (Conto por Conto): O mundo sombrio de Robert E. Howard #11: "O Usurpador Noturno"

MARJORY CHORAVA a perda de Bozo, seu gordo maltês que não voltara depois da costumeira escapadela noturna. Gatos vinham desaparecendo pela vizinhança nos últimos tempos, como numa epidemia peculiar, e Marjory estava desolada. Como nunca suportei vê-la chorar, parti em busca de animal de estimação desaparecido, ainda que tivesse pouca esperança de encontrá-lo. Vez ou outra, pervertidos acabam por alguém, e eu tinha certeza de que Bozo e outros tantos felinos desaparecidos nos últimos meses haviam sido vítimas de um desses depravados. - Robert E. Howard

Animais estão desaparecendo na vizinhança de uma pequena cidade dos Estados Unidos. Um vizinho novo que viajou pelo Oriente tem barulhos estranhos vindos do andar de cima de sua casa - ocupada, porém não reformada.

O cenário é lovecraftiano, mas a prosa é toda howardiana. Com ilustrações de Leandro Moura e tradução de Liliane Reis, um herói desesperado se vê diante de um monstro vindo de outra dimensão e seu maior desejo é salvar sua noiva daquele terror tétrico empunhando uma espada matadora de seres dimensionais.  

Sequestros, sacrifícios, mortes em série de mendigos, Howard faz tudo parecer normal dentro de uma narrativa rápida e improvável das revistas pulp.


O AUTOR
Robert E. Howard nasceu em 1906, em Cross Plains, Texas, Estados Unidos. Criador de personagens variados como Conan, o bárbaro, Bran Mak Morn e Solomon Kane, fundou o que hoje é chamado de gênero literário ''Espada e Magia''. Influenciado pelo conceito de G.K Chesterton de ''história condensada'' que ''o valor principal da legenda para misturar os séculos, preservando o sentimento" ele cria a Era Hiboriana que une as eras históricas e culturais de maneira ampla: Europa medieval (Aquilônae Poitain), à fronteira americana (a imensidão picta e suas fronteiras), e dos cossacos (Kozaki) aos piratas elisabetanos (Free Broterhood). Autor de narrativas cheias de ação, magia e selvageria, se notabilizou no início do século XX como um dos expoentes da literatura nas Revistas Pulp. Se suicidou em 1936 após saber que sua mãe caiu em um coma terminal, deixando um grande legado literário.

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terça-feira, 4 de outubro de 2016

Redescobrindo a loucura amarela - O Rei de Amarelo (Robert W. Chambers) [ATUALIZADO]

Por volta do fim do ano de 1920, o governo dos Estados Unidos havia praticamente completado o programa adotado durante os últimos meses da administração do presidente Winthrop. O país estava aparentemente tranquilo. Todos sabiam como foram resolvidas as questões tributárias e trabalhistas. A guerra com a Alemanha, em um incidente pelo embargo, por parte desse país, às Ilhas Samoa, não deixou cicatrizes visíveis sobre a república, e a ocupação temporária de Norfolk pelo exército invasor fora esquecida na alegria de repetidas vitórias navais e com a subsequente e ridícula situação das forças do general Von Gartenlaube no estado de Nova Jersey. Os investimentos cubanos e havaianos lucraram cem por cento e o território de Samoa, como um posto de abastecimento de carvão, bem valeu seu custo. O país estava em um estado esplêndido de defesa. Cada cidade da costa havia sido bem-provida de fortificações em terra; o exército, sob o olhar parental do estado-maior, organizado de acordo com o sistema prussiano, ampliou-se para trezentos mil homens, com um contingente reserva de um milhão; e seis magníficas esquadras de cruzadores e navios de guerra patrulhavam as seis estações de mares navegáveis, deixando-se uma reserva a vapor amplamente preparada para controlar as águas locais. Os senhores do Oeste haviam, finalmente, sido compelidos a reconhecer que uma universidade para o treinamento de diplomatas era tão necessária quanto escolas de direito são para a formação de advogados; consequentemente, não éramos mais representados por compatriotas incompetentes. A nação estava próspera. Chicago, por um momento paralisada depois de um segundo grande incêndio, havia se levantado de suas ruínas, branca e imperial, e mais bonita que a cidade branca que fora construída para diversão da nação em 1893. Por todos os lugares, a boa arquitetura estava substituindo a arquitetura de má qualidade, e, mesmo em Nova York, um desejo repentino por decência havia varrido uma grande porção dos horrores existentes. Ruas foram alargadas, propriamente pavimentadas e iluminadas, árvores foram plantadas, praças foram projetadas, estruturas elevadas foram demolidas e vias subterrâneas construídas para substituí-las. Os novos edifícios governamentais e quartéis eram amostras excelentes de arquitetura, e o longo sistema de píeres de pedra que cercava completamente a ilha havia sido transformado em parques que se revelavam como uma bênção à população. O subsídio para o teatro e a ópera estatais trouxe sua própria recompensa. A Academia Nacional de Design muito se assemelhava às instituições europeias do mesmo tipo. Ninguém invejava o secretário de Belas-Artes, muito menos seu gabinete e sua pasta. O secretário de Silvicultura e Preservação da Caça gozava de um momento muito mais calmo graças ao novo sistema da Polícia Montada Nacional. Havíamos lucrado bastante por meio dos últimos tratados com a França e a Inglaterra; a expulsão dos judeus estrangeiros como uma medida de autopreservação, a criação do novo estado negro independente de Suanee, o controle da imigração, as novas leis concernentes à naturalização e a centralização gradual de poder no executivo contribuíram para a calma e a prosperidade da nação. Quando o governo solucionou o problema dos índios e esquadrões de patrulheiros da cavalaria indígena em vestimentas nativas foram substituídos por organizações deploráveis, atreladas à retaguarda de regimentos moldados por um antigo secretário de Guerra, a nação soltou um longo suspiro de alívio. Quando, depois do colossal Congresso de Religiões, o fanatismo e a intolerância foram enterrados em suas sepulturas, e a bondade e a caridade começaram a unir seitas antes inimigas, muitos pensaram que o milênio chegara, ao menos no Novo Mundo, que, afinal de contas, é um mundo por ele mesmo. - Robert W. Chambers

Um dos livros redescobertos no ramo do terror e que tem chamado muita atenção é "O Rei de Amarelo" de Robert W. Chambers. Sendo uma coletânea de contos de terror cósmico publicada em 1895 e considerada um marco do gênero, influênciou vários autores - Lovecraft, Neil Gaiman, Stephen King e Nic Pizzolatto: produtor e roteirista criador da série True Detective que traz elementos da obra.

Pintor e ilustrador, que estudou em Paris e participou da boêmia local e entrando em contato com ela, Chambers a descreve fazendo praticamente um registro autobiográfico.

Assim como Shakespeare em Hamlet com uma peça dentro de uma peça, Chambers faz um livro dentro de um livro. Na verdade, uma peça teatral dentro de um livro. Ela é a personagem que liga a todos de uma só vez. Amaldiçoada, quem lê seus dois atos perde o juízo e condenando sua alma a perdição.

Duas edições que eu tomei conhecimento desse livro no Brasil é a da Editora Clock Tower e da Intrínseca. Elas são muito diferentes em si. Enquanto a da Clock Tower é capa dura e contem apenas os textos do "Rei de Amarelo" e as influências do autor: Edgar Allan Poe, Ambrose Bierce e um poema de Gustav Nadaud a da Intrínseca é dividido em duas partes: a fantástica e a realista. O conteúdo semelhante é de apenas quatro contos. Eles são: O reparador de reputações, A máscara, No Pátio do Dragão e O Emblema Amarelo.


Muito genuíno, embora não isento da extravagância maneirista típica da década de 1890, é o traço de horror nos primeiros trabalhos de Robert W. Chambers, desde então famoso por produtos de uma qualidade muito diferente. O Rei de Amarelo, uma série de contos vagamente relacionados entre si, tendo como fundo um livro monstruoso e sualmente atinge notáveis culminâncias de pavor cósmico,apesar do interesse desigual e do cultivo um tanto banal eafetado da atmosfera de ateliê de artista francês popularizada pelo Trilby de Du Maurier.[...] Outras das primeiras obras de Chambers que ostentam o elemento inusitado e macabro são O Fazedor de Luas e Em Busca do Desconhecido. Não se pode deixar de lamentar que ele não tenha levado adiante uma vocação em que facilmente se teria tornado um mestre consagrado. - H.P. Lovecraft

A Editora Dracco também fez sua versão, só que para quadrinhos:


Na mitologia lovecraftiana, Hastur tem uma relação de conflito com Cthulhu. Todas as vezes que seus servos se encotraram houve caos e destruição e também houve combates no espaço-tempo. Na novela "Nas montanhas da loucura" deixa subentendido que o sono de Cthulhu na terra é decorrente de um cobate com Hastur.