Mostrando postagens com marcador Verus Editora. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Verus Editora. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

A saga angelical d'A batalha do Apocalipse - por Caio Alves

Tetralogia Angélica

A batalha do Apocalipse, livro escrito por Eduardo Spohr, está comemorando seu décimo aniversário em 2017, esta história que foi o início (e tecnicamente o final) de uma saga de um incrível e vasto universo com muitas histórias para contar.

O primeiro livro da saga, lançado em 2007, era o início de uma boa fase na literatura brasileira de fantasia. História essa que mesmo abordando um tema complicado e complexo, conseguiu agradar até pastores da igreja, sendo colocado a pedido dos mesmos, nas sessão de livros evangélicos em livrarias, notamos o talento de escrita na hora de abordar esse tema quando por meio de sua narrativa, ele não ofende crença nenhuma, mas as fortalece individualmente.

Começamos sabendo sobre a criação do mundo, Deus criando o mundo porém não em sete dias, mas sim em sete longas eras, antes de ser criado o sol não havia como tem ciência do tempo que se passava, então só sabemos que durante a criação, milhares de coisas aconteceram em milhares de anos. Logo após descobrimos sobre a criação dos Arcanjos e dos antagonistas dos mesmos liderados por Tehom, dando início aos primeiros confrontos angelicais. Assim que a missão de Deus teve sucesso, e tudo estava criado, ele some da história, deixando Miguel no comando dos Arcanjos, e protegendo os humanos.

Da esquerda para direita, as capas das edições de A Batalha do Apocalipse

Ao contrário de muitas histórias da jornada do herói onde vemos tudo sendo contado de baixo para cima, um simples personagem inútil até o momento que evolui e vai subindo degraus, nesta saga temos o contrário, a primeira cena é metaforicamente explicativa, nela temos alguns anjos nos braços do cristo Redentor, vendo a cidade do rio e janeiro de cima, explicando que eles são superiores, mais fortes, mais belos, porém se questionando o porquê de Deus se importar muito mais com os humanos do que com suas criações iniciais, dilema esse que perturba a cabeça de Miguel o fazendo tem desejo pela extinção humana por puro ódio e inveja de seres mortais com sentimentos.

Temos a divisão de determinadas classes durante a saga, sendo Arcanjos, serafins, querubins e etc. mas também no enredo que se divide entre três pontos de vista distintos, começando pelos Arcanjos de Miguel, o Inferno de Lúcifer que junto a Miguel também partilha do ódio por humanos, e o núcleo dos renegados, os principais protagonistas tendo como foco, Ablon o anjo expulso do céu que em outrora foi o maior general das tropas do céu. E Shamira, uma feiticeira extremamente poderosa que junto ao general, planejam pôr um fim na guerra que se aproxima.

Box de 10 anos do Spohrveso
Ablon é o único sobrevivente do expurgo dos anjos, é condenado a vagar pela terra até o dia do Juízo final, quando tem notícia que uma guerra entre o céu e o inferno iria ter início em pouco tempo, e o próprio Lúcifer o convidou para ser o general de suas tropas nesta guerra que decidirá o destino do mundo e a sobrevivência da humanidade.

O livro não se prende a acontecimentos que levam a guerra, mas consegue contar acontecimentos desde o início de tudo, passando por acontecimentos como Adão e Eva, Sodoma e Gomorra e assim ele segue, sendo o primeiro livro da saga, mas o último cronologicamente. Logo após temos a trilogia Filhos do Éden que destrincha e expande todas as pequenas histórias que são contadas em mínimos diálogos durante a batalha do apocalipse, contando desde o surgimento e a destruição da cidade de Atlântida, os Anjos exilados que fizeram parte de acontecimentos históricos como a segunda guerra mundial, até os embates entre o céu e o inferno que levaram Miguel e Lúcifer a Batalha do Apocalipse, sendo até aconselhável para novos leitores de começarem a ler a saga pelos filhos do Éden para ter o conhecimento prévio dos acontecimentos que levarão a Batalha no final, todos os livros são ligeiramente grandes, tem muitas histórias e muitos detalhes o que leva ao leitor a se confundir em alguns momentos, a começar por alguns nomes que temos que decorar e saber a qual classe ele pertence na história, até momentos de flashbacks frequentes que podem deixar a história mais cansativa, já que eles são longos, e aparecem quebrando momentos tensos, chega a ser chato quando estamos ansiosos em determinado momento, animados por certa cena, certa batalha, certo diálogo e em seguida temos um flashback lento, chegando a ser desanimador, já que estes capítulos em particular são longos, não chegando a ser metade do livro, mas estando em momentos tão mal colocados no livro, que leva aos leitores iniciantes da saga a imagem de um livro chato, parado, não deixando a leitura fluida corretamente, e quando voltamos aquela cena empolgante, chegamos até a esquecer certos detalhes que nos deixam perdidos.

Mas é claro que esses detalhes são corrigidos aqui e ali durante a trilogia, mesmo assim a saga feita por Eduardo Spohr é insanamente épica, com seus altos e baixos que não tiram este título dele, os fãs tem medo e outros anseiam um universo expandido em quadrinhos, na televisão ou no cinema, concordando que algo assim deve ter um cuidado de preparo para outras mídias como a HBO tem com Game of Thrones, porém essas ideias estão sendo pensadas com o máximo de cuidado, sem planejamento para algo assim por enquanto, no momento só temos a certeza de que o autor ainda vai continuar neste universo, absorvendo tudo o que for possível e digno de uma história, até não lá, temos um livro do universo expandido que explica a saga com detalhes e ilustrações, desde a história principal, aos personagens principais e secundários tendo até páginas para o leitor jogar RPG neste mundo.

Todo o trabalho desenvolvido por Eduardo Spohr até agora, tirado do site A batalha do Apocalipse
Esta saga consegue ser mais do que uma história de aventura, consegue ser um objeto de debate e até de estudo sobre as histórias bíblicas, temos muito a absorver deste mundo e de certa forma estamos descobrindo os limites dele junto com o autor que ainda explora até onde ele pode ir, com histórias de romance, aventuras épicas, romance e suspense, esta incrível saga nos ensina muito mais do que anjos e demônios, do que batalhas e guerra, ele nos ensina desde a criação de tudo, da queda dos anjos ao crepúsculo do mundo.

CAIO DAVID ALVES é um jovem de 18 anos. Escritor e ator, é fã de quadrinhos e de toda a cultura cult Ocidental de super-heróis, é fã de sagas e leitor assíduo de literatura fantástica. Deseja cursar filosofia.

domingo, 7 de maio de 2017

"Quero conseguir escrever histórias que falam de nós, das pessoas" - Entrevista com Gustavo Ávila


Gustavo Ávila não poderia estar mais feliz. Com o livro sendo publicado pela Verus Editora, com os direitos da obra vendidos para a Globo Filmes, ele comenta: Não há nada de mal em tentarmos entender o mundo, o problema é a obsessãoEle fala para o Golem sobre literatura, educação e trabalhos em desenvolvimento.

Como você desenvolveu a terrível cena de tortura na abertura do livro?
A ideia do estudo proposto por David (o assassino) é feito em cima de uma família com os pais e um filho ou filha, então, essa cena teria que envolver essas três pessoas. O desenvolvimento dela foi feito em cima de algo que é revelado mais pra frente, por isso não posso falar muito aqui já que isso revelaria um spoiler sobre a história (risos). Mas a forma de contar essa cena, eu tentei escrever de uma maneira que fosse possível sentir as coisas que acontecem lá, como se tudo aquilo estivesse acontecendo ali, bem na frente do leitor. O objetivo é fazer o próprio leitor sentir a dor daqueles personagens, física e psicológica. Colocar quem está lendo no lugar da criança que está assistindo seus pais sendo mortos, justamente para que, mais pra frente, o leitor também consiga se colocar no lugar de quem está fazendo determinadas escolhas. Porque é muito fácil julgar algo que não aconteceu com a gente. Mas quando você sente a dor do outro, sua percepção sobre aqueles fatos mudam. Você muda. E quando isso acontece você vê que não é tão simples classificar alguém como uma pessoa boa ou uma pessoa má. Há muita coisa envolvida nisso.

É possível justificar um ato de crueldade quando, por trás dele, há a intenção de fazer o bem?
Essa é a grande pergunta do livro. Essa questão guia toda a história. Sinceramente, eu não tenho uma resposta pra ela. Por isso eu deixo para que cada leitor, depois de conhecer tudo o que acontece, responda para si mesmo. E está sendo muito bacana conversar com os leitores sobre essa questão, porque, realmente, tenho visto que muitos acham que sim, muitos outros acham que não, alguns ficam em cima do muro, no talvez, no cada caso é um caso. Acredito que essa pergunta seja o que há de melhor do livro. A pergunta que fica martelando depois do ponto final.


A esquerda a capa antiga. A sombra negra, a fonte e o comentário de Raphael Montes fazem parte da nova capa, a esquerda

O Sorriso da Hiena traz questões morais que parecem cada vez mais atormentar o homem, como se vale a pena o avanço científico às custas do sofrimento alheio. Você acha que o ser humano vai ser empurrado pela ciência para um abismo moral?
Não acho que é a ciência que empurra o ser humano para o abismo, quem faz isso é o próprio ser humano. A ciência é apenas uma ferramenta. Uma forma de realizar conquistas, de tentar domar questões que não estão e talvez nem deveriam mesmo estar sob o nosso controle. O ser humano é movido por obsessões. Uma delas é a de tentar entender tudo, desvendar tudo. O ser humano não pode ver um mistério. E algumas coisas não foram feitas para serem desvendadas. Alguns mistérios deveriam permanecer assim. Mas queremos respostas para tudo. Não há nada de mal em tentarmos entender o mundo, o problema é a obsessão. Toda ganância é ruim. Inclusive a ganância por respostas.

Seu estilo de escrita apela muito para o visual - sem se alongar muito comparado com outros autores - eu até comentei em uma resenha que queria ver O Sorriso da Hiena nas telonas. Recentemente você vendeu os direitos da obra para a Globo. Há alguma previsão para o início das gravações?
Então, na verdade eu não sei muito sobre isso. Agora o projeto está com eles. O que sei é que eles tem dois anos para decidir se vão fazer alguma coisa ou não. Caso não resolvam nada, os direitos do livro voltam pra mim. Também não sei qual é a ideia deles, até porque, acho que nem eles sabem exatamente o que fazer ainda. Esse tipo de projeto é demorado, são muitas etapas. E na verdade, agora nem penso muito nisso. Já não está em minhas mãos, então meu foco agora é escrever as outras histórias e deixar essa questão rolando.

O seu conto Pá de Cal está na Amazon, disponível para download, ele tem um Q de Jogos Vorazes mas trata-se muito da busca da felicidade, da busca do conhecimento de si mesmo. Você vai continuar escrevendo nessa pegada distópica?
Eu não penso muito em gêneros. Nunca pensei em ser um autor de romance policial. O que aconteceu foi que a história d’O sorriso da hiena pediu uma trama policial. A história de Pá de Cal pediu essa pegada mais futurística e distópica. Então eu me deixo levar pelo o que a história pede. O segundo livro também será um policial. Já o terceiro fugirá um pouco, será uma pegada mais de “jornada de um homem em busca de algo”, uma jornada literalmente. Ele se passará na África e no Brasil. Então não me prendo na questão de gênero. O que a história pedir é a que vou escrever.


Tirado do site Conjunto da Obra
Em meio a tantas reformas educacionais nesse momento do país, como a educação e os seus professores te levaram ao ponto que você está hoje?
Gosto sempre de dizer que foi um professor que me colocou no caminho da escrita. Eu estudei publicidade e propaganda e tinha um professor (um salve pra você, professor Zé Luiz!) que também era dono de uma agência. Quando eu estudava eu pensava em ir para o lado da direção de arte. Para quem não sabe como funciona o trabalho de criação dentro de uma agência, resumidamente existem duas funções: direção de arte, que mexe mais com a parte gráfica, e redação, que trabalha mais os textos. Isso, falando bem superficialmente. Quando fiz a entrevista na agência desse professor ele disse que me contrataria, mas não como diretor de arte, como eu queria, e sim como redator, porque ele achava que tinha mais a minha cara. E ele realmente estava certo. Por isso que eu sempre digo que foi um professor que viu em mim aquilo que eu ainda não tinha visto. Pena que eles, os professores, são tão desvalorizados no nosso país. Eles são diretamente responsáveis pelos caminhos que seguimos e muitas vezes conseguem ver em nós aquilo que nem mesmo a gente enxerga ainda. Precisamos valorizar mais esses profissionais, essas pessoas. São elas que nos formam e ajudam a moldar nossos pensamentos com sua experiência e conhecimento.


Robert Louis Stevenson e Mia Couto
Quais autores te influenciaram e se você tem alguma dica para autores iniciantes.
Eu não tenho o costume de ler muitas obras do mesmo autor. Eu vou lendo de forma mais aleatória que seguindo algum autor específico. Mas, atualmente, um que tenho lido bastante é Mia Couto. Gosto muito das histórias dele, da forma sensível como ele escreve. Como ele é de Moçambique, ele costuma trabalhar muito da cultura africana em seus livros, o que eu gosto demais. Mas a forma como ele escreve é totalmente diferente da minha. Acredito que ele me influência em tentar tocar o leitor de uma forma mais humana. E um autor, de uma obra específica, que tem total influência no que eu pretendo (e espero alcançar) nas minhas histórias, é Robert Louis Stevenson, que escreveu O médico e o monstro. Essa é uma obra que vai permanecer atual pra sempre, porque ela vai no ponto do que é o ser humano, e isso nunca vai mudar, essa nossa divisão sem balanço do bem e do mal. Essa obra nunca vai morrer e ela fala com todos e sobre todos. E eu quero isso pra mim. Quero conseguir escrever histórias que falam de nós, das pessoas, do que temos dentro da gente, do que nos toca, do que nos transforma.

Para saber mais sobre o autor e o livro:
Um regresso moral - O sorriso da hiena (Gustavo Ávila) [CONTÉM SPOILER!]
Notícias do mundo policial: Gustavo Ávila, Raphael Montes e Victor Bonini
Notícias: Mundos Paralelos, William Hope e capa nova de O sorriso da hiena
O sorriso da hiena está em pré-venda na Amazon, Saraiva e Livraria Cultura

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Notícias do mundo policial: Gustavo Ávila, Raphael Montes e Victor Bonini


Sobre a literatura policial brasileira, ela nunca esteve tão em alta. O exemplo disso são três autores em questão que estão fazendo a cabeça de fãs.

O primeiro é o autor Gustavo Ávila do publieditorial O sorriso da hiena. Nesse ano ele conseguiu grandes vitórias como a compra do seu livro para a Verus Editora consegue um presente de Natal muito adiantado: a TV Globo comprou seus direitos de adaptação. Será que nós vamos nos mergulhar nos dramas morais William do mesmo modo do que o livro? Quando falei do livro nesse espaço, lembrei que ele era muito visual, e estava esperando  ansiosamente por isso.


Nas redes sociais o autor comemora com os fãs e amigos

O segundo é Victor Bonini e seu Colega de Quarto. Livro bem recebido pela crítica, está concorrendo ao Oscar LivroNíacos 2016 - prêmio canal do youtube LivroNiacos que reúne resenhas, noticias, curiosidades e enquetes sobre os seus livros e autores favoritos. Além de estar entre um dos best-sellers brasileiros da Apple ao lado de nomes como Clarisse Lispector e Luis Fernando Verissimo.



Outro que está contentíssimo é Raphael Montes. O roteirista de Supermax está lançando seu livro Jantar Secreto, que conta a história de um grupo de jovens universitários desempregados que começa a organizar jantares canibalísticos para se sustentarem. Ele estará em SP, na Livraria da Vila.





Fã de algum dos três? Curta a página Golem e acompanhe as notícias.