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terça-feira, 9 de julho de 2019

Protocolo de infidelidade - Vasco Py Siegmann

Helen Stratton illustration Hans Christian Andersen "Little Mermaid."
"A Pequena Sereia" foi uma das animações da Disney que mais marcaram a minha infância. Meu pai adorava a música do filme, especialmente "Under the Sea", chegando a usar um gravador pra captar o som do VHS e ter uma cópia da canção. Meu afeto pelo filme, contudo, não sobreviveu ao longo dos anos. Embora "A Pequena Sereia" marque o início da renascença da Disney, esse filme ainda demonstra claramente que aquele estúdio já não era capaz de produzir monumentos visuais como os que criara até 1959, antes que a Xerox ensejasse um empobrecimento brutal na estética das animações. Com o avanço da computação gráfica, longas-metragens mais vistosos seriam produzidos logo em seguida, e pelo menos uma obra-prima seria criada com "O Rei Leão". Contudo, o aspecto acetinado desses filmes me parece sofrer um envelhecimento bem cruel, e nunca mais um longa da Disney conjurou a riqueza atmosférica que caracteriza seus clássicos até "A Bela Adormecida". Aliás, na deprimente situação em que a própria Disney demonstra achar necessário substituir seus filmes, me parece muito sintomático (e não só comercialmente esperto) que ela se esforce em substituir o maior número daqueles sucessos dos anos 90, mirando pouco nas suas obras mais antigas.

Imagem do filme da Disney de 1989
No entanto, meu desencanto com "A Pequena Sereia" se dá, acima de tudo, porque esse é o filme mais representativo do empobrecimento ficcionista que a Disney sempre impôs às histórias que adaptou (a única possível exceção ficando por conta do seu "Alice no País das Maravilhas", que não tem nem uma fração da inteligência da obra do Carroll, mas que extraiu dela não um reflexo higienizado, e sim algo que beira um pesadelo de horror hipercolorido). De todas as adaptações açucaradas, diluídas, simplificadas e infantilizadas que a Disney fez (usurpando e imbecilizando até mesmo a noção universal do que seria um conto de fadas), "A Pequena Sereia" permanece como o caso mais grave.

Ilustração de Dorothy Pulis Lathrop, 1922.
O texto do Hans Christian Andersen é um dos contos de fada mais ricos e profundos da literatura. Mas é também um dos mais vilipendiados por leituras tacanhas e interpretações mesquinhas, quando sequer é lido. Porque quase ninguém sabe que a sereia da velha história não entoa melodias cheias da cafonice da Broadway, mas dança com pés em dor absurda, sangrando sem parar. Ela não vence vilã alguma, e não conquista uma vida com o príncipe que ama, pois o príncipe nem chega a amá-la, e até a recompensa mais chã - a da sobrevivência - é negada aos seus esforços e seus sonhos.

Imagem retirada da Internet
A sereia de Andersen é o horror pra todos aqueles que só conseguem ler ordens didáticas e sentidos utilitaristas, e que buscam nas histórias não algo a ser descoberto em si mesmos, mas um exemplo alheio que possa ser seguido sem responsabilidade total. Enquanto tantos leem naquela tortura e naquelas frustrações um suprassumo de subserviência machista, e na conclusão do conto nada mais do que histeria cristã, está ali uma verdadeira heroína. Cheia de curiosidade e audácia e paixão, ela suplanta todas as tentações do egoísmo, faz resistir através do sofrimento um amor verdadeiro, capaz do gesto máximo, do auto-sacrifício, e conquista não os valores dum romance qualquer, mas outros, que transcendem a todos nós e às clausuras deste mundo.

Já a Ariel... essa se basta, mesmo, dum bom partido.

A profunda canalhice de quem se revolta pela cor da pele da menina inclui, também, a tolice daqueles que se importam com que cores vestem as sereias mais medíocres, enquanto o mar tem outras, bem mais mágicas.

Imagem do filme soviético Rusalochka de Ivan Aksenchuk (1968)

Nascido em Porto Alegre, Vasco Py Siegmann trabalha com design gráfico desde jovem. Foi diretor de arte do Fantaspoa de 2008 a 2011, passando pelo curso de Letras da UFRGS. Estudou cultura de horror e literatura fantástica há mais de quinze anos.

domingo, 8 de janeiro de 2017

Moana, muito mais que Um Mar de Aventuras


INTRODUÇÃO
A mais nova animação da Disney foi lançada nos cinemas, Moana: Um Mar de Aventuras chegou para impressionar tanto aqueles que nada esperavam quanto aqueles que estavam com as expectativas altíssimas.

O filme apresenta Moana, uma jovem amada pela sua tribo e extremamente corajosa e, ao lado dela, um semideus lendário chamado Maui. Juntos, os dois atravessam os mares em busca de um objetivo que pode mudar o rumo de todas as coisas.

A animação desperta uma curiosidade já na primeira cena, o que é muito positivo. A história se desenvolve com um ritmo crescente, pois a cada cena que passa tudo fica mais intenso. A trilha sonora que acompanha o musical é linda e acrescenta muito ao filme. As cenas que os personagens cantam são produzidas com excelência e elas não deixam a animação maçante, muito pelo contrário, as cenas musicais são partes essenciais para que o filme se torne encantador. A obra cinematográfica proporciona um clímax com uma imersão inacreditável, e isso faz com que o espectador fique super empolgado para ver qual será o desfecho dessa história, e o final, além de ser impressionante e surpreendente, consegue emocionar.

O QUE FALAR DE MOANA?

Falar do filme sem dar a ênfase merecida à Moana seria um erro. Ela é diferente de qualquer outra personagem da Disney. Vale dizer que no aspecto de querer conhecer o mundo através das barreiras e no aspecto do impedimento familiar para que essa curiosidade seja saciada, Moana se assimila muito à princesa Ariel, mas no sentido da personalidade da protagonista, Moana consegue ser única e isso a torna uma jovem extremamente amável. Moana vive uma inquietação interna: ela é uma mistura da insegurança de uma adolescente com a coragem surpreendente de uma heroína. Ela é decidida e extremamente linda. Moana faz com que o filme se torne tão encantador quanto ela, ela é o ápice da obra.

O QUE FALAR DE MAUI?
É importante falar também de Maui, o semideus mais engraçado do cinema. Maui é um semideus metamorfo que serve de suporte para Moana, uma mortal, e essa relação, na qual um personagem super poderoso segue uma personagem sem poder algum, fornece um grande atrativo para a aventura vivida no filme. Além disso, Maui é o personagem mais original da Disney dos últimos anos. Essa originalidade é tão legal que falar sobre elas seria como um spoiler, portanto, para não perder a graça, você poderá conferir ao assistir o filme.


Moana: Um Mar de Aventuras é um filme imperdível que trata de questões muito interessantes. Com dois personagens icônicos, Moana e Maui, e com uma história muito envolvente, a animação se torna uma das melhores já feitas nos últimos anos. O filme é incrivelmente encantador em todos os sentidos, inclusive no visual. Além de ser encantador e passar uma mensagem muito bonita no final, o filme ainda consegue ser constantemente engraçado. Um filme para todas as idades, tanto as crianças quanto os adultos terão a garantia de diversão e de aproveitamento ao assisti-lo!